“Feminista e sem medo” é nova directora do “Donne Chiesa Mondo”

O suplemento Donne Chiesa Mondo continuará a ser publicado regularmente. Foto: Direitos Reservados
A jornalista Rita Pinci, que trabalhava para a rede de televisão católica TV2000 e esteve 20 anos no Il Messaggero, será a nova directora do suplemento Donne Chiesa Mondo(DCM), que significa “Mulheres Igreja Mundo”, publicado mensalmente com o jornal oficial do Vaticano, L’Osservatore Romano (L’OR). A decisão foi anunciada nesta terça-feira, 30 de Abril, pelo próprio director do jornal, Andrea Monda, que confirmou também os nomes que integram a nova equipa de redacção do DCM.
A publicação é editada também noutras línguas, entre as quais o espanhol, com o formato de revista destacável do semanário Vida Nueva. O anúncio surge pouco mais de um mês depois da demissão de Lucetta Scaraffia e da equipa da revista.
Scaraffia era responsável da publicação desde a sua fundação, em 2012, ainda no pontificado de Bento XVI e com o anterior director do L’OR., Giovanni Maria Vian. Em 26 de Março, quando se demitiu, Scaraffia argumentou com a falta de apoio do actual director e com a sua alegada vontade de interferência na linha editorial do suplemento.
Agora, Monda confirmou o que ele próprio anunciara em reacção à demissão de Scaraffia, no sentido da continuidade do suplemento. E comunicou a escolha de Rita Pinci para o cargo de directora do DCM, anunciou que a publicará sairá regularmente no mês de Maio – ou seja, já nesta quinta-feira, dia 2, uma vez que é editado sempre na primeira quinta-feira de cada mês.
Licenciada em Sociologia, Rita Pinci é apresentada, no Vatican Insider (sítio do La Stampadedicado à informação sobre o Vaticano), como “feminista sem medo das manifestações, muito activa desde sempre”. Foi a primeira mulher a exercer os cargos de chefe de redacção e vice-directora de um jornal italiano de dimensão nacional, além de ter dirigido outras publicações e ter trabalhado em vários meios de comunicação.
“Estou feliz com este trabalho, é algo que não esperava e ao princíoio surpreendi-me com a proposta do director do L’OR”, disse Pinci, que se define como “jornalista e crente”, numa declaração divulgada pelo jornal do Vaticano. Monda, assegura Pinci, garantiu “total liberdade” à nova equipa e a directora crê que “a Igreja necessita do olhar e da voz das mulheres, que representam mais de metade dos fiéis”. Pinci acrescenta que leu DCM sempre com muito interesse e considera esta “uma grande oportunidade” humana e profissional.
Andrea Monda, director do L’ORdesde Dezembro, anunciou os restantes nomes do comité de direcção (uma espécie de conselho editorial): Francesca Bugliani Knox, Elena Buia Rutt, Yvonne Dohna Schlobitten, Chiara Giaccardi, Shahrzad, Houshmand Zadeh (professora de Estudos Islâmicos), Amy-Jill Levine (que se define como “feminista judia yankee”), Marta Rodríguez Díaz, Giorgia Salatiello, Carola Susani. Uma equipa “internacional, inter-religiosa e de notável prestígio”, define o Vatican Insider, que resume também o currículo de cada uma.
A redacção será composta por outras quatro mulheres, todas elas jornalistas do L’OR: Giulia Galeotti, Silvia Guidi (da secção de Cultura), Valeria Pendenza e Silvina Pérez (responsável da edição espanhola do jornal).
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