Ponte aérea "inumana"

EUA deportam haitianos para um “país colapsado”

| 23 Set 21

UNICEF expressou preocupação pelo facto de dois terços dos migrantes haitianos expulsos da fronteira dos EUA nos últimos dias serem mulheres e crianças. Na imagem, uma criança sentada no que resta da sua casa, depois do terramoto que atingiu em agosto o Haiti. Foto © UNICEF/Georges Harry Rouzier.

 

Há 13 mil pessoas debaixo da ponte que liga Del Rio, no Texas (EUA), a Ciudad Acuña, no México, para tentar atravessar deste país para os EUA. Desde domingo, um ritmo de sete aviões por dia começaram a levar essas pessoas de volta ao seu país. No principal aeroporto do Haiti, na capital Port-au-Prince, muitos deportados tentaram voltar para o avião. 

A situação provocou já várias críticas de responsáveis do Partido Democrata, o mesmo do Presidente Joe Biden. Vários responsáveis democratas apelaram a Joe Biden para que a Administração conceda asilo a estas pessoas, refere a Rádio Renascença.

Uma outra consequência dos últimos acontecimentos foi a demissão do enviado especial dos Estados Unidos para o Haiti, em protesto contra as deportações de cidadãos haitianos, que considerou serem “inumanas”, como conta também a RR. 

Na carta de resignação, o diplomata Daniel Foote disse que o Haiti, que recentemente voltou a sofrer um sismo desastroso, é um “estado colapsado” que simplesmente não pode suportar “a infusão forçada de milhares de migrantes retornados, sem comida, abrigo nem dinheiro, sem que isso se traduza numa tragédia humana”, que de resto é evitável.

Daniel Foote escreveu ainda que é necessária assistência imediata aos haitianos. “O que os nossos amigos haitianos querem na verdade, e precisam, é de uma oportunidade para desbravar o seu próprio caminho, sem fantochadas internacionais e candidatos preferidos, mas com apoio genuíno.”

No campo entre Del Rio e Ciudad Acuña, os migrantes têm suportado temperaturas perto dos 40ºC e as autoridades têm tido dificuldade em fornecer água e comida, refere ainda a RR. Nas televisões, passam imagens de guardas fronteiriços dos EUA, a cavalo, a empurrar para o Rio Grande vários homens que tentavam atravessar do México para os Estados Unidos. 

Além dessa situação, há notícia de milhares de pessoas presas, a maioria das quais haitianos, perto da fronteira entre a Colômbia e o Panamá, que pretende também seguir para os EUA, informa a BBC Brasil.  

A Partners In Health, uma organização não-governamental que trabalha no Haiti, criticou as deportações: “Durante um período desafiador e perigoso para o Haiti, é inconcebível e cruel mandar homens, mulheres e crianças de volta para o que muitos deles nem mesmo chamam mais de casa.”

O país sofreu um terramoto devastador em 2010. Em julho deste ano, o Presidente foi assassinado e, em agosto, um novo terramoto atingiu de novo o país, que era já um caos de miséria e violência. 

 

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A homenagem aos que perderam as suas vidas nesta pandemia é uma forma de reconhecermos que não foram só os seus dias que foram precoce e abruptamente reduzidos, mas também que todos nós, os sobreviventes, perdemos neles um património imenso e insubstituível. Só não o perderemos totalmente se procurarmos valorizá-lo, de formas mais ou menos simbólicas como é o caso da Jornada da Memória e da Esperança deste fim-de-semana, mas também na reflexão sobre as nossas próprias vidas e as das gerações que nos sucederão.

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A Assembleia da República (AR) manifestou o seu apreço pela Jornada de Memória e Esperança, que decorre neste fim-de-semana em todo o país, através de um voto de solidariedade com as vítimas de covid-19 e com as pessoas afectadas pela pandemia, bem como com todos os que ajudaram no seu combate, com destaque para os profissionais de saúde.

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