Europa é chamada a reconstruir serviços públicos e protecção social, defendem Trabalhadores Cristãos

| 7 Mai 2021

desemprego Foto Direitos Reservados

“Enquanto o desemprego continua a aumentar, quase seis em cada 10 pessoas desempregadas da Europa não recebem qualquer apoio ou subsídio”, refere o MTCE em comunicado. Foto: Direitos Reservados.

 

“Hoje, a Europa é chamada a construir novamente: serviços públicos fortes, uma política de protecção social inovadora e uma verdadeira solidariedade entre povos e Estados”, afirmou o Movimento dos Trabalhadores Cristãos na Europa (MTCE), por ocasião do Dia da Europa 2021, e no contexto da Cimeira Social da União Europeia que esta sexta-feira, 7 de Maio, decorreu no Porto.

Em comunicado enviado ao 7MARGENS, esta organização católica refere que a Europa não deve, nesta crise, “fechar-se sobre si mesma, mas empenhar-se na necessária solidariedade internacional para assegurar que todos no mundo tenham acesso às vacinas”. Uma opção que, acrescenta o MTCE, “requer uma política para o bem comum que vá para além dos interesses privados das grandes empresas farmacêuticas”.

O movimento católico defende ainda que este é “um momento histórico de mudança” e lembra que foi “na Europa que primeiro se estabeleceram os sistemas de protecção social mais avançados”. A actual crise sanitária e social “mostra-nos isso”, diz o MTCE, que defende que esta é “uma oportunidade para grandes mudanças que poderiam ser baseadas na tributação das maiores fortunas que enriqueceram apesar da situação”.

No documento, o MTCE acrescenta que diante da crise a Europa é “chamada a ser ousada: há mais de um ano que o nosso planeta enfrenta uma crise sanitária e social que afecta a todos”, mas “nem todos os grupos sociais estão a sofrer” as mesmas consequências. “As classes trabalhadoras e os mais pobres são os mais expostos aos riscos de contágio” diz o movimento, que recorda que a taxa de mortalidade nesses sectores “é muito mais elevada do que nas categorias mais abastadas”.

As medidas que os governos tomaram para a prevenção e o combate à pandemia “levaram a um aumento significativo da carga de trabalho para alguns trabalhadores que não podem desempenhar as suas tarefas à distância, em regime de teletrabalho”. Além disso, muitas das medidas tiveram um carácter temporário e “são sobretudo os trabalhadores em melhores condições que delas beneficiaram”. No fim, acrescenta o MTCE, “enquanto o desemprego continua a aumentar, quase seis em cada 10 pessoas desempregadas da Europa não recebem qualquer apoio ou subsídio”.

Para outros, o teletrabalho tem levado “a uma grande pressão, isolamento e maior exploração” e outros ainda não puderam continuar a trabalhar, como um dos testemunhos citado no texto de uma trabalhadora “colocada a trabalhar em horário reduzido porque não há computadores suficientes para o teletrabalho” na empresa. Além de lhe terem sido retirados “cinco dias de férias e outros dias de folga”.

 

Confinados no medo?

“Somos desafiados por esta imagem dos discípulos, confinados no medo, trancados na sua casa e fechados em si mesmos até que o Espírito os impele a abrir-se ao mundo, a assumir o risco da viagem e do encontro”, destaca o MTCE. Foto: Direitos reservados.

 

“Os mais precários, os desempregados e os trabalhadores temporários são particularmente afectados por esta crise”, sublinha o comunicado. “Foram os primeiros a ficar sem contrato, sem esperança” de novo emprego. É o caso de N., um jovem pai divorciado também referido no comunicado: “No Natal, fiquei sem brinquedos para os meus dois filhos, eles apoiam-me e ajudam-me a sobreviver. Este Inverno comprei quase três metros cúbicos de lenha, guardei-a para quando os meus filhos chegaram. Mantenho o meu casaco vestido, mesmo na cama.”

O MTCE denuncia ainda que “alguns direitos sociais estão a ser postos em causa em vários países”, ao mesmo tempo que se enfraqueceram os sistemas de inspecção das condições de trabalho.

Tudo isto ocorre num ambiente em que “a vida democrática foi posta em espera” e em que muitos veem uma oportunidade “especialmente boa para desmantelar o que resta do Estado Social, da rede de segurança para os mais pobres e do que resta dos regulamentos contra a poluição do ar”.

A organização, que reúne movimentos de trabalhadores católicos de vários países europeus, recorda ainda que “foram precisamente as decisões políticas que tornaram a economia europeia dependente e enfraqueceram todo o nosso sistema de saúde e de apoio social”. Estruturas como os hospitais têm sido afectadas “por decisões orçamentais com base unicamente na lógica de redução da despesa pública, contrariamente às necessidades reais da população”, denunciam ainda.

Referindo o tempo litúrgico do Pentecostes, em que os cristãos vão entrar, o MTCE diz que estes devem “ter presente esta mensagem de audácia expressa no Evangelho: somos desafiados por esta imagem dos discípulos, confinados no medo, trancados na sua casa e fechados em si mesmos até que o Espírito os impele a abrir-se ao mundo, a assumir o risco da viagem e do encontro”.

De acordo com o MTCE, essa é a atitude que sindicatos, associações e movimentos devem ter, assumindo a participação “na renovação do dinamismo da sociedade civil”. E apela: “Somos todos chamados a ser actores nesta Europa dos cidadãos que ainda está por construir.”

 

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