O filme sul-coreano Nun Dul Dega Eomne (Nowhere to Lay My Eyes), realizado por Hong Sangsoo, recebeu o prémio do Júri Ecuménico na 79.ª edição do Festival de Cinema de Locarno, na Suíça, que decorreu entre 5 e 15 de agosto.
A distinção, no valor de 10 mil francos suíços, é atribuída pelo Júri Ecuménico nomeado pela INTERFILM (rede internacional para o diálogo entre a Igreja e o Cinema) e SIGNIS (Associação Católica Mundial para a Comunicação) e oferecida pela Igreja Católica e pela Igreja Reformada na Suíça.
O filme acompanha Sanghee, uma mulher que visita a mãe pela primeira vez em dez anos. Acompanhada pelo irmão, viaja até Jeju, no sul da Coreia do Sul, onde a mãe gere um restaurante de sucesso.
Durante a estadia, Sanghee reencontra também o padrasto, que está a realizar um filme sobre uma “sepultura de erva”, e a filha deste, que se dedica à pintura. Entre os vários membros da família trocam-se notícias, conselhos não solicitados e elogios pouco sinceros. Na manhã da partida, os familiares assistem a um filme realizado pela própria Sanghee.
Para o Júri Ecuménico, a longa-metragem distingue-se pela sua “extraordinária profundidade humana”. “Em que nos concentramos nas nossas vidas? Vemos o que é óbvio ou o que é invisível? Como contamos uma história de verdade?”, questiona o júri na declaração que acompanha o prémio.
Nun Dul Dega Eomne (que em português poderia ser traduzido como “Sem lugar onde pousar os meus olhos”) conduz o espectador, segundo o júri, numa breve viagem a um reencontro familiar onde “expectativas e relações podem ser reavivadas”. Os diálogos, descritos como “pérolas preciosas” de temas universais e existenciais, proporcionam uma reflexão intensa sobre a criatividade e a arte.

O júri ecuménico na cerimónia de entrega do prémio, com o vencedor Hong Sangsoo (segundo da direita). Foto © Linde Fröhlich/INTERFILM
A declaração do Júri Ecuménico destaca ainda a capacidade do filme para encontrar uma dimensão humana profunda naquilo que é aparentemente superficial. Com “grande empatia e humor subtil”, a obra explora “a alienação e a dificuldade de nos vermos verdadeiramente uns aos outros e de nos aceitarmos mutuamente”.
A obra de Hong Sangsoo foi ainda distinguida no festival com os prémios de Melhor Realizador e Melhor Atriz Principal, este último atribuído a Kim Minhee.
O principal prémio do festival, o Leopardo de Ouro, foi entregue a Nu e locul tau aici (You Don’t Belong Here), do realizador romeno Florin Șerban. O prémio da crítica cinematográfica internacional (FIPRESCI) distinguiu Lejos de los árboles (Far From the Trees), uma coprodução de Espanha, Peru e Itália.










