Este fim de semana, em Roma

Felizes os meninos de mais de 100 países – incluindo Portugal – que participam na Jornada Mundial das Crianças

| 24 Mai 2024

Papa com crianças. Foto Vatican media

Irão participar no encontro com o Papa crianças oriundas de mais de cem países. Foto © Vatican media

Foi há pouco mais de cinco meses que, para surpresa de todos, o Papa anunciou a realização da I Jornada Mundial das Crianças. E talvez nem ele imaginasse que, neste curto espaço de tempo, tantos grupos e famílias conseguissem mobilizar-se para participar na iniciativa, que decorre já este fim de semana de 25 e 26 de maio, em Roma. Do coro Unicef de uma escola em Siracusa a um grupo de pequenos bailarinos vindos de Cabo Verde, passando por uma delegação de crianças de Belém, Jerusalém, e até de Gaza – que nas últimas semanas chegaram a Itália para serem tratadas em vários hospitais pediátricos – há participantes de mais de cem países (incluindo de Portugal). O que os une? Uma felicidade e entusiasmo imensos por estarem prestes a encontrar-se uns com os outros e com Francisco, “o amigo especial de Jesus”.

Entre as mais de cem mil crianças inscritas, há também algumas que nunca foram à escola, porque nasceram num campo de refugiados, no Uganda, no Quénia, no Líbano ou na Etiópia. Muitas entraram em Itália através de corredores humanitários, vindas de países como a República Democrática do Congo, Afeganistão ou a Síria. E marcarão presença inúmeras meninas e meninos ucranianos que foram acolhidos por famílias da Comunidade de Santo Egídio ou de diversas paróquias italianas, desde o início da invasão russa.

 

Portugueses ficaram com “o bichinho da JMJ”

Coro da paróquia de Abraveses, que vai participar na I Jornada Mundial das Crianças, em Roma. Foto DR

Algumas das crianças da paróquia de Abraveses, Viseu, que vão participar na I Jornada Mundial das Crianças, em Roma. Foto: Direitos reservados

De Portugal, viajaram pelo menos dois grupos. O maior, constituído por 48 elementos, partiu da paróquia de Abraveses, na diocese de Viseu. Dele fazem parte crianças e jovens dos cinco aos 17 anos, alguns pais, e também elementos do Secretariado Diocesano da Educação Cristã (SDEC) da diocese. O bispo, António Luciano, esteve esta semana a participar na visita ad limina e permanecerá em Roma para acompanhar o grupo durante a Jornada.

“Foram os próprios pais, mais concretamente um grupo de mães, que viu a notícia da convocação do Papa Francisco sobre a realização da primeira edição da Jornada Mundial das Crianças e que manifestou vontade em ir. Como estas crianças não puderam participar na JMJ, ficaram com aquele ‘bichinho’. E com a ajuda do SDEC e da paróquia de Abraveses conseguimos organizar esta viagem”, explica Abel Dias, responsável pelo SDEC.

O também professor de Educação Moral e Religiosa Católica partilha que as expetativas “são muitas”, até porque se trata da primeira Jornada. “Acreditamos que vai ter um impacto enorme nestas crianças, não só pelo contacto com o Papa, como pelo lema da própria Jornada – ‘Faço Novas todas as Coisas’ – que nos leva a sentir que existe o desejo de renovação da Igreja, no que diz respeito à catequese, com o acompanhamento destas crianças, num momento da vida fundamental para o processo de adesão à fé”, refere.

Um segundo grupo, um pouco mais pequeno, partiu da diocese de Setúbal. Composto por quatro famílias da Comunidade Canção Nova, chegou a Roma na manhã desta sexta-feira. A iniciativa, essa, partiu das próprias crianças. “Os nossos filhos estiveram envolvidos em atividades nas paróquias durante a JMJ e experimentaram muito esta faceta da Igreja em saída, da dinâmica do serviço e de que a Igreja é para todos, tal como o papa Francisco tanto fala… Quando souberam da organização das primeiras Jornadas para as crianças disseram que gostariam imenso de participar”, conta ao 7MARGENS Henrique Medeiros Silva, pai de dois dos participantes. “E nós percebemos a importância para os nossos filhos de participar e pusemos os talentos ao serviço: uns organizaram mais a viagem em si, outros a parte logística, outros a parte do programa em Roma…”, explica.

Famílias Canção Nova na Jornada Mundial da Criança, em Roma. Foto Ecclesia

As quatro famílias da Comunidade Canção Nova, que chegaram a Roma na manhã desta sexta-feira. Foto © Ecclesia

 

A importância de tornar as crianças presentes

Para os filhos de Henrique, esta foi a primeira vez que saíram de Portugal e viajaram de avião, o que já está a tornar a experiência inesquecível. E ele acredita que os próximos dois dias serão ainda mais especiais. “De repente, viajar de avião para um encontro com crianças de todo o mundo que partilham o mesmo amor por Jesus na sua Igreja é uma coisa que não tem dimensão, ainda por cima a primeira vez que acontece: é estar na História da Igreja como alguém que participou nas primeiras Jornadas Mundiais das Crianças!”, sublinha.

Henrique confessa-se “expectante” em relação aos “desafios que o Papa Francisco vai colocar às crianças”, mas também à mensagem que terá para todos os educadores. “Porque também é um grande desafio nos tempos que correm, para nós, enquanto pais, que queremos que os nosso filhos cresçam a amar e servir Jesus na sua Igreja, com tudo aquilo que o mundo tem de solicitação”, assinala.

O mais importante, defende, é que esta iniciativa do Papa “torna as crianças presentes”.  E lembra: “A novidade de Deus também passa por empenharmos as crianças desde o início, desde pequeninos eles perceberem que fazem parte, que podem contribuir, que também constroem, que têm uma participação ativa”.

Foi por pensar como Henrique que Cecília Vaz Pinto, avó do pequeno Nuno (com apenas dois anos) e da Francisca (de quatro anos), decidiu levá-los também a este encontro em Roma. “Desde o anúncio do Papa a 8 de dezembro, de reunir em Roma as crianças nas primeiras jornadas dedicadas a elas, que surgiu a vontade de acompanhar este momento. Grata por ser avó de duas crianças, embora ainda pequenas, seria a oportunidade para criar memórias em família de um acontecimento único com o Papa”, conta ao 7MARGENS. “Assim, desde logo procurámos saber de algum eco deste anúncio em Portugal, nomeadamente pela Pastoral da Família no Patriarcado de Lisboa”, continua. Como não obtiveram resposta, e aparentemente não havia nenhum grupo a organizar-se para participar, fizeram a inscrição da sua família (avó, crianças e pais) diretamente no sítio online da iniciativa.

“O facto de termos tão presente a JMJ foi um fator motivador para querermos estar nestas jornadas dedicadas às crianças, e com um valor simbólico acrescido de serem as primeiras”, justifica Cecília. Terem percebido que a organização estava a pedir “donativos para que todas as crianças pudessem participar nas Jornadas” foi também “muito importante”, acrescenta. E a avó está tão feliz quanto os netos: “Ele veio muito entusiasmado com a viagem de avião, ela muito na expetativa do que será o encontro com o Papa Francisco, esse amigo especial de Jesus!”.

Francisca e Nuno, netos de Cecília Vaz Pinto, em Roma. Foto DR

Francisca, de quatro anos, e Nuno, com apenas dois, já em Roma, á espera do grande encontro. Foto: Direitos reservados

Tudo a postos e uma mensagem especial para o Papa

Na “Aldeia das Crianças”, instalada em frente ao Estádio Olímpico, já está tudo a postos para recebê-los este sábado. Entre os anfitriões, estarão Antonia Acutis, mãe do beato Carlo Acutis, que em breve deverá tornar-se o primeiro “santo millenial”, Marco Rodari, palhaço que tem levado sorrisos às crianças em cenários de guerra, Morteza Khaleghi, artista e ativista refugiado afegão, ou Pasquale Guércia, mágico. Não faltarão testemunhos, música, dança… e claro, o tão esperado encontro com o Papa Francisco, este já na Praça de São Pedro, no domingo de manhã.

Unidos a estas crianças e ao Papa estarão muitos milhares de crianças por todo o mundo. Em Portugal, apesar de nenhuma diocese ter organizado a sua própria Jornada, algumas comunidades prepararam “pequenas réplicas” do encontro em Roma. É o caso da paróquia da Ericeira, no Patriarcado de Lisboa, que convidou todas as crianças para uma tarde de atividades ao ar livre este sábado, 25 de maio, com lanche partilhado e missa campal no final.

Outras crianças, não podendo estar presentes em Roma, fizeram questão de enviar o seu agradecimento ao Papa por nunca se esquecer delas. Foi o caso das meninas e meninos da paróquia latina da Sagrada Família em Gaza. “Também gostaríamos, de alguma forma, de fazer parte desse encontro, enviando uma saudação ao Santo Padre e a todas as crianças que estarão presentes”, disse o pároco Gabriel Romanelli. As crianças, com a ajuda das Irmãs Missionárias do Verbo Encarnado, pintaram uma grande faixa que diz, em italiano e em árabe: “Obrigado Papa Francisco por estares sempre connosco!”. “Todas as noites – confirma o pároco –, o Santo Padre liga para a paróquia para falar connosco, para saber como estamos. Uma das recomendações que ele nos faz sempre é que cuidemos das nossas crianças”.

Crianças da paróquia católica de Gaza agradecem ao Papa a sua proximidade. Imagem reproduzida a partir de vídeo da agência SIR

As crianças da paróquia católica de Gaza e o padre Romanelli agradecem ao Papa a sua proximidade. Imagem reproduzida a partir do vídeo da agência SIR

 

Uma tarde para aprender a “estar neste mundo como num grande templo”

Na Casa de Oração Santa Rafaela Maria

Uma tarde para aprender a “estar neste mundo como num grande templo” novidade

Estamos neste mundo, não há dúvida. Mas como nos relacionamos com ele? E qual o nosso papel nele? “Estou neste mundo como num grande templo”, disse Santa Rafaela Maria, fundadora das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, em 1905. A frase continua a inspirar as religiosas da congregação e, neste ano em que assinalam o centenário da sua morte, “a mensagem não podia ser mais atual”, garante a irmã Irene Guia ao 7MARGENS. Por isso, foi escolhida para servir de mote a uma tarde de reflexão para a qual todos estão convidados. Será este sábado, às 15 horas, na Casa de Oração Santa Rafaela Maria, em Palmela, e as inscrições ainda estão abertas.

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Patriarca de Lisboa convida “todos” para “momento raro” na Igreja

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