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“Finalmente encontrei um cristão de verdade!”

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“Desengane-se quem pensar que há categorias no que se refere a cristãos; ou seja, não há cristãos de primeira nem tão pouco de segunda categoria. Ou se é ou não se é.”  Foto © Gerd Altmann/Pixabay.

 

Certo dia, um missionário evangélico que ainda hoje trabalha entre muçulmanos, partilhava comigo e mais algumas pessoas algo que marcou profundamente a sua vida. Abreviando a história, ele contava que uma mulher muçulmana e uma outra cristã travaram conversa e a partir dali iniciou-se um caminho que culminou numa grande amizade. Gradualmente a confiança e a admiração entre as mulheres foi crescendo, e o amor sincero foi destruindo todas e quaisquer barreiras que se entrepunham entre ambas. Em determinado momento a mulher muçulmana ao telefone com a sua mãe e junto da sua nova amiga cristã, disse: “Mãe, finalmente encontrei um cristão de verdade”.

Que história esta que nos faz pensar sobre o tipo de cristianismo que vivemos e o tipo de cristãos que nós somos!

Infelizmente algumas palavras vão perdendo o seu real valor e original significado; como esta: “cristão”. Sobre isto mesmo, C. S. Lewis, no seu livro Cristianismo Puro e Simples, escreveu: “A palavra cristão terá sido despojada de qualquer propósito realmente útil a que pudesse ter servido. Deveríamos, portanto, ser fiéis ao sentido original, mais óbvio.”

Assim sendo, tendo em atenção a origem desta palavra que é empregue pela primeira vez em Antioquia (Atos dos Apóstolos, 11:26) para designar aqueles que viviam como Jesus Cristo, que O imitavam, que aceitavam a Sua doutrina, que O amavam, enfim, eram Seus discípulos, difere e muito de como agora se usa e se classifica alguém como cristão.

Deste modo e respeitando o real significado da palavra em causa, não se é cristão por hereditariedade. Muitas pessoas, só porque seus antepassados o eram, assumem que também o são; no entanto, as suas vidas não se coadunam com os ensinamentos de Jesus Cristo.

Não se é cristão porque se pratica a religião cristã, ou pela simples razão de ir à igreja, ou porque se pratica boas obras.

Não se é cristão porque se conhece bem a Bíblia, faz-se beneficência ou até se dá a vida em nome de Deus.

Tudo isto pode ser feito, e na verdade não é ser cristão. Parecer é uma coisa, ser é outra.

Ser cristão é algo intrínseco a nós mesmos e não uma mera modalidade religiosa que se decide adotar. Faz parte da nossa identidade e não é um anexo da nossa vida. Tem início no mais íntimo do nosso ser (espirito e alma) e reflete-se de forma natural no nosso corpo, na nossa conduta e no resultado das nossas ações. É como uma fonte de água que jorra de dentro para fora.

Afinal, o que é que aquela mulher muçulmana viu na mulher cristã para dizer o que disse? Poderei parecer simplicista, mas tenho o desejo de ser clara e profunda ao mesmo tempo; a mulher muçulmana viu Cristo na sua amiga, mesmo quando não falavam de religião e fé. Ela foi testemunha de um cristianismo vivo, natural e real. Nada era forçado, fingido ou por apenas tradição, simplesmente ela fez amizade com uma mulher que recebera impacto do evangelho de Jesus Cristo, seguia a Cristo e O amava com todo o seu ser.

Desengane-se quem pensar que há categorias no que se refere a cristãos; ou seja, não há cristãos de primeira nem tão pouco de segunda categoria. Ou se é ou não se é.

Então se alguém é cristão, onde está Cristo na sua vida?!

O que diria essa amiga muçulmana de cada pessoa que se afirma como tal?!

Perguntas que podem inquietar a nossa alma, mas que verdadeiramente nos ajudam a definir.

 

Isabel Ricardo Pereira é missionária evangélica; contacto: isabeljose@sapo.pt

 

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