No Festival Política, em Lisboa

“Faz-te Ouvir” quer desmontar o preconceito em relação à comunidade cigana

| 3 Abr 2024

Rizoma, Faz-te ouvir, ciganos

Logotipo do Projecto Faz-te ouvir, da Associação Rizoma, de integração de pessoas ciganas

Desmontar o preconceito que se verifica na sociedade portuguesa em relação à comunidade cigana é o grande objetivo do projeto “Faz-te ouvir”, que será apresentado nesta quinta-feira, 4 de abril, durante o Festival Política, que decorre em Lisboa. A iniciativa pretende dar a conhecer, através de entrevistas em vídeo a pessoas da comunidade cigana integradas na sociedade, um conjunto de histórias de sucesso de pessoas roma que marcam o meio social onde se integram.

“Entrevistámos pessoas que vão desde feirantes a advogados”, explica ao 7MARGENS Vanessa Lopes, presidente da associação Rizoma, que luta pela plena integração social das pessoas de etnia cigana, ou roma.

“Existe efetivamente uma falha de integração”, salienta a responsável. Por isso, “nada melhor do que mostrar pessoas reais que têm as suas vidas, os seus empregos e a sua dinâmica familiar”, para desmontar ideias acerca da comunidade que não correspondem à verdade. Ou seja, o projeto pretende trazer algo de “positivo”, “bom” e “inspirador” para a sociedade.

A presidente da Rizoma denuncia, também, a ausência e má qualidade de conteúdo produzido sobre esta população em Portugal por parte dos órgãos de comunicação social. Por isso, o “Faz-te ouvir” pretende ocupar esse espaço vazio e chegar a toda a sociedade, de uma forma positiva, divertida e alegre, afirma.

O trailer do projeto será lançado no Festival Política, durante um painel que começa às 18h, e que irá debater a integração da comunidade cigana em Portugal. Na discussão, intervêm duas investigadoras que fizeram já trabalho sobre a população cigana: Manuela Mendes, professora na Universidade de Lisboa e no ISCTE; e Joana Lages, arquiteta. Participam ainda, no debate que será moderado por Vanessa Lopes, outros dois intervenientes de etnia cigana: o ex-secretário de Estado da Administração Local e do Ordenamento de Território, Carlos Miguel, um dos entrevistados no “Faz-te ouvir” e Maria João, licenciada em Antropologia pelo ISCTE e mestre em Antropologia Forense pela Universidade de Coimbra. O debate ficará depois disponível online.

 

Dificuldades dos dois lados

Vanessa Lopes, da Associação Rizoma, a entrevistar o secrº Estado Ordenamento Território (2022-24), Carlos Miguel para o projecto faz-te Ouvir, da Rizoma, de integração de pessoas ciganas. Foto: Direitos reservados.

No que respeita ao nível de integração da sua comunidade na sociedade portuguesa, a presidente da Rizoma é de opinião que ainda há muito trabalho a fazer e que esse deve ser “um trabalho de equipa”. Neste sentido, de um lado, está o conjunto da sociedade, que tende a rejeitar as pessoas desta etnia. Do outro, a própria comunidade, que também se coloca à defesa, perante aquela atitude. A integração revela-se, assim, muito mais complexa. De qualquer modo, “o trabalho que tem sido feito por vários mediadores culturais e pessoas dentro da comunidade é já muito positivo”.

“Se realmente quisermos, nós conseguimos integrar-nos. Precisamos apenas de ferramentas”, sublinha. Não deixa de acrescentar que as mentalidades dentro da comunidade estão a mudar, por exemplo, no campo da educação. Atualmente, há muito mais pessoas ciganas a prosseguir os seus estudos, o que, destaca, é muito positivo. “Isso ainda é difícil para as pessoas mais velhas, porque olham para os estudos como não sendo importantes. Eu falo pelos meus pais. Perguntavam-me: porque é que estás a tirar uma licenciatura se ninguém te vai dar trabalho? Portanto, não olham para isso como sendo uma prioridade devido a esses obstáculos que a sociedade lhes impunha.”

Questionada sobre como olha para o discurso preconceituoso e, nalguns casos, de ódio que se verifica na sociedade, Vanessa Lopes refere que o facto de haver espaço parlamentar que faz um discurso em relação a esta comunidade aumenta a ideia negativa que já existe em vários setores da opinião pública. “Claro que não podemos negar problemas que existem dentro da comunidade e fazemos questão, inclusive, de os trabalhar; mas esse discurso populista veio, sem dúvida, fomentar ainda mais o racismo e a discriminação para com a comunidade cigana.”

Para evitar a propagação dessa mentalidade, a dirigente da Rizoma reconhece grandes dificuldades: “Controlar o discurso de ódio é difícil se quem está no poder não o faz, ou seja, se em lugares de destaque há espaço” para que esse tipo de discurso se verifique; muito dificilmente se conseguirá, acrescenta, conter o alargamento dessa mentalidade em todos os setores da população. “Da nossa parte, devemos continuar a fazer o trabalho que já fazemos, quebrando esses estereótipos, levando temas para o debate e mostrando que há algo diferente daquilo que é dito e exposto na [maior parte da] comunicação social e nas redes online”.

O Festival Política é uma iniciativa da Associação Isonomia, uma organização não-governamental que tem como objetivo promover a participação cívica, a defesa dos direitos humanos e o combate à abstenção. A programação do festival inclui debates, performances, concertos, oficinas para adultos e crianças, exposições, cinema e visitas guiadas que pretendem promover a literacia democrática e que foram selecionados tendo em conta os eixos programáticos e o tema de cada edição, que este ano é dedicado à “intervenção”.

 

Patriarca de Lisboa convida “todos” para “momento raro” na Igreja

A um mês da ordenação de dois bispos

Patriarca de Lisboa convida “todos” para “momento raro” na Igreja novidade

O patriarca de Lisboa, Rui Valério, escreveu uma carta a convocar “todos – sacerdotes, diáconos, religiosos, religiosas e fiéis leigos” da diocese para estarem presentes naquele que será o “momento raro da ordenação episcopal de dois presbíteros”. A ordenação dos novos bispos auxiliares de Lisboa, Nuno Isidro e Alexandre Palma, está marcada para o próximo dia 21 de julho, às 16 horas, na Igreja de Santa Maria de Belém (Mosteiro dos Jerónimos).

“Sempre pensei envelhecer como queria viver”

Modos de envelhecer (19)

“Sempre pensei envelhecer como queria viver” novidade

O 7MARGENS iniciou a publicação de depoimentos de idosos recolhidos por José Pires, psicólogo e sócio fundador da Cooperativa de Solidariedade Social “Os Amigos de Sempre”. Publicamos hoje o décimo nono depoimento do total de vinte e cinco. Informamos que tanto o nome das pessoas como as fotografias que os ilustram são da inteira responsabilidade do 7MARGENS.

Apoie o 7MARGENS e desconte o seu donativo no IRS ou no IRC

Sínodo, agora, é em Roma… que aqui já acabou

Sínodo, agora, é em Roma… que aqui já acabou novidade

Em que vai, afinal, desembocar o esforço reformador do atual Papa, sobretudo com o processo sinodal que lançou em 2021? Que se pode esperar daquela que já foi considerada a maior auscultação de pessoas alguma vez feita à escala do planeta? – A reflexão de Manuel Pinto, para ler no À Margem desta semana

Nada se perde: um antigo colégio dos Salesianos é o novo centro de acolhimento do Serviço Jesuíta aos Refugiados

Inaugurado em Vendas Novas

Nada se perde: um antigo colégio dos Salesianos é o novo centro de acolhimento do Serviço Jesuíta aos Refugiados novidade

O apelo foi feito pelo Papa Francisco: utilizar os espaços da Igreja Católica devolutos ou sem uso para respostas humanitárias. Os Salesianos e os Jesuítas em Portugal aceitaram o desafio e, do antigo colégio de uns, nasceu o novo centro de acolhimento de emergência para refugiados de outros. Fica em Vendas Novas, tem capacidade para 120 pessoas, e promete ser amigo das famílias, do ambiente, e da comunidade em que se insere.

Bispos católicos de França apelam à fraternidade e justiça, mas não se demarcam da extrema-direita

Com as eleições no horizonte

Bispos católicos de França apelam à fraternidade e justiça, mas não se demarcam da extrema-direita novidade

O conselho permanente dos bispos da Igreja Católica de França considera, num comunicado divulgado esta quinta-feira, 20 de junho, que o resultado das recentes eleições europeias, que deram a vitória à extrema-direita, “é mais um sintoma de uma sociedade ansiosa, dividida e em sofrimento”. Neste contexto, e em vésperas dos atos eleitorais para a Assembleia Nacional, apresentaram uma oração que deverá ser rezada por todas as comunidades nestes próximos dias.

Agenda

Fale connosco

Autores

 

Pin It on Pinterest

Share This