Ataques sucedem-se

Está em curso “um genocídio cristão” na Nigéria, alerta bispo católico

| 31 Jan 2024

Cristãos vítimas de ataques na Nigéria. Foto ACN

Para os cristãos que sobrevivem aos ataques, a situação não é muito melhor. Estima-se que haja três milhões de deslocados internamente, a viver em enormes campos de refugiados, incapazes de regressar às suas casas por medo de serem mortos. Foto © ACN

 

São mais de 86 milhões os cristãos na Nigéria – cerca de metade da população do país – mas o bispo Wilfred Anagbe, que lidera a diocese de Makurdi, acredita que poderão desaparecer completamente nas próximas décadas. Nesta terça-feira, 30, dia em que se soube que novos ataques à comunidade cristã no estado de Plateau deixaram dezenas de mortos, Anagbe estava em Washington DC (EUA) para participar na Cimeira Internacional sobre a Liberdade Religiosa. Num evento paralelo promovido pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, o bispo disse não ter dúvidas: o que está a acontecer na Nigéria é “um genocídio cristão”.

E para que não restassem dúvidas a quem o escutava, o bispo de Makurdi mostrou o que todos prefeririam não ter visto: fotografias de homens, mulheres, crianças e bebés brutalmente assassinados, muitos com os corpos despedaçados ou cabeças e membros com marcas de golpes de facão, todos martirizados por membros radicais de uma tribo muçulmana conhecida como fulani, relata a Catholic News Agency.

Quanto aos que sobrevivem aos ataques, assinalou o bispo, a situação não é muito melhor. Estima-se que haja três milhões de pessoas deslocadas internamente, a viver em enormes campos de refugiados em toda a Nigéria. Sem dinheiro ou recursos, incapazes de regressar às suas casas destruídas por medo de serem mortos, estes milhões de cristãos vivem nas condições mais precárias, como refugiados no seu próprio país, disse Anagbe.

“Quando vamos aos campos onde eles estão, não sabemos o que pregar. É difícil consolá-los, apoiá-los, partilhar com eles, temer com eles, e todos os dias aparecem mais pessoas”, afirmou, acrescentando que as condições em que vivem tornam as crianças especialmente vulneráveis ​​ao tráfico de seres humanos e de órgãos, e ao trabalho infantil.

 

Cumplicidade do Governo?

Bispo de Makurdi, Wilfred Anagbe. Foto ACN

Nenhum dos terroristas responsáveis ​​pelos muitos massacres foi detido até agora, denunciou o bispo de Makurdi, Wilfred Anagbe. Foto © ACN

 

Anagbe acusou ainda os funcionários do Governo nigeriano de estar “concretamente a apoiar, ajudar e encorajar os raptores e os assassinos”. Isto, disse ele, é evidenciado pelo facto de o Governo não ter feito uma única detenção de nenhum dos terroristas responsáveis ​​pelos muitos massacres.

Alguns políticos alegam que são as alterações climáticas que estão a forçar os pastores nómadas fulani a lutar com os agricultores cristãos por terras escassas. Anagbe, no entanto, considera que se trata de “mentiras e propaganda”. Para o bispo católico, os Fulani são motivados principalmente pelo ódio ao cristianismo.

Os ataques, que muitas vezes resultam na morte de centenas de pessoas ao mesmo tempo, como aconteceu no Natal passado, são “direcionados a grupos cristãos indígenas na Nigéria” como “uma forma de eliminar este grupo de pessoas que têm a mesma fé vindos de lugares diferentes”. Esta, disse ele, é a própria definição de genocídio religioso.

“Quantas mesquitas foram atacadas versus igrejas católicas? Quantos pastores e padres foram sequestrados em comparação com imãs?”, questionou. “Quando alguém elimina pessoas que não o confrontam, que não o provocaram, e não há guerra, trata-se de uma agenda que tem de cumprir.” A agenda, concluiu Anagbe, é o “extermínio” do cristianismo na Nigéria.

 

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