Exaltação das comunidades errantes

| 10 Jan 19

Exaltation é um diamante lapidado ou um extraordinário colar que vai desfiando preciosidades raras. Desde logo, pela voz única do contratenor israelita Yaniv d’Or, de ascendência sefardita (os judeus da Península Ibérica). O disco segue-se a dois outros trabalhos do cantor com o Ensemble Naya, Liquefacta est (2013), com excertos do Cântico dos Cânticos, e Latino Ladino (2015), centrado precisamente na música da diáspora sefardita, depois da expulsão dos judeus da Península. Neste Exaltation, pretende-se, escreve Richard Jones na apresentação, celebrar, de modo festivo, “o espírito que liga as comunidades errantes”. É dessa partilha de uma imensa riqueza que se faz o disco: seja pela belíssima composição de abertura, que dá o tom com uma evocação do Shema Israel (Escuta, Israel), do Allah’u (Deus é) e do Deus de misericórdia do salmo 89, a partir do cântico de Taizé; seja pelas peças tradicionais turco-sufis, em que vamos, como dervixes, a querer girar em torno do centro. Ou da sublime Ma belle, si ton âme, do francês Jean-Baptiste Besard e do dançante La mañana de San Juan (sefardita). E ainda da litania jubilosa de Yemei Horpi (apesar do título falar dos “Dias do meu inverno”), do triste pedido de Mareta, mareta no’m faces plorar ou do largo horizonte de Nana, a quinta das sete canções populares espanholas, de Manuel de Falla. Imprescindível.

 

Título: Exaltation

Intérpretes: Yaniv d’Or e Ensemble Naya

Edição: Naxos

www.yanivdor.com

 

(texto publicado na revista Além-Mar, de Janeiro 2019)

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