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Novo relatório, nova crise na Polónia

Quase 300 padres abusaram de 368 menores

| 29/06/2021

O ex-arcebispo de Gdansk, Slawoj Glodz, em 12 de Maio de 2019. Foto © Silar/Wikimendia Commons.

 

Um novo relatório da Igreja da Polónia, apresentado nesta segunda-feira, 28 de junho, diz que entre 1958 e 2020 houve 292 padres que abusaram de 368 menores. Estes casos foram recolhidos desde 2018 até final de 2020 através de vítimas, familiares, outros padres, média e outras fontes, descreve a ABC News.

Numa conferência de imprensa online, o presidente da Conferência dos Bispos Polacos, arcebispo Wojciech Polak, pediu perdão às vítimas.

De acordo com estatísticas de todas as dioceses católicas, 144 casos entre as queixas apresentadas, foram considerados credíveis numa fase inicial da investigação pela Congregação para a Doutrina da Fé. Outros 186 continuam a ser investigados e 38 foram recusados como não credíveis.

Este novo relatório fala de casos de abusos, mas também de negligência, encobrimento e silêncio perante o fenómeno da pedofilia do clero do país, um dos mais católicos da Europa em termos de prática sociológica.

O documento surge poucos dias depois de se saber que o antigo secretário pessoal do Papa João Paulo II, o agora cardeal Stanislaw Dziwisz, está também a ser investigado por uma comissão presidida pelo cardeal Angelo Bagnasco, do Vaticano. A notícia foi dada no final da semana passada pelo Il Sismografo e citada pelo Religión Digital.

Dziwisz foi acusado por grupos de vítimas de ter ocultado várias denúncias – e de o ter feito quer na Polónia, quer no Vaticano. Se isso for verdade, o facto pode ser relevante para averiguar se João Paulo II sabia de casos graves – como o do antigo padre Marcial Maciel, fundador dos Legionários de Cristo, e do cardeal McCarrick – ou se o secretário lhe bloqueava informação.

 

Um arcebispo acusado e retirado, agora autarca

Do último fim de semana, veio também outra notícia: acusado em vários momentos de encobrir abusos sexuais de membros do clero, o arcebispo polaco Slawoj Glodz foi recentemente obrigado pelo Vaticano a viver fora da sua diocese, entre outras penalizações. Para irritação de muitos, acaba de ser eleito para administrar a localidade de Piaski, a sua terra natal.

Enquanto as autoridades locais deram os parabéns ao recém-eleito, a revista católica polaca Wiez, que fez campanha contra o abuso sexual na Igreja, alertou que este “ato sem precedentes” provocaria “irritação e escândalo na sociedade”.

“Infelizmente, esta não é a abertura de uma nova temporada de comédia na TV, mas parte da vida da nossa Igreja polaca”, disse a Wiez,

Este hierarca foi um dos membros do episcopado denunciado num célebre documentário que teve grande eco aquando da sua difusão no canal televisivo TVN24, em 2019. Já por mais de uma vez grupos de padres e de leigos tinham vindo a público denunciar o encobrimento de abusos sexuais de crianças por parte de bispos, nomeadamente o de Gdansk.

Quando Slawoj Glodz completou 75 anos, em agosto de 2020, o Vaticano não esperou mais tempo e aceitou a resignação. E na sequência do motu proprio do Papa Francisco Vos estis lux mundi, foram desencadeadas pelo Vaticano investigações que levaram à penalização de Glodz e de outros bispos.

O bispo foi punido pelo Vaticano com a obrigação de abandonar a diocese que tinha pastoreado, que deixasse de comparecer em celebrações religiosas e em atos públicos e que depositasse uma determinada quantia em dinheiro, de valor não especificado, na conta de uma fundação que se dedica a apoiar as vítimas de abusos sexuais.

Figura de grande relevo na Igreja e na sociedade polacas, Glodz era igualmente um hierarca bem conhecido nos círculos do Vaticano, onde exerceu várias funções. Foi condecorado em diferentes momentos com várias distinções. Porém, a cidade de Varsóvia que, em 2005, lhe tinha atribuído o seu mais alto galardão, acaba de o retirar, depois de ser conhecido o veredito de Roma.

Já no corrente mês de junho foi noticiado pela UCA News, citando a agência católica polaca KAI, que uma “comissão especial” está a investigar o comportamento de alegado encobrimento por parte do cardeal Stanislaw Dziwisz, que foi arcebispo de Cracóvia, depois de muitos anos em que desempenhou a função de secretário pessoal do Papa João Paulo II.

 

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