AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Discurso aos sindicalistas italianos

Exploração dos trabalhadores “como se fossem máquinas” preocupa o Papa

| 20/12/2022

Um trabalhador português no seu posto de trabalho em casa, numa mesa de jantar dividida em duas partes, durante a pandemia: “Prestem atenção aos jovens, muitas vezes forçados a contratos precários”, pediu o Papa Francisco. Foto: Direitos reservados.

 

A cultura do descarte, a falta de segurança no trabalho e a exploração das pessoas como se fossem máquinas são algumas das preocupações manifestadas pelo Papa, esta segunda-feira, 19, num discurso aos dirigentes e delegados da Confederação Geral Italiana do Trabalho.

Francisco começou por sublinhar a importância da formação dos trabalhadores e, juntamente com ela, as distorções do trabalho, denunciando a “cultura do descarte” que considera ter penetrado nas relações económicas e no mundo do trabalho. Como situações exemplificativas, além de falta de trabalho ou de trabalho indigno, Francisco apontou atentados à dignidade humana patentes na discriminação de género, perguntando, a este propósito, “porque é que uma mulher haveria de ganhar menos que um homem”. Ainda no mesmo terreno verberou as situações em que uma empresa descarta uma trabalhadora quando começa a haver sinais de que engravidou.

No tocante à segurança dos trabalhadores, matéria que disse ser recorrente nas notícias sobre mutilados e feridos no local de trabalho, disse que este é também onde muitos encontram a morte. “Cada morte no trabalho é uma derrota para toda a sociedade”, observou. “Em vez de contá-los no final de cada ano, devemos lembrar seus nomes, porque são pessoas e não números. Não vamos permitir que o lucro e a pessoa sejam colocados no mesmo patamar!”

Outra preocupação do Papa refere-se à “exploração das pessoas como se fossem máquinas de trabalho”. Exemplificou aludindo a “formas de violência, como a contratação ilegal e a escravidão de trabalhadores na agricultura ou em estaleiros de obras e em outros locais de trabalho, o constrangimento a jornadas de trabalho desgastantes, a desvalorização dos contratos, o desprezo pela maternidade, o conflito entre trabalho e família”.

O Papa alertou para o fenómeno, também presente em países como Portugal, como é o do aumento dos “trabalhadores pobres”, ou seja, pessoas que, apesar de terem um emprego, “não conseguem sustentar suas famílias e dar esperança para o futuro”.

Dirigindo-se diretamente aos interlocutores presentes na Sala Paulo VI, no Vaticano, Francisco afirmou: “O sindicato – ouçam bem – é chamado a ser a voz dos que não têm voz. É preciso fazer barulho para dar voz aos que não têm voz. Em particular, recomendo que prestem atenção aos jovens, que muitas vezes são forçados a contratos precários, inadequados e até escravizantes. Agradeço cada iniciativa que promove políticas laborais ativas e protege a dignidade das pessoas.”

Na parte final, o Papa pediu aos dirigentes sindicais que sejam “sentinelas” do mundo do trabalho, “gerando alianças e não oposições estéreis”. “As pessoas têm sede de paz, especialmente neste momento histórico, e a contribuição de todos é fundamental. Educar para a paz também nos locais de trabalho, muitas vezes marcados por conflitos, pode tornar-se um sinal de esperança para todos. Mesmo para as gerações futuras”, considerou o Papa.

 

LOC/MTC: “Natal focado nos que pouco contam”

Acção do Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços (CESP-CGTP) pelo direito a horários compatíveis com a vida familiar, diante do centro comercial Vasco da Gama, em Lisboa, em Dezembro de 2019: a LOC partilha as preocupações do Papa com as condições de trabalho. Foto © CESP. 

 

A preocupação com as condições de trabalho e com os pobres é também partilhada pela LOC/MTC (Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos), expressa na mensagem de Natal, segundo o comunicado enviado ao 7MARGENS.

A mensagem refere que, embora Jesus tenha deixado “bem claro no início da sua vida pública” que veio “trazer boas notícias aos pobres” para que estes “tenham vida e vida em abundância”, “o mundo de hoje está cheio de más notícias”, que afetam sobretudo “os mais pobres”. As más notícias vê-as o Movimento nos salários baixos, na precariedade no trabalho, nos longos e desregulados horários de trabalho, os acidentes de trabalho, as más condições de trabalho e de habitação, a carestia de vida, junto com a pandemia e a guerra e “todas as suas consequências [que] agravam as nossas condições de vida”.

O Natal de hoje “requer um olhar para a realidade de vida, especialmente focado nos que sofrem, vítimas de abandono da sociedade, os que ‘pouco contam’”, entende o MTC. Esses que “pouco contam” são, nesta mensagem, os trabalhadores de profissões pouco especializadas, desempregados ou que apenas conseguem algum tempo de trabalho,… “vivem em bairros pobres e não conseguem sair desta situação que se perpetua”. São também os “muitos trabalhadores desprotegidos dos seus direitos laborais básicos, sem contrato de trabalho, migrantes a trabalhar na economia paralela ou em situações degradantes e formas de exploração inconcebíveis”.

Por todos estes motivos a LOC/MTC convida todos a envolverem-se na campanha que vem promovendo pelo “trabalho digno” e pelo “cuidado da casa comum” onde seja bom viver e “onde o trabalho seja para o Homem e não o Homem para o trabalho”. Essa é, diz a mensagem, “uma maneira de fazer Natal na vida de cada um”.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Das cantigas de amigo à vinha

[Metáforas vivas]

Das cantigas de amigo à vinha novidade

Este texto corresponde à homilia de domingo, 4 de outubro, [domingo xxvii do tempo comum ― a ― 2026; 1º dia da semana da educação cristã; 800 anos da morte de S. Francisco], proferida pelo padre Joaquim Félix na igreja de S. Paulo, do Seminário Conciliar de Braga.

Jesus salva-nos de nós mesmos

[Entre Margens]

Jesus salva-nos de nós mesmos novidade

Uma das mais profundas obras de salvação realizadas por Jesus consiste em libertar-nos não apenas do pecado e da morte, mas também das falsas imagens que construímos acerca de Deus. Muitas vezes, consciente ou inconscientemente, projectamos sobre Deus os nossos medos, inseguranças e formas humanas de exercer o poder. [Texto de Vítor Rafael].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This