Tentativas de controlo dos média, ameaças legais, repressão transnacional, interferência política nos meios de comunicação de serviço público e aumento da sua instabilidade financeira, leis restritivas e assassinato de 53 trabalhadores dos média constituem alguns dos aspetos referidos no Relatório sobre Liberdade de Imprensa na Europa para caracterizar 2025 como um ano em que cresceu o ambiente cada vez mais hostil ao jornalismo.
O documento de 75 páginas, divulgado no dia 3 de março, foi elaborado pela Plataforma de Segurança dos Jornalistas com a colaboração das suas 15 organizações parceiras e patrocinado pelo Conselho da Europa e aponta “a guerra da Rússia contra a Ucrânia como a maior ameaça aos jornalistas na Europa, com profissionais dos média mortos, feridos, detidos ou desaparecidos em áreas ocupadas pela Rússia”, ao mesmo tempo que “a repressão do jornalismo dentro da Rússia se intensificou, incluindo condenações à revelia de jornalistas que reportavam a partir do exílio”.
A Plataforma lembra que desde o seu lançamento, em abril de 2015, publicou mais de 2.300 alertas sobre ameaças graves à liberdade de imprensa nos Estados-membros do Conselho da Europa, na Rússia e na Bielorrússia. Mais grave do que isso é o facto de o “número de alertas ter aumentado de forma constante, de 106 em 2015 para mais de 330 em 2025, refletindo um ambiente cada vez mais hostil para o jornalismo e os jornalistas”. Um quarto desses alertas diz respeito a ataques à segurança física e à integridade de jornalistas.
Pelo menos um quarto dos países cobertos pela Plataforma recebeu alertas protestando contra vários tipos de ataques a que foram sujeitos profissionais dos média nos seus territórios. Bielorrússia, Geórgia, Sérvia, Rússia, Turquia e as regiões ucranianas ocupadas pela Rússia ficaram marcadas como os espaços em que mais jornalistas foram alvos da polícia, de atores políticos e de manifestantes, impedidos de realizar o seu trabalho de reportar, ou punidos pelo que reportaram, evidenciando falhas na garantia de uma cobertura noticiosa segura e na responsabilização por abusos. O assédio online e a intimidação coordenada atingiram desproporcionalmente as jornalistas mulheres.
A estabilização da linha de frente e a melhoria dos protocolos de segurança para repórteres que caracterizaram os anos de 2023-2024 permitiram a redução do número de jornalistas mortos na Ucrânia. Mas tudo mudou em 2025 por causa do aumento do uso pela Rússia de drones unipessoais contra jornalistas e equipas de média que operam perto da linha de frente. “A precisão dessas armas veio aumentar drasticamente os riscos da cobertura de guerra e alterar as condições em que os jornalistas podem trabalhar. Em 2025, os jornalistas ucranianos Olena Hramova, Yevhen Karmazin e Tetyana Kulyk, bem como o fotojornalista francês Antoni Lallican, foram mortos em ataques de drones russos”.

Em 2025, os jornalistas ucranianos Olena Hramova, Yevhen Karmazin e Tetyana Kulyk, bem como o fotojornalista francês Antoni Lallican, foram mortos em ataques de drones russos. Foto © Plataforma de Segurança dos Jornalistas
Dos 334 alertas emitidos pela Plataforma durante o ano de 2025, 110 diziam respeito a assédio e intimidação de jornalistas, 90 a ataques físicos, 68 à detenção ou prisão de jornalistas e os restantes a outras tentativas de reprimir a liberdade de Imprensa.
De modo mais sub-reptício, realça o relatório, “os jornalistas também tiveram que lidar com o domínio das grandes plataformas de tecnologia e das redes sociais, já que esses gigantes digitais, com fortes conexões políticas, continuaram a monopolizar os recursos publicitários e a absorver a atenção do público, desviando-a dos média tradicionais”.










