Peregrinação de maio

Fátima está perto das “dramáticas situações de conflito armado”

| 12 Mai 2024

José Ornelas e Juan José Omella, na conferência de imprensa de apresentação da peregrinação de maio. Foto © Arlindo Homem/Agência Ecclesia.

José Ornelas e Juan José Omella, na conferência de imprensa de apresentação da peregrinação de maio. Foto © Arlindo Homem/Agência Ecclesia.

O bispo de Leiria-Fátima, José Ornelas, disse este domingo que as “dramáticas situações de conflito armado” estão nas preocupações do Santuário de Fátima, na peregrinação internacional de maio. “As dramáticas situações de conflito armado que se encontram no mundo nunca podem estar longe das celebrações e da oração neste Santuário”, disse aos jornalistas, na conferência de imprensa de apresentação das celebrações, citado pela agência Ecclesia.

O responsável católico recordou que os acontecimentos de 1917, na Cova da Iria, aconteceram no contexto da “terrível I Guerra Mundial”. “A guerra, o ódio, os atentados e o desejo de repressão e domínio sobre pessoas e povos está bem no centro da mensagem de Fátima”, assinalou.

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa mostrou-se particularmente preocupado com “a selvagem e dramática situação que se vive na faixa de Gaza e na Ucrânia” e outras crises humanas, como “no Iémen, Sudão, Congo”.

O responsável católico falou também dos migrantes, que “tudo arriscam para encontrar condições de vida e dignidade para si e para as suas famílias”, convidando ao seu acolhimento, integração e “criação de condições para uma vida nova”.

Sínodo “não tem volta atrás”

Sentado a seu lado, o cardeal Juan José Omella, arcebispo de Barcelona, que preside este ano à peregrinação internacional de maio, disse que traz a Fátima as preocupações com o “caminho sinodal”, lançado pelo Papa. “Vim pedir à Virgem Maria, de forma especial, que nos ajude a Igreja a avançar no caminho sinodal, que nos custa a entender e a viver”, referiu aos jornalistas, também citado pela Ecclesia.

O responsável, que integra o Conselho de Cardeais que aconselha Francisco, considerou que a proposta de “união e de comunhão” do Sínodo 2021-2024 “é um bem para a Igreja, é um bem para o mundo e um bem para a humanidade”. “Caminhar juntos num mundo de divisão, de polarização, que a Igreja seja sinal de união e comunhão, é um bem para a Igreja”, insistiu.

Admitindo que “há muita resistência” ao Sínodo, o cardeal Omella sustentou que o caminho iniciado pelo Papa “não tem volta atrás”. “Ninguém o vai parar”, insistiu.

Questionado sobre o futuro deste processo, após a assembleia que vai decorrer em outubro, no Vaticano, D. Juan José Omella sublinhou que Francisco “tem vontade de continuar”.

Crescimento de peregrinos em Fátima

Já o reitor do Santuário de Fátima disse este domingo que a instituição registou um aumento de 26,5% no número de peregrinos que estiveram na Cova da Iria entre janeiro e abril deste ano, face ao mesmo período em 2023.

“É, efetivamente, um crescimento significativo, sobretudo porque estamos a falar dos meses em que a afluência a Fátima é menor”, indicou o padre Carlos Cabecinhas, na mesma conferência de imprensa de apresentação da peregrinação internacional de maio.

O responsável precisou que, nos primeiros quatro meses deste ano, o Santuário de Fátima contabilizou 1.023.680 participantes, nas 3004 celebrações que tiveram lugar na Cova da Iria.

“Significa que tivemos um acréscimo do número de participantes nas nossas celebrações, portanto de peregrinos, de 26,5% face ao mesmo período de 2023”, acrescentou Carlos Cabecinhas.

Evocar jornalistas mortos

Nesta conferência de imprensa, José Ornelas saudou ainda os representantes dos meios de comunicação, no 58.º Dia Mundial das Comunicações Sociais, evocando os que perderam a vida no exercício da profissão. “Lembro particularmente hoje e aqui, os cerca de 100 jornalistas mortos em 2023, 70 dos quais na Faixa de Gaza”, indicou.

“Que a sua coragem ao serviço da justiça e da dignidade maltratadas possam apressar o dia da paz e da reconciliação”, acrescentou. 

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa sublinhou que o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que se celebrou este domingo, é “uma forma de realçar a sua importância, particularmente nestes momentos em que a informação é silenciada, perseguida”.

 

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