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Ex-núncio em Paris condenado por agressão sexual

| 17/12/2020

O então núncio Luigi Ventura, na cerimónia de consagração de uma catedral ortodoxa em França. Foto: Direitos reservados.

 

Um tribunal de Paris condenou o antigo núncio apostólico (embaixador) do Vaticano em França por agressão sexual a cinco homens em 2018 e 2019, a oito meses de prisão com pena suspensa.

O arcebispo Luigi Ventura, 76 anos – que não esteve presente no tribunal – ficou “destroçado” pelo veredicto, lido na quarta-feira, 16 de Dezembro. Citada pelo National Catholic Reporter, a sua advogada, Solange Doumic, disse que não sabia se ele iria apresentar um recurso porque o processo “tem sido extremamente doloroso para ele”.

Ventura negou repetidamente a acusação, permitida depois de o Vaticano ter levantado a imunidade diplomática do ex-núncio em Julho de 2019. O julgamento na ausência do arguido foi realizado a 10 de Novembro, tendo o arcebispo justificado com razões médicas, por ser arriscado viajar de Roma para Paris, com a pandemia a ressurgir.

A agressão sexual é punível em França com penas até cinco anos de prisão. A sentença acaba por ser mais leve do que os 10 meses que a acusação tinha procurado.

Luigi Ventura era acusado por cinco homens de os ter assediado, durante o tempo em que exerceu as suas funções diplomáticas em França. O caso estalou em Fevereiro de 2019, no meio de vários outros escândalos sexuais que afectaram responsáveis da Igreja Católica em diferentes países.

Entre os acusadores encontrava-se um antigo seminarista, Mahe Thouvenel, que disse ter sido agarrado repetidamente pelo clérigo quando celebravam missa, em Dezembro de 2018. Outro, Mathieu De La Souchere, alegou que Ventura lhe tocou repetidamente durante uma recepção na Câmara Municipal de Paris.

O juiz disse que, durante o interrogatório anterior, Ventura tinha explicado o seu comportamento dizendo que tinha um temperamento “latino” e que não havia nada de sexual nos seus gestos.

“Estes veredictos, quando envolvem um embaixador do Vaticano, podem dar a outras vítimas a coragem de se apresentarem noutros casos potencialmente envolvendo a Igreja”, disse Antoinette Frety, advogada dos queixosos. “Sabem agora que serão ouvidas, independentemente do lugar do agressor dentro da Igreja. E isso é muito importante.”

 

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