Sepes é a primeira verdadeira descoberta dos Trovante, aos 14 anos, provavelmente o meu primeiro concerto no Teatro Aveirense. Lá por casa já tinha ouvido coisas do Baile do Bosque e de 84, mas é com Sepes, ouvido de fio a pavio, que se constrói o gosto definitivo pela música do grupo.
Por entre leituras da adolescência, Aerograma é o hino perfeito contra a guerra, mais ainda numa espantosa interpretação de José Salgueiro e Luís Represas que me ficou na memória daquele palco do Aveirense. Com Fim descubro a poesia de Mário de Sá-Carneiro. Depois veio a pop de Terra Firme (e aquela capa a fazer sonhar com Lisboa) a afirmar o som e o gosto, com Memórias de um beijo, 125 Azul ou Terra à vista a encherem as medidas desse tempo de tantas descobertas.
O tempo foi passando e deixei de seguir a carreira a solo de Represas com atenção, sobretudo depois de uma entrevista em 2003 que não ajudou (cansaço ou sobranceria, a memória não se lembra). A morte de Luís Represas, hoje. levou-me de volta a Sepes e a Terra Firme e a outras canções mais ou menos óbvias, como Agora, de Galinhas do Mato, o extraordinário último disco de José Afonso. “Foi sem mais nem menos” — e aquela voz partiu para parte incerta.
Este texto foi inicialmente publicado no blogue Cibertúlia










