E como se vive o Natal para lá das grades de uma prisão? Sendo um dos universos que a sociedade portuguesa teima em estigmatizar e em não querer ver e conhecer, o 7MARGENS convidou alguns reclusos a testemunhar como é viver o Natal na condição de reclusão. Recorrendo à intermediação de voluntários da pastoral prisional católica, recolhemos cinco curtos testemunhos nos estabelecimentos prisionais de Custóias (Porto) e de Bragança.
Durante esta semana do Natal, publicamos um testemunho por dia, que nos ajuda a perceber que nas prisões moram pessoas e não proscritos, que ali se sofre e se acredita, que ali se vive a gratidão e a reflexão consciente sobre passados de erros e frustrações e sobre futuros que se esperam diferentes – e melhores.
Nascimento. Amor que se materializa, amor que se espera de paz, de respeito, de empatia, de profunda compreensão, livro em branco onde é possível imaginar. Fé.
É tão difícil acreditar em algo que se não vê, esse profundo mistério de aceitar, convencido que tudo tem um objetivo, um fim em si mesmo. A ânsia ancestral, litúrgica, como um reflexo instintivo de acreditar em algo além de nós.
O nascimento de Jesus abriu essa porta, da promessa real que existe mais do que aquilo que nos é possível ver.
No entanto, o Natal não deve, não pode ser descaracterizado na festa do consumo, esquecendo-se o sentido verdadeiro da celebração. Essa união em volta de uma ideia de paz e esperança, torna-se na união expressa em uma criança que se faz homem e nos ensina a vantagem da paz, da conciliação e da esperança. Celebremos a vida. Celebremos Cristo.
Vitam, non mortem cogito (Penso na vida, não na morte)
Feliz Natal!
Pedro, Estabelecimento Prisional de Bragança










