Ex-núncio do Vaticano julgado em novembro e nova denúncia contra ex-cardeal McCarrick

| 24 Jul 20

Via-Sacra com Papa Francisco.

Os abusos sexuais voltam a fazer cair sombras sobre o Vaticano. Foto: Direitos reservados.

 

O ex-núncio do Vaticano em França, Luigi Ventura, irá a julgamento no próximo dia 10 de novembro, em Paris, acusado de agressão sexual por pelo menos quatro homens, segundo noticiou a AFP esta quinta-feira, 23 de julho. Nos EUA, o ex-cardeal e arcebispo emérito de Washington, expulso no ano passado do sacerdócio por pedofilia, é agora alvo de novas acusações pelo presumível abuso de menores numa casa de praia, onde também outros religiosos praticariam o mesmo crime.

Pela primeira vez na história moderna da diplomacia do Vaticano, a Santa Sé levantou em julho do ano passado a imunidade do bispo italiano Luigi Ventura, autorizando assim a abertura de um processo legal. A primeira denúncia contra Ventura tinha sido conhecida em fevereiro de 2019, quando um jovem acusou o então embaixador do Vaticano em França de o ter apalpado nas nádegas durante uma cerimónia na câmara de Paris, um mês antes. Pouco depois, outros três homens denunciaram atos idênticos que terão acontecido em 2018.

Diplomático de carreira do Vaticano, Luigi Ventura, 75 anos, foi o representante da Santa Sé em França desde 2009 até dezembro do ano passado, altura em que pediu a renúncia por limite de idade, a qual foi aceite pelo Papa Francisco.

Esta quarta-feira, 22 de julho, foi conhecida uma nova denúncia em relação ao ex-cardeal norte-americano Theodore McCarrick, avança o Religión Digital. A acusação partiu de um homem que alega que, entre 1982 e 1983, quando tinha 14 anos, McCarrick o levou, juntamente com outros menores, a passar fins de semana numa casa de praia na localidade de Sea Girt, onde “escolhia as suas vítimas entre os rapazes, seminaristas e clérigos presentes”.

O denunciante revela que o então bispo de Metuchen, uma diocese próxima no estado de New Jersey, definia os lugares onde cada um dormia e “rapazes menores eram atribuídos a diferentes quartos e emparelhados com clérigos adultos.”

A suposta vítima, hoje com 53 anos, denunciou também a arquidiocece de Newark, a diocese de Metuchen e as escolas e instituições católicas pelas quais passou durante a sua infância em New Jersey.

McCarrick, 90 anos, foi expulso do estado clerical em 2019, depois de uma investigação ordenada pelo Papa Francisco, e que resultou na condenação do ex-cardeal (que também perdeu o título) por abusos a sexuais de menores e adultos com a agravante de abusos de poder.

 

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