Judeus no dia mais sagrado do ano

Estado de São Paulo assinala Yom Kipur pela primeira vez

| 14 Set 2021

Judeu a tocar o shofar, gesto que assinala o fim do jejum de Yom Kipur. Foto: Direitos reservados.

 

O estado brasileiro de São Paulo assinala este ano, pela primeira vez, o feriado judaico de Yom Kipur, o dia do perdão, que neste ano ocorre do pôr-do-sol desta quarta-feira, 15 de Setembro, até ao mesmo momento de quinta, 16. 

A medida foi decidida em Abril, pelo governo estadual, depois de proposta pelo deputado Manoel Barbosa do Nascimento, conhecido por Tenente Nascimento, pastor da Assembleia de Deus e membro do Partido Social Liberal. Na página da Assembleia Legislativa de São Paulo, refere-se que o deputado quis atender a judeus e cristãos como um todo. “No Brasil, os cristãos consideram esse período de 10 dias, entre Rosh Hashanah e o Yom Kipur, um tempo de arrependimento e de consagração a Deus. Tempo de buscar a paz com todos. Tempo de reconciliação com Deus e com o próximo”, diz o texto explicando a proposta e a decisão. 

O pastor evangélico e deputado acrescentava na ocasião que a prática do perdão é um ensinamento divino e benéfico à humanidade: “O pedido de perdão e a libertação do perdão proporciona a quem ora a paz espiritual, afasta-nos do mal e nos condiciona a uma reflexão sobre o conserto e o recomeço da maneira correcta, como Deus nos ensinou”, afirmava.

O Yom Kipur (em hebraico, יום כיפור) é celebrado anualmente e é uma das datas mais importantes e sagradas do judaísmo. Comemorada no décimo dia depois de Rosh Hashanah (dia 10 do mês de Tishrei), o Ano Novo no calendário judaico, é um dia dedicado por cada pessoa ao jejum e à oração.

Na tradição judaica, o Yom Kipur começa com Moisés, depois de Deus lhe entregar as tábuas com os Dez Mandamentos no Monte Sinai. Ao regressar, depois de ter estado ausente de forma prolongada, reparando que os israelitas estavam a adorar um bezerro de ouro, Moisés parte as pedras com a lei, voltando a subir a montanha para pedir o perdão de Deus para si e para o povo. Quando regressa com as novas tábuas da lei, traz também o perdão de Deus e a aliança renovada. 

Os dez dias entre Rosh Hashanah e Yom Kipur, os dias de arrependimento, são destinados pelos crentes à intensificação da oração e da prática da caridade. O objectivo é que o nome de cada um(a) seja inscrito(a) no livro dos nomes das pessoas que fazem o bem (e não no livro das pessoas más ou das que não são boas nem más). 

Durante o dia de Yom Kipur, tal como em cada Sábado (Shabath), os judeus não devem trabalhar e devem jejuar. Como se refere num texto da National Geographic sobre o tema, é a data em que muitos judeus não-observantes frequentam a sinagoga. 

Aqui, decorrem cinco orações, em que a comunidade confessa colectivamente os seus pecados ou recorda os que morreram. Nessa altura, toca o shofar, o corno de carneiro, assinalando o fim do jejum de 25 horas que deverá ter sido cumprido. Depois disso, é tradição as famílias juntarem-se à volta da mesa. 

 

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Breves

 

Terça, 30, às 18h

Legado de Alfredo Bruto da Costa debatido na Feira do Livro

O livro O Que Fizeste do Teu Irmão? – Um Olhar de Fé sobre a Pobreza no Mundo, de Alfredo Bruto da Costa, é o ponto de partida para o debate que, nesta terça-feira, reúne Nuno Alves, economista do Banco de Portugal e membro da direcção da Cáritas Portuguesa, com Margarida Bruto da Costa, filha do autor.

JMJ realizou em 2022 metade das receitas que tinha orçamentado

A Fundação Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023 obteve no ano passado rendimentos de 4,798 milhões de euros (menos de metade do previsto no seu orçamento) e gastos de 1,083 milhões, do que resultaram 3,714 milhões (que comparam com os 7,758 milhões de resultados orçamentados). A Fundação dispunha, assim, a 31 de dezembro de 2022, de 4,391 milhões de euros de resultados acumulados em três anos de existência.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This