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Padre jesuíta Stan Swamy, Índia

Eurodeputados pedem libertação imediata do jesuíta preso há 100 dias na Índia

| 18/01/2021

Padre jesuíta Stan Swamy, Índia

O padre Stan Swamy, preso há 100 dias: o seu estado de saúde já inspira cuidados. Foto: Direitos reservados.

 

Uma carta de 21 deputados do Parlamento Europeu dirigida ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e ao embaixador da Índia junto da União Europeia, pede a libertação imediata do padre jesuíta Stan Swamy, de 83 anos, preso há 100 dias, acusado de terrorismo. Os jesuítas e várias organizações de defesa dos direitos humanos dizem que ele foi detido por defender as tribos mais pobres da Índia.

Na carta dirigida a Modi, líder do partido nacionalista hindu Bharatiya Janata, os deputados manifestam a sua “profunda preocupação com a detenção e prisão de 16 defensores dos direitos humanos” entre os quais o padre Stan. Este, recordam os deputados, “trabalhou durante quatro décadas pelos direitos dos povos indígenas (Adivasis)” em vários estados indianos e tem negado, desde a sua detenção, as acusações policiais, noticia o Ponto SJ, portal dos jesuítas portugueses.

No mesmo texto, recorda-se a idade avançada de Swamy, que sofre de Parkinson, num quadro de saúde de enorme debilidade. “Desde que foi preso tem sido difícil assegurar-lhe as condições mínimas de dignidade. Foi forçado a dormir no chão durante vários dias e só depois de vários protestos que se prolongaram por mais de um mês, lhe foi disponibilizado um copo com palhinha, utensílio de que necessita para conseguir beber água autonomamente”, descrevem os jesuítas.

É esse quadro que leva os eurodeputados a invocar motivos humanitários para exigir a sua libertação imediata, tal como de outros defensores dos direitos humanos encarcerados em semelhante situação, acrescenta a mesma fonte.

O padre Swamy, como o 7MARGENS noticiou na ocasião, foi preso a 8 de Outubro último, pela polícia anti-terrorista da Índia, a Agência Nacional de Investigação (NIA), acusando-o de ligações maoístas, coisa que o padre Stan nega com veemência. Na base, contrapõe, está o seu trabalho em favor dos direitos dos Adivasi, uma minoria indígena que luta pelo direito à terra. Recentemente, Stan Swamy apresentara em tribunal uma acção pública contra o estado de Jharkhand em nome de 3000 indígenas presos.

A sua libertação tem sido pedida por várias organizações internacionais. Além da carta dos 21 deputados, também os três maiores grupos partidários do Parlamento Europeu – Partido Popular Europeu, Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas e Renovar a Europa –, assinaram um apelo dirigido ao Governo indiano e à alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Michelle Bachelet, apelando à libertação do padre Stan. A ACNUDH é, aliás, destinatária de uma outra petição, que pode ser assinada pelos interessados.

A Índia é, actualmente, um dos países referenciados em vários relatórios como tendo graves problemas de falta de liberdade religiosa. No país, muçulmanos e cristãos têm sido especialmente visados por sectores extremistas do nacionalismo hindu.

 

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