Está de regresso, já a partir desta sexta-feira, 19 de julho, o evento que celebra a cooperação transfronteiriça e a herança cultural de duas nações: Portugal e Espanha. Com um programa “intenso e eclético”, que inclui música, dança, gastronomia e outras atividades, o Festival D’ONOR chega à sexta edição e estende-se, pela primeira vez, às duas aldeias.

O Festival D’ONOR tem lugar neste fim de semana em Rio de Onor, uma aldeia raiana do concelho de Bragança. Foto: Direitos reservados
Rio de Onor. Trata-se da mítica aldeia raiana no concelho de Bragança, que afinal são duas: de um lado, Rio de Onor (Portugal), do outro, Rihonor de Castilla (Espanha). “As duas aldeias, embora sejam de países diferentes, são contíguas. Não se sabe bem onde começa uma e acaba a outra. Sabe-se que há uma fronteira, mas as pessoas falam apenas do povo de cima e do povo de baixo”, conta ao 7MONTES David Vaz, diretor do Festival D’ONOR.
Criado em 2017 com o compromisso de “preservar, valorizar e promover a difusão da cultura popular de Trás-os-Montes”, nomeadamente a “identidade etnográfica e tão própria da comunidade da aldeia de Rio de Onor”, o festival “tem crescido de ano para ano”. Hoje, “tem uma dimensão internacional”. “É um festival que acontece em dois países num lugar muito particular. Surge por motivos culturais e para preservar a identidade das duas aldeias”, acrescenta.
A música tradicional e de identidade é parte do conceito do festival, mas com um traço contemporâneo, “para abranger diferentes públicos”. “É um festival diferente que se baseia na cultura e nas tradições locais, que não pretende recriá-las, mas criá-las”, adianta David Vaz, que anuncia o cabeça de cartaz desta edição: o Stereossauro, produtor e DJ que cria música eletrónica a partir de fado, e que será acompanhado por Ana Magalhães.

Música tradicional e de identidade é parte essencial do programa. Foto: Direitos reservados
Ao longo de três dias, as duas aldeias, que coabitam num espaço comum, vão ser palcos de pequenos eventos como o Baile do Gaiteiro, uma sessão improvisada com músicos profissionais e amadores; a Ronda Cultural e das Adegas, que percorre as diferentes ruas das aldeias, acompanhada por grupos musicais dos dois países; Música no Rio, que acontece nas margens do rio, junto à Ponte Antiga de Rio de Onor, onde haverá sons para sentir a vida na aldeia; ou as Cantigas D’Onor, uma residência artística feita por músicos brigantinos que celebra as canções tradicionais e as histórias da região.
Além disso, haverá um Espaço Memória, exposição que celebra a história e a cultura das aldeias, o Mercadinho Tradicional, que acontece na Rua da Igreja, com produtos de artesanato e iguarias da região, campismo grátis e tasquinhas. Mas para quem preferir uma refeição completa (e de prato cheio), sentado à mesa como num bom “restaurante”, pode fazê-lo na Casa do Povo de Rio de Onor.
De referir que, em parceria com a empresa Resíduos do Nordeste, o Festival D’ONOR preparou uma série de medidas para cumprir o seu propósito de sustentabilidade ambiental. Além das medidas praticadas em outros anos, nesta edição o Festival concretizará ações no âmbito dos resíduos produzidos (nomeadamente na sua separação e estudo, de modo a otimizar a gestão futura). Haverá, também, lugar à compostagem da matéria orgânica originária do Festival, sendo que, para o efeito, será utilizada a “faceira (horta) comunitária” da aldeia.
O festival é dinamizado pela Montes de Festa – Associação, uma organização sem fins lucrativos formada em 2016 por jovens brigantinos, sediada em Rio de Onor, com uma forte ligação ao meio rural e às tradições locais, nomeadamente à cultura.
A entrada para o Festival D’ONOR, que decorre de 19 a 21 de julho, é gratuita e livre. Para mais informações consulte o programa completo.










