Comemorou-se neste fim de semana (8-9 de março) o 60º aniversário do que ficou conhecido por Domingo Sangrento, quando as forças policiais do Estado do Alabama, nos Estados Unidos da América, reprimiram violentamente a marcha da população negra que protestava pacificamente pelo direito dos negros ao voto.
As imagens da violência policial de 7 de março de 1965, na marcha que percorreu a pé o trajeto da cidade de Selma à de Montgomery mantêm-se na memória dos mais velhos, porque marcou um ponto de viragem, com os segregacionistas a perderem terreno face aos defensores dos direitos civis. Mas não só as imagens – escutar aqueles milhares de pessoas a cantar a vozes o Oh freedom, entre vários outros espirituais acompanhou para sempre recordação da resistência dos não-violentos, naquele dia.
As leis que discriminavam e segregavam as comunidades negras tinham sido aprovadas após a Guerra Civil, sendo particularmente duras nos estados do sul dos EUA.
Naquele dia 7, domingo, largas centenas de mulheres, homens e crianças, organizados em duas filas paralelas liderados pelo pastor Martin Luther King, estavam a atravessar uma ponte, ainda em Selma, quando a polícia lhes deu ordem para dispersar. Segundo a Associated Press (AP), menos de dois minutos depois, ergueram os casse-têtes e começaram a carregar sobre os manifestantes, ao mesmo tempo que lançavam gás lacrimogéneo.
A violência policial provocou solidariedade por todo o país, e uma lei aprovada mais tarde, no mesmo ano, reconheceu o direito ao voto dos negros.
A celebração dos 60 anos coincide, segundo a AP, com um crescendo de preocupações de que, com a administração Trump, estejam em curso “novas limitações ao direito ao voto” e restrições à ação de agências federais que “ajudaram a tornar a América uma democracia para todos”.
Imagem de destaque: Domingo Sangrento – Polícia do Alabama ataca manifestantes de Selma para Montgomery, 1965. Foto: Federal Bureau of Investigation, domínio público, via Wikimedia Commons
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