Editorial

“Esperar contra toda a esperança” 

| 1 Mar 2022

Uma guerra é muito mais que a morte. É a destruição deliberada das vidas e dos bens que as pessoas e comunidades e povos construíram. É o tempo em que tudo se reduz ou parece reduzir à lógica do nós contra eles. É a abominação.

Não sabíamos? Tínhamos esquecido?

Ainda a invasão da Ucrânia não tem uma semana e é já um rasto imenso de vidas despedaçadas, de destruição e morte, de centenas de milhares de refugiados, de vidas em suspenso. E o que estará ainda para vir?

Como estamos a ver, a guerra veio para o meio de nós. Não uma guerra daquelas que se vê na televisão. Não. Esta apanhou-nos. A Europa que há pouco mais de 75 anos foi dilacerada pelo holocausto e pela bomba atómica parece não ter aprendido que a guerra é, como dizia recentemente o Papa Francisco, “um fracasso da política e da humanidade”.

Foi ultrapassada uma linha vermelha, daquelas que viram o mundo às avessas. Enquanto país da União Europeia e, assumidamente, solidário com o povo ucraniano, não podemos ser meros espectadores.

Neste contexto, o que pode significar o dia de jejum e oração, para que o Papa convocou para esta quarta-feira, 2, os católicos e todas as “pessoas de boa vontade”? 

Uma coisa e outra podem assumir diferentes sentidos para pessoas diferentes. Mas, num certo nível, mesmo os não crentes poderão sentir-se desafiados a um gesto muito simples: dar tempo para deixar que tudo o que se tem passado nos últimos tempos ressoe dentro de cada um; escutar os gritos dos que estão a sofrer e vão sofrer e como podemos ser solidários; enxergar os sinais de esperança que esta tragédia tem evidenciado; que caminhos percorrer para que se chegue rapidamente ao calar das armas e ao recuo dos invasores e se negoceiem soluções que permitam a convivência dos dois povos, com justiça e paz. 

É claro que não temos o poder de mudar as coisas; mas temos o poder de sermos acolhedores e solidários e de pressionar quem tem capacidade e competência para que esses caminhos de justiça e de paz sejam trilhados. 

Pode não ser hoje nem amanhã. Não é impossível que a insensatez e a cegueira leve a que a tragédia ainda se agrave mais. Mas não podemos desistir da ação que a cada um compete, na situação em que se encontra. 

“Por que razão rezar quando rezar parece tão inútil?”, perguntava aqui, há dias, uma religiosa do mosteiro de Montserrat. 

Precisamente para persistir, para ganhar mais força e clarividência. Para poder “esperar contra toda a esperança”.

 

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