Cenário inquietante em estudo da “Lancet”

“Estamos a pagar em vidas” a inação face às mudanças climáticas

| 18 Nov 2023

 

É “na direção errada” que a humanidade está a caminhar, por ignorar os múltiplos sinais de alarme que quotidianamente surgem, sem distinção de países ricos ou pobres. Se não for controlada a subida da temperatura média, o número de mortes causadas por ondas de calor extremo quase se multiplicarão por quatro até 2050.

“Estamos a pagar em vidas”, afirmou, citada pela Reuters, a diretora executiva do relatório, Marina Romanello, sobre a inação do mundo face às alterações climáticas. A agência refere, a este propósito, um outro estudo realizado no início deste ano que aponta para o número de 61.000 pessoas que, só na Europa, morreram durante as vagas de calor, no verão de 2022.

O cenário está no relatório Lancet Countdown (contagem decrescente) relativo a 2023, publicado esta semana pela revista científica The Lancet, que vai já na oitava edição e que resulta de uma colaboração internacional de investigação que monitoriza de forma independente a evolução dos impactes das alterações climáticas na saúde. O relatório 2023 baseia-se na experiência de 114 cientistas e profissionais de saúde de 52 instituições de investigação e agências das Nações Unidas de todo o mundo.

O Countdown estabelece uma relação de causa-efeito entre o aquecimento do planeta e o aumento das doenças e mortes relacionadas com o calor. Segundo projeções feitas pelos peritos, as mortes anuais por calor poderão vir a registar um aumento de 370 por cento até meados deste século. Para tal bastará que o planeta registe um aumento médio de 2ºC acima dos níveis pré-industriais (atualmente, o aumento situa-se em 1,1ºC – média dos últimos dez anos).

O relatório lembra que, em 2023, o mundo registou as temperaturas globais mais elevadas dos últimos 100.000 anos, e foram batidos recordes de calor em todos os continentes até 2022. “Os adultos com mais de 65 anos e os bebés com menos de um ano, para os quais o calor extremo pode ser particularmente perigoso para a vida, estão atualmente expostos ao dobro de dias de canícula do que teriam vivido entre 1986-2005”, nota o estudo.

Não surpreende, assim, que as mortes relacionadas com o calor, de pessoas com mais de 65 anos, tenham aumentado 85 por cento em comparação com o período de 1990-2000, percentagem que não iria além de 40 por cento se as temperaturas não tivessem subido.

O relatório de 2023 alerta para o facto de, simultaneamente, “as alterações climáticas estarem a danificar os sistemas naturais e humanos dos quais as pessoas dependem para ter uma boa saúde”.

Concretizando, a investigação apurou que a área terrestre global afetada por secas extremas aumentou de 18 por cento em 1951-60 para 47 por cento em 2013-22, “pondo em risco a segurança da água, o saneamento e a produção de alimentos”.

Uma maior frequência de ondas de calor e secas, em 2021, foi associada a mais 127 milhões de pessoas que experimentaram insegurança alimentar moderada ou grave em comparação com 1981-2010, ficando assim em risco de subnutrição e de efeitos potencialmente irreversíveis.

A alteração das condições climáticas está também a colocar mais populações em risco de contrair doenças infeciosas potencialmente mortais, como a dengue, a malária, a vibriose e o vírus do Nilo Ocidental.

Para além dos impactos diretos na saúde, a equipa multidisciplinar de investigadores que trabalharam neste projeto alertou também para as avultadíssimas perdas económicas associadas ao aquecimento global, resultantes da deterioração dos meios de subsistência, da limitação da resiliência e da redução dos fundos disponíveis.

Só entre os períodos de 2010-2014 e 2018-2022, registou-se um aumento de 23 por cento neste tipo de perdas, sendo que os países de mais baixos índices de desenvolvimento humano registam mais prejuízos, agravando, assim, as desigualdades globais.

Um outro exemplo que surge no estudo chama a atenção para o facto de a exposição ao calor poder ter conduzido a 490 mil milhões de horas de trabalho perdidas em 2022, um aumento de quase 42 por cento, em relação ao período de 1991 a 2000.

Os caminhos para enfrentar estes problemas, segundo o Lancet Countdown, passam por  “uma transição justa e equitativa dos combustíveis fósseis para as energias renováveis e a eficiência energética”. Políticas nessa direção podem não só reduzir os danos causados à saúde pela pobreza energética e fornecer serviços de apoio à saúde de alta qualidade, como também prevenir milhões de mortes.

 

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