Migrantes no Mediterrâneo

“Eu oiço os vossos gritos”: Papa denuncia política europeia

| 24 Out 21

refugiados mediterraneo foto Anton Chalakov

As nações ocidentais têm responsabilidades no tratamento digno destas pessoas, acusa o Papa. Foto Anton Chalakov

 

Não ao reenvio para a Líbia de migrantes apanhados no Mediterrâneo; existem nesse país “verdadeiros campos de concentração”; as nações ocidentais têm responsabilidades no tratamento digno destas pessoas. O veemente apelo, foi lançado este domingo pelo Papa Francisco, no Vaticano, após a oração do Angelus.

Depois de expressar a sua “proximidade” aos milhares de migrantes, refugiados e outras pessoas que precisam de proteção na Líbia”, o bispo de Roma disse, enfático: “Eu nunca vos esqueço, eu oiço os vossos gritos e oro por vocês.”

A agência Associated Press (AP), que deu este domingo destaque à posição do Papa, recordava na sua peça que funcionários da agência de refugiados da ONU e organizações de direitos humanos há muito denunciam as condições dos centros de detenção para migrantes na Líbia, citando práticas de espancamento, estupro e outras formas de tortura e alimentação insuficiente. 

“Os migrantes suportam semanas e meses dessas condições, aguardando a passagem em barcos de borracha impróprios para navegar ou em barcos de pesca frágeis arranjados por traficantes de seres humanos”, acrescentava a agência.

As agências humanitárias têm denunciado, a este propósito, as políticas europeias, de transferência de verbas para as autoridades líbias para conterem os fluxos e patrulharem os mares do lado africano, como o 7MARGENS tem noticiado.

Num registo que desafia essas políticas, o Papa observou: “É necessário acabar com o retorno dos migrantes a países inseguros e dar prioridade ao resgate de vidas humanas no mar com dispositivos previsíveis de resgate e desembarque, para garantir-lhes condições de vida dignas, alternativas à detenção, bem como rotas regulares de migração e acesso aos procedimentos de asilo.”

Coincidindo com o momento em que Francisco lançava este apelo internacional, várias embarcações de organizações de salvamento que vigiam as águas mediterrânicas anunciavam novos resgates de migrantes e refugiados. Segundo a AP, a organização Médicos Sem Fronteiras, alertada por uma instituição homóloga, anunciava ter abordado um bote de borracha batido por fortes ventos e ondas altas, do qual conseguiu resgatar as 71 pessoas que nele seguiam.

Pouco tempo antes, um outro barco de resgate com 296 migrantes a bordo, dos quais seis testaram positivo ao vírus covid-19, procurava ao largo de Malta a indicação de um porto para desembarcar.

Já no caso do  navio operado pela instituição de resgate alemã See Watch, conseguiu autorização para entrar num porto da Sicília, ao contrário de uma outra embarcação operado por uma organização espanhola, com 105 pessoas, que aguarda há quatro dias em alto mar indicação de porto de destino.

“Que todos nos sintamos responsáveis ​​por estes nossos irmãos e irmãs, que há tantos anos são vítimas desta gravíssima situação. Oremos juntos por eles em silêncio”, exortou o Papa, a rematar o apelo deste domingo.

 

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