A Amnistia Internacional voltou a pedir a suspensão de Israel do Festival Eurovisão da Canção de 2026, por entender que “o genocídio não deve ter palco” e que há “um flagrante duplo padrão no que diz respeito a Israel”, antes da primeira semi-final que teve lugar esta terça-feira, 12 (a segunda terá lugar na quinta-feira, 14). A organização tornou pública esta posição, depois de ter escrito em março à União Europeia de Radiodifusão (UER) a solicitar essa suspensão. Sem sucesso.
Israel entrou em palco enquanto se ouviam protestos vindos de elementos que se encontravam na plateia – gritando “Stop Genocide!” (Parem o genocídio) e “Free Palestine! (Libertem a Palestina) – e acabou por ser apurada para a final, pelo voto do público. Perante esta não suspensão, a secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard, afirmou que “a recusa da UER em suspender Israel do Festival Eurovisão, tal como fez com a Rússia, é um ato de cobardia e uma ilustração de um flagrante duplo padrão no que diz respeito a Israel”.
“Em vez de enviar uma mensagem clara de que há um custo para os crimes atrozes de Israel contra o povo palestiniano, a UER concedeu a Israel este palco internacional, mesmo enquanto continua a cometer genocídio em Gaza, e a manter uma ocupação ilegal e apartheid”, apontou Agnès Callamard. “A União Europeia de Radiodifusão está a trair os valores do Festival Eurovisão da Canção, que incluem a liberdade da intolerância, do discurso de ódio e da discriminação. Está também a ignorar os protestos dos seus membros de Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia, que se retiraram do concurso devido à participação de Israel. Em última análise, a UER traiu a humanidade.”

O cantor Noam Bettan representou Israel esta terça-feira e ficou apurado para a final do Festival. Foto © Eurovision Song Contest
Segundo a responsável da Amnistia Internacional, “a participação de Israel no Festival Eurovisão da Canção oferece ao país uma plataforma para tentar desviar a atenção e normalizar o genocídio em curso na Faixa de Gaza ocupada, bem como as suas medidas no sentido de uma maior anexação de Gaza e da Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, e o seu sistema de apartheid contra os palestinianos”.
“Não se pode permitir que canções e lantejoulas abafem ou desviem a atenção das atrocidades de Israel ou do sofrimento palestiniano. Não deve haver palco para Israel na Eurovisão enquanto houver um genocídio em curso. A impunidade de Israel não pode continuar a ser tolerada, e as pessoas em todo o mundo devem agir de acordo com a sua consciência e defender os direitos humanos”, conclui Agnès Callamard.










