A edição de 2026 do Festival Internacional de Órgão de Braga (FIOB), que abre já em 7 de fevereiro, e que tem acesso livre, leva àquela cidade nomes grandes na arte de tocar aquele que é conhecido como o “rei dos instrumentos musicais”. Ainda que apresente um período de maior concentração de concertos na primavera, o Festival surge este ano com algumas novidades, entre as quais o facto de decorrer ao longo de quase todo o ano.
Na apresentação do programa, que ocorreu esta terça-feira, 27 de janeiro, no Coro Alto da Igreja de Santa Cruz, precisamente à volta de um órgão de tubos, o novo diretor artístico do certame, o professor e organista André Bandeira, afirmou como caraterísticas do “novo paradigma” do FIOB a preocupação em desenvolver o diálogo entre o órgão e outras expressões artísticas como a literatura, a pintura, a arquitetura e a escultura.
De resto, sublinhou André Bandeira, com o programa preparado pretende-se “transformar o Festival num verdadeiro espaço de encontro com a cidade”, incluindo grupos culturais, escolas, universidades e associações, e “investir de forma consistente na dimensão pedagógica e na formação de novos públicos”.
Para já, são várias as entidades que cooperam com a arquidiocese na concretização dos 35 eventos e atividades que compõem o programa – a Câmara Municipal da cidade, o Cabido da Sé e as irmandades da Misericórdia e de Santa Cruz.

O novo diretor artístico do certame, André Bandeira, afirmou como caraterísticas do “novo paradigma” do FIOB a preocupação em desenvolver o diálogo entre o órgão e outras expressões artísticas como a literatura, a pintura, a arquitetura e a escultura. Foto © Município de Braga
No núcleo central do festival, que decorrerá na primavera, entre 17 de abril e 2 de maio, destacam concertos com a participação de organistas como João Vaz e Filipe Veríssimo, e, no plano internacional, Arturo Barba (de Espanha), Benjamim Righetti (da Suiça) e, sobretudo, Thomas Ospital, professor do Conservatório Superior de Paris. Destacam-se ainda as atuações do agrupamento vocal Misericordiae Ensemble e o agrupamento instrumental Bonne Corde.
Um concerto especial, intitulado Lux Aeterna, realiza-se a 21 de abril, na Igreja dos Congregados, em memória do Papa Francisco, no primeiro aniversário da sua morte.
O primeiro evento do FIOB decorre no sábado, 7 de fevereiro, a partir das 21h30, na Igreja de S. Paulo (no Largo do mesmo nome), da responsabilidade do Seminário Conciliar. Serão apresentados dois livros do padre, poeta e professor Joaquim Félix de Carvalho – Teorbas dos Tempos e Teorbas Brancas -, cabendo a apresentação ao professor e músico Alfredo Teixeira. Na sessão atuará o Ensemble S. Tomás de Aquino, dirigido por Alfredo Teixeira.
Refira-se, por fim, que o programa do FIOB não é uma mera sucessão de eventos musicais e artísticos. Por detrás dele está uma estrutura desdobrada em quatro vertentes: Órgão em movimento (sessões em que existe um diálogo com outras formas de expressão artística ou parcerias com grandes eventos da cidade como a Braga Romana, o Festival Literário Utopia, a Braga Barroca); Entre registos e palavras (ciclo de dez concertos comentados e em registo de proximidade, em que se fará uma viagem pela música de órgão europeia, do século XVI ao século XIX; Ars magna organística (o já referido núcleo central do Festival, com oito concertos); e Minutos de órgão (10 recitais, com cerca de 25 minutos, ao domingo à tarde, em igrejas do centro histórico, forma de valorizar o património, criar hábitos de escuta e dar a conhecer jovens organistas da região Norte).










