Fé e ciência: duas asas para um mesmo voo

| 6 Dez 2020

“Será a crença uma busca irracional e, portanto, arredada do progresso científico e das mais importantes descobertas do espírito humano?” Foto: Conceito artístico, a partir de dados da Sonda Wilkinson de Anisotropia de Micro-ondas (WMAP), do nascimento das primeiras estrelas do Universo. NASA / WMAP Science Team /Wikimedia Commons

 

No pensamento e no olhar que temos acerca do mundo importa superar alguns monolinguismos. A visão que se produz a partir de uma única ótica pode tornar-se verdadeiramente redutora e empobrecedora do espírito humano, chegando mesmo a limitar o nosso horizonte de conhecimento. Muitos desses monolinguismos tendem a alimentar narrativas conflituais ou mesmo antagónicas – como sejam, a título de exemplo, fé vs. razão; religião vs. ciência; transcendência vs. imanência.

Partindo de uma destas narrativas, desafiei os alunos para este debate: na busca de resposta para as mais profundas interrogações do ser humano estarão a religião e a ciência em campos opostos? Será a crença uma busca irracional e, portanto, arredada do progresso científico e das mais importantes descobertas do espírito humano?

Na origem deste debate, quase sempre presumimos a existência de um “ou” na equação, descartando a possibilidade de uma verdade com múltiplas abordagens e diversos ângulos de uma mesma racionalidade. Contudo, é a essência da pergunta que orienta o ser humano na busca da natureza da resposta, para a qual o próprio espírito humano dispõe de diversas mediações suscetíveis de conferir solidez às suas buscas.

Deste modo se compreende que o “como?” e o “quando?” são questões que suscitam uma explicação científica, mas convivem lado a lado com um “porquê?” e um “para quê?” (interrogações que brotam da busca de sentido), que requerem explicações extra científicas. Assim, o monolinguismo afigura-se como bloqueio, já que propõe um único caminho de leitura e interpretação da realidade.

Em contexto escolar, ajudar a superar monolinguismos permite abrir caminhos para a arte do diálogo. Um diálogo que permite o reconhecimento de que somos seres enriquecidos por uma pluralidade de saberes, complementares e interdependentes. Um diálogo que se inicia, antes de mais, pela substituição do “ou” pelo “e”, porque a cada saber corresponde a sua própria racionalidade.

“Em contexto escolar, ajudar a superar monolinguismos permite abrir caminhos para a arte do diálogo”. Foto © Dina Pinto

Foi assim que, no passado dia 19 de novembro, durante aproximadamente 90 minutos, num diálogo conduzido por um brilhante investigador em história da ciência na Universidade John Hopkins, os alunos realizaram uma verdadeira viagem através da história, tendo comprovado como génios da ciência se revelaram profundamente crentes e como importantes teorias científicas foram propostas por pessoas profundamente religiosas (nomeadamente o caso do padre Georges Lemaître e a Teoria do Big Bang).

A partir de algumas dúvidas colocadas pelos próprios alunos, foram ainda ilustrados alguns casos paradigmáticos, despertando um olhar mais atento entre aquilo que é símbolo, mito e realidade.

E porque ambos os domínios da atividade humana se complementam e se equilibram mutuamente, poder-se-ia usar as metáforas dos remos e das asas. A busca humana vai mais além e voará mais alto se ambos os remos estiverem suficientemente equilibrados e ambas as asas estiverem suficientemente desenvolvidas. Caso contrário, navegará sobre si mesma, sem rumo ou direção e nunca conseguirá voar.

 

Dina Pinto é professora de Educação Moral e Religiosa Católica no Agrupamento de Escolas Abade de Baçal, de Bragança.

 

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Breves

 

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