Extermínio na Faixa de Gaza: não esqueceremos!

| 25 Jan 2024

Criança num bairro de Gaza arrasado por ataques aéreos israelitas. Foto © UNICEF/Mohammad Ajjour

Criança num bairro arrasado por ataques aéreos israelitas. “Gaza é um imenso gueto de onde nenhum palestino pode sair.” Foto © UNICEF/Mohammad Ajjour

 

O fumo negro dos crematórios dos campos de concentração é agora substituído pelas gigantescas colunas de fumo das explosões das bombas, dos mísseis e rockets. Não há comboios de vítimas transportadas como animais para o matadouro porque os locais de execução são os hospitais, as escolas, as próprias casas. Não há Conselhos Judaicos a decidir as listas dos próximos condenados aos campos, nem rusgas pelas cidades porque Gaza é um imenso gueto de onde nenhum palestino pode sair.

A violência inominável com que as forças armadas israelitas têm levado a cabo o extermínio do povo palestino que habitava Gaza não tem paralelo com qualquer outra guerra contemporânea. A teoria que suporta o genocídio em curso é conhecida e há muito que foi desenvolvida nas altas esferas militares israelitas. Nunca se pensou que pudesse ser levada a cabo. Está a acontecer.

Está a acontecer todos os dias desde há quatro meses. Sem imagens. Sem jornalistas. Sem relatos. Sem sabermos. E, porém, sabemos. Não podemos esquecer. Não esqueceremos. Como não esquecemos o terror assassino das brigadas Hamas. Como não esquecemos nem esqueceremos o Holocausto, o horror da Shoah.

Sei que Israel não é isto. Durantes longos meses, multidões de centenas de milhares de pessoas ocuparam as ruas manifestando-se contra Netanyahu e os fundamentalistas seus aliados. Opuseram-se à destruição do equilíbrio de poderes típico da democracia e à vontade de conferir o poder absoluto ao Executivo. A 7 de outubro, a bestialidade terrorista do ataque do Hamas reduziu-as ao silêncio. Em que, na sua larga maioria, ainda permanecem. Mas há sinais de quererem retomar a palavra. E são também Israel.

Na Faixa de Gaza, muitos palestinos sofrem, em cima da permanente intromissão, controlo e repressão israelita, a perseguição do Hamas. E são também, e mais do que os facínoras do Hamas, palestinos de Gaza, são o povo de Gaza. Haverá futuro para quem vivia num território tão pequeno, tão oprimido e tão violentamente vivido? Não – dizem, desafiando o mundo, os fundamentalistas e os falcões israelitas que se preparam para varrer da face daquela terra os palestinos, tal e qual como, em menor escala e por outros meios, vêm concretizando, ali na Cisjordânia, há mais de seis décadas. Sim – digo eu, mesmo não sabendo todos os pormenores de como será possível, certo de que é ali, naquela faixa de território que parte dos palestinos viverão o seu futuro. Prósperos e em paz. Porque Israel pode levantar muros ao longo das fronteiras que internacionalmente lhe são reconhecidas, mas não tem o direito de gerir, controlar e oprimir o povo seu vizinho com recurso a todas as violências.

Constatações óbvias e fáceis. Que não chegam para reduzir o grau de violência, nem são garantias de paz. Que, no entanto, vale a pena sublinhar para traçar linhas que ajudem a sinalizar de forma clara e inequívoca eventuais passos que as ultrapassem.

“O processo de reconciliação é, muitas vezes, difícil – a culpa deve ser nomeada e confessada, deve adotar-se um caminho de arrependimento, de cura”, afirmava em Cracóvia a meados de setembro deste ano o teólogo católico Tomáz Halík. Podemos, à distância, nomear a culpa, as culpas. Podemos e devemos não esquecer. Não como quem requer e exige vingança, mas como quem sabe que não haverá paz sem reconciliação. Contudo, à reconciliação só se chega pela confissão da culpa. E essa só é possível aos atores. Tal como nas suas mãos reside a possibilidade de perdão e de arrependimento.

 

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Reconhecendo que o contexto da Igreja universal “é caracterizado pela descredibilização do clero provocada por diversas crises, pela redução do número de vocações ao sacerdócio ministerial e pela situação sociológica de individualismo e de crescente indiferença perante a questão vocacional”, os representantes do Clero diocesano de Angra (Açores) defendem o incremento da “pastoral vocacional assente na comunidade, sobretudo na família e no testemunho do padre”.

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Este texto do Padre Joaquim Félix corresponde à homilia do Domingo IV da Páscoa na liturgia católica – último dia da semana de oração pelas vocações – proferida nas celebrações eucarísticas das paróquias de Tabuaças (igreja das Cerdeirinhas), Vilar Chão e Eira Vedra (arciprestado de Vieira do Minho).  

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