“Estamos a espremer o planeta”, diz o Papa, no início do “tempo da criação” das igrejas cristãs

| 1 Set 2020

Neste 1 de Setembro, muitas igrejas cristãs assinalam o Dia Mundial de Oração pela Criação, uma ideia inicial do Patriarca Bartolomeu, de Constantinopla. É o começo do Tempo da Criação, um mês para sensibilizar para o cuidado do planeta. Como mostram 400 mil árvores que os bispos católicos querem plantar no Banglasdesh ou a diocese filipina que se tornou a primeira do mundo movida a energia solar. Em Portugal, o apelo é para concretizar as ideias oportunas e urgentes da Laudato Si’.

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Desmatamento 900km a sudeste de Manaus, Amazónia: “Estamos a espremer o planeta”, diz o Papa Francisco. Foto © Gerard Moss/Projecto Brasil das Águas-2006.

 

“Estamos a espremer os bens do planeta. Espremendo-os, como se fossem uma laranja. Países e empresas do Norte enriqueceram explorando dons naturais do Sul, gerando uma ‘dívida ecológica’”. No vídeo de Setembro da Rede Mundial de Oração do Papa, Francisco denuncia desta maneira os atentados ao ambiente cometidos por países e multinacionais e o cuidado que se deve ter com os recursos do planeta.

O vídeo surge a propósito do Dia Mundial de Oração pela Criação, que se assinala a 1 de Setembro por iniciativa do Patriarca Bartolomeu (ortodoxo), de Constantinopla, e ao qual depois se foram juntando várias outras igrejas cristãs. O Papa Francisco envolveu a Igreja Católica há cinco anos, depois de ter publicado a encíclica Laudato Si’, “sobre o cuidado da Casa Comum”.

Simultaneamente, o dia mundial dá início ao “Tempo da Criação”, que decorre até 4 de Outubro, dia de São Francisco de Assis (ao qual se pode aderir com a hashtag #TempoDaCriação), e durante a qual diferentes igrejas (e também organizações não-governamentais) promovem acções de sensibilização, formação ou, mesmo, de concretização de medidas que ajudem a inverter a marcha de destruição que se regista no ambiente. Desta vez, o Tempo da Criação surge quando a Igreja Católica decidiu promover um Ano Laudato Si’, para assinalar os cinco anos da publicação da encíclica.

 

“Quem pagará a dívida?”

No curto filme, o Papa pergunta: “Quem pagará essa dívida? Além disso, a ‘dívida ecológica’ é ampliada quando multinacionais fazem fora dos seus países o que não lhes é permitido fazerem nos seus. É ultrajante.” E acrescenta, em apelo aos cristãos: “Hoje, não amanhã, hoje, temos de cuidar da Criação com responsabilidade. Rezemos para que os recursos do planeta não sejam saqueados, mas partilhados de forma justa e respeitosa. Não ao saque, sim à partilha.”

 

No comunicado da Rede Mundial de Oração do Papa, enviado ao 7MARGENS, citam-se os sucessivos relatórios internacionais que indicam que quase mil milhões de pessoas “vão dormir com fome todas as noites”, não pela falta de “comida suficiente para todos, mas por causa da profunda injustiça na maneira como a comida é produzida e distribuída”.

Entre essas razões, diz o mesmo texto, “estão o aumento do poder empresarial na produção de alimentos, a crise climática e o acesso injusto aos recursos naturais, o que afecta a capacidade das pessoas de cultivar e comprar alimentos” – situação “especialmente prejudicial para as mulheres, que trabalham mais na agricultura do que em qualquer outro sector e produzem grande parte dos alimentos do mundo”.

Também as indústrias extractivistas e a exploração de recursos naturais não renováveis, incluindo petróleo, gás, minerais e madeira, já foram apontadas pela ONU como um dos factores que desencadeiam, impulsionam ou sustentam conflitos violentos em diferentes partes do mundo, acrescenta o comunicado.

“Hoje mais do que nunca temos de ouvir esse clamor e promover concretamente, com um estilo de vida pessoal e comunitário sóbrio e solidário, uma ecologia integral”, comenta o padre jesuíta Frédéric Fornos SJ, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa.

 

Patriarca Bartolomeu:
progresso económico não pode ser pesadelo ecológico

Patriarca Bartolomeu no Amazonas, em Julho de 2006, durante o simpósio Religião, Ciência, Ambiente “Amazónia, Fonte de Vida”. Foto © António Marujo

 

O Patriarca Bartolomeu também insiste em aspectos semelhantes, na sua mensagem para este Dia de Oração pelo Cuidado da Criação: a biodiversidade destruída e o equilíbrio climático em colapso exigem uma acção conjunta de indivíduos e governos, pois “o desenvolvimento não pode continuar sendo um pesadelo para a ecologia”.

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