Estudo na Austrália: 40% dos idosos internados sofreram abuso ou negligência. Portugal não está melhor.

| 22 Dez 20

Em Portugal ou na Austrália (e em muitos outros países), o abandono e a violência marcam a vida de muitos idosos Foto: Braga, Portugal, 1996. © Alfredo Cunha/O Tempo das Mulheres, cedida pelo autor.

 

Quatro em cada 10 residentes em instituições de cuidados a idosos na Austrália experimentaram alguma forma de abuso ou negligência, uma taxa de abuso de séniores próxima da faixa superior encontrada em estudos no exterior.

Os dados constam de uma pesquisa, divulgada esta segunda-feira, 21 de dezembro, conduzida de janeiro a março do ano corrente e encomendada pela Real Comissão de Qualidade e Segurança no Cuidado do Idoso. Cerca de 390 residentes em 67 centros de cuidados para idosos foram questionados sobre preocupações que tivessem, incluindo aquelas de que não haviam feito participação. A pesquisa revelou que 39,4% disseram que sofreram abuso físico e emocional e / ou negligência.

A pesquisa, divulgada nesta segunda-feira, não incluiu abuso financeiro, sexual ou social.

Relativamente a Portugal, dados de um estudo de 2018 revelam que, numa lista de 50 países europeus, que integram a Organização Mundial de Saúde (OMS), o nosso país se encontra no grupo dos cinco piores no tratamento aos mais velhos: 39% dos idosos são vítimas de violência. O facto levou mesmo a OMS a colocar Portugal numa lista negra, no tratamento dos idosos, ao lado da Áustria, Sérvia, Israel e República da Macedónia.

No estudo australiano, o tipo de abuso mais prevalente foi a negligência, experimentada por 30,8% por cento das pessoas, seguido do abuso emocional, com 22,6%. Isso inclui pessoas que disseram que foram “tratadas como crianças”, “objeto de berros do staff” ou forçadas a usar fraldas para incontinência. O menor grupo foi o das vítimas de abuso físico, da ordem dos 5%, em comparação com os 14% no exterior.

“O principal a fazer para corrigir estas situações passa por aumentar o pessoal”, disse a professora Kathy Eagar, diretor do Instituto Australiano de Pesquisa de Serviços de Saúde da Universidade de Wollongong. “É preciso pessoal para ver as coisas que estão mal e pessoal suficiente para registar essas situações. Além disso, é necessária a cultura adequada [incluindo a proteção dos denunciantes] para que os funcionários que fizerem denúncias não sejam punidos”, disse a professora Eagar, citada no The Age.

 

[Sobre esta realidade, vale a pena ver e ler o extraordinário ensaio/reportagem fotográfica de Adriano Miranda no Público de domingo, 20 de dezembro, com o título “Porque escolhemos não ver os velhos” que é acompanhado por um ensaio em forma de diário da escritora Dulce Maria Cardoso; o trabalho pretende ser uma espécie de homenagem aos mais velhos, “para nos pôr a pensar sobre a velhice e a maneira como tratamos os velhos”: “Com o início da pandemia percebeu-se que os mais velhos eram também os mais vulneráveis. Hoje, em Portugal, 67% do total de mortos têm mais de 80 anos. Os residentes em lares foram dos mais afectados. Adriano Miranda procurou duas excepções e fez retratos em dois lares (Lar e Centro de Dia de Alcoutim e Lar Idade D’Ouro, em Melgaço) onde a covid-19 não entrou. Dulce Maria Cardoso revela a sua experiência como cuidadora informal da mãe. Dois ensaios, em jeito de homenagem, para nos pôr a pensar sobre a velhice e a maneira como tratamos os velhos.”] 

 

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