
Refugiados tigrés no campo de Um Rakuba, em Gedaref (Sudão). Foto © Tomás Sopas Bandeira, cedida pelo autor.
Centenas de milhares de habitantes da região do Tigré (Etiópia) estão a morrer à fome, denunciou esta quarta-feira, 20, a Agência Fides. Desde o início da suposta trégua humanitária, a 24 de março, o governo permitiu a entrada de apenas um comboio de ajuda humanitária na região, o primeiro desde meados de dezembro de 2021.
As forças do governo recusam nova permissão até que a Frente de Libertação do Povo Tigré (TPLF) se retire da região. A TPLF, por seu lado, quer que a ajuda flua livremente antes de se retirar.
“Sem um avanço para aliviar o bloqueio, o horror da limpeza étnica será acompanhado por um abuso igualmente grotesco: fome em massa deliberada”. Esta é a conclusão de uma investigação aprofundada da Human Rights Watch e da Amnistia Internacional que, num relatório conjunto, publicado a 6 de abril, concluem que as autoridades da região de Amhara mataram centenas de milhares de pessoas de origem tigreia naquele território desde o início da guerra.
“A situação humanitária no Tigré continua a piorar. A passagem dos corredores humanitários através dos quais as Nações Unidas, o governo ou outras agências tentam trazer alimentos para o país às vezes é bloqueada e não sabemos ao certo por quem”, confirmou o arcebispo de Adis Abeba, Cardeal Berhaneyesus Souraphiel, citado pela Fides.
“Como resultado,” – continua o cardeal – “o sofrimento do povo está a aumentar. Como Conferência dos Bispos Católicos da Etiópia, lançamos apelos à nossa rede católica em todo o mundo, em particular através da Caritas Internationalis, para que enviem dinheiro para ajudar nosso povo, não apenas no Tigré, mas também nas áreas vizinhas. A seca agravou-se devido às mudanças climáticas. A crise humanitária é enorme e as pessoas precisam urgentemente de ajuda “.
Já em junho de 2021, mais de 90% da população do Tigré precisava de assistência alimentar, segundo o Programa Alimentar Mundial da ONU.










