Evangélicos de Lisboa debatem como enfrentar secularização

| 7 Mai 19 | Destaque 2, Igrejas Cristãs, Newsletter, Últimas

Cruz numa igreja em Lisboa. Foto © Simon Lee/Wikimedia Commons)

 

“Reflectir sobre a realidade” de um ambiente social cada vez mais laicizado “e encontrar caminhos” sobre o modo como os cristãos evangélicos devem enfrentar o fenómeno da secularização são os objectivos de um seminário que se realiza nesta quarta-feira, 8 de Maio, na Assembleia de Deus, em Benfica (Lisboa). “Esse é o desafio grande”, diz o pastor António Rodolpho, um dos responsáveis pela iniciativa e pastor da Igreja Baptista Vida Nova, de Cascais.

O encontro, com o título genérico A Fé na Cidade, decorre entre  as 10h e as 18h nas instalações da Assembleia de Deus em Benfica (R. Julião Quintinha, 14B) e parte das principais conclusões do estudo sobre religiosidade na Área Metropolitana de Lisboa (AML), coordenado por Alfredo Teixeira, publicado em 2018 pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

De acordo com essa investigação, na região da capital 55 por cento das pessoas declaram-se católicas, enquanto 9 por cento pertencem a outra confissão e 35 por cento afirma não pertencer a nenhuma. Este último é o grupo que está em maior crescimento.

Alguns outros números da investigação podem ajudar a perceber esta realidade: dois terços dos inquiridos teve pai católico, enquanto a mãe católica esteve presente em três quartos das pessoas; pouco mais de metade (50,4%) não alterou a sua posição ao longo da vida; 23,8 por cento deixou de ser praticante, mas continuou a acreditar.

No universo evangélico, 40 por cento das pessoas estão envolvidas nas suas comunidades. Nos católicos, um terço dos inquiridos encontram verdade em todas as religiões e 36,1 por cento em várias religiões.

 

Não há respostas fáceis

“Não há respostas fáceis” para inverter a situação, “mas o objectivo é exactamente o de reflectir o que podemos fazer”, diz António Rodolpho. “Pensámos que a comunidade evangélica deveria reflectir sobre esta nova configuração religiosa e o seminário será um momento de reflexão para o fazer”.

O ambiente social, apesar de mais tardiamente, aproxima-se da realidade de outros países europeus. “Coloca-se Deus e a religião de lado, Deus está fora da equação. Não precisamos mais do religioso para tomar decisões e viver em sociedade”, analisa o pastor Rodolpho, admitindo que há “aspectos positivos” neste processo de reconfiguração religiosa.

Vários dos investigadores envolvidos no estudo – Alfredo Teixeira, Helena Vilaça e Margarida Franca – estarão presentes no seminário desta quarta-feira a apresentar dados do estudo e a coordenar o debate. O diagnóstico sobre a realidade religiosa da AML e o retrato de quem são os evangélicos preenchem a parte da manhã.

À tarde, um primeiro painel debaterá o tema da secularização, com intervenções de Davide Argiolas, da Universidade Autónoma, Tiago Cavaco, da Igreja Baptista da Lapa, e Alcir de Sousa, vice-presidente do Seminário Teológico Baptista. O segundo painel debate “O impacto da secularização no cristianismo evangélico: guetizaçãoversus acomodação” e terá intervenções de Helena Vilaça e Manuel Rainho (Igreja Baptista). O debate fecha com uma mesa-redonda, em que participam alguns dos anteriores intervenientes, e ainda João Martins, da Igreja A Casa da Cidade, Mário Rui Boto (da Igreja Hillsong, que faz evangelização através da música), e Alfredo Abreu (da organização Serve the City).

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