“E Jesus, andando junto ao mar da Galileia, viu a dois irmãos,
Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão,
que lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores.
E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.
Então eles, deixando logo as redes, seguiram-no” (Mateus 4:18-20).
O texto do evangelho de Lucas 5:1-11 fala-nos com mais detalhe da convocação de Jesus aos seus discípulos para serem “pescadores de homens”. A pesca é apenas uma metáfora. Alguns aspetos importantes que vale a pena realçar no referido texto:
Uma pequena distância por vezes ajuda
“E, entrando num dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra; e, assentando-se, ensinava do barco a multidão” (versículo 3).
Precisamos de preparação antes de falar a quem quer que seja em nome de Deus: saber partilhar a nossa experiência e ensinar (mostrar) quem Deus é, ou seja, o seu carácter.
Não somos os tontinhos que andam a anunciar nas praças “O fim está próximo!”… Pelo contrário, devemos estar preparados para testemunhar a nossa fé: “Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3:15).
Há tempos para “lavar as redes” e tempos para as lançar ao mar.
“E viu estar dois barcos junto à praia do lago; e os pescadores, havendo descido deles, estavam lavando as redes” (versículo 2). Estamos nós a reconhecer os tempos? As redes servem para pescar, mas redes enleadas, sujas, com detritos, lama e lixo não servem para nada. Redes sujas atraem os ratos, o que representa destruição. A lição a retirar é que, antes de lançar as redes ao mar em busca de peixe, primeiro precisamos de limpar a nossa vida e pôr em ordem a nossa casa.
As redes devem ser lançadas sobre a palavra de Jesus e não sobre a nossa.
“E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sobre a tua palavra, lançarei a rede” (versículo 5). A palavra do homem vale pouco, mas a de Deus vale tudo. Nunca corra atrás dum santo, dum guru ou dum pregador por mais carismático que ele seja, muito menos nos tempos que correm; mas de Jesus, sim.
Quando lançamos as redes da maneira certa (sobre a palavra de Jesus), o nosso testemunho resulta mesmo.
“E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes, e rompia-se-lhes a rede” (versículo 6b). É possível que tenha vindo também peixe que não prestava para comer, mas a escolha é feita depois. Deus é que separa o trigo do joio, e não nós.
As redes cheias podem romper, mas o que importa não são as redes, mas o peixe.
“E, fazendo assim, colheram uma grande quantidade de peixes, e rompia-se-lhes a rede” (versículo 6c). A razão de ser bem-sucedido na pesca evangelística nunca está nas redes. O importante são as pessoas e não os métodos ou as estruturas que utilizamos para a pesca evangelizadora.
Afinal, qual é o verdadeiro trabalho do pescador? Pescar! “Faz-te ao mar alto, e lançai as vossas redes para pescar” (versículo 4b). Chega de ficar em terra. Precisamos de nos dispor a fazer ao mar. Quem fica em terra não pesca nada. Mas quem vai ao mar deve estar pronto para a pesca, lançando as redes com fé.
Se és um cristão, sê uma testemunha de Jesus. Faz-te ao mar!

Domenico Ghirlandaio (1448-94), Jesus chama os apóstolos.
José Brissos-Lino é professor universitário, investigador, coordenador do Instituto de Cristianismo Contemporâneo e director da revista teológica Ad Aeternum.
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