EUA: Bispos pedem a Trump que suspenda execuções de quatro condenados à morte

| 3 Jul 20

Ilustração (pormenor) de Graça Morais para a Amnistia Internacional, nos 25 anos da organização (1986). Direitos reservados.

 

A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB, na sigla inglesa) dos Estados Unidos pediu à administração Trump que suspenda as execuções dos condenados à pena de morte a nível federal, agendadas para julho e agosto, depois de o Supremo Tribunal ter recusado o apelo de quatro dos detidos que se encontram no “corredor da morte”.

Após uma suspensão de quase duas décadas, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou no ano passado que iria restabelecer as execuções de detidos condenados à morte por tribunais federais e adotar um novo protocolo ao nível da injeção letal.

Foi precisamente esse novo protocolo que quatro dos cinco condenados contestaram, mas a recusa do pedido de recurso por parte do Supremo Tribunal abriu caminho a que as mesmas se realizem já a partir do próximo dia 13 de julho, noticiou o Independent Catholic News.

O arcebispo Paul S. Coakley, responsável pelo comité de Justiça Interna e Desenvolvimento Humano na USCCB, publicou na terça-feira, 30 de junho, um comunicado reiterando o pedido feito pelo seu antecessor, Frank Dewane, que já no ano passado havia apelado ao governo para que recuasse na sua decisão.

“Há décadas que temos vindo a pedir o fim da pena de morte”, pode ler-se no texto, que refere que o mesmo pedido foi feito pelos papas João Paulo II, Bento XVI e Francisco no mundo inteiro. “Imploro ao procurador-geral Wiliiam Barr e ao Presidente Trump que desista deste caminho de liderar as primeiras execuções federais em 17 anos”, conclui o representante da Igreja Católica norte-americana.

A pena de morte é legal no país, mas já foi abolida em 22 dos estados. A nível federal, e após o levantamento de uma moratória em 1988, apenas três condenados à morte foram executados, o último dos quais em 2003. Os tribunais federais raramente deliberam penas de morte, encontrando-se atualmente 60 pessoas nos corredores da morte em estabelecimentos prisionais federais, de acordo com o Death Penalty Information Centre.

 

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