Que espero do Sínodo católico? (15)

Fora dos muros

| 16 Out 2023

O 7MARGENS acompanha os trabalhos da Assembleia-Geral do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade, divulgando as expectativas dos seus leitores sobre este importante acontecimento (ver textos já publicados aqui).

O que esperamos do sinodo_7 margens

Depois de alguns anos sem reuniões presenciais por conta da pandemia da covid-19, diversas organizações de inspiração católica em várias partes do mundo voltam a reunir-se nestes dias em Roma.

Momento oportuno quando da abertura e realização da primeira etapa do Sínodo sobre a Sinodalidade na Igreja que se realiza entre os dias 04 e 29 de outubro de 2023 e seguirá no próximo ano. O convite do Papa Francisco é para percorrer um caminho de escuta e diálogo, portanto, viver verdadeiramente a experiência sinodal.

Importante registrar e tornar público que inúmeras organizações católicas, de âmbito local, nacional e internacional, se fazem presentes em território romano, manifestam-se publicamente com atos públicos nas ruas e na praça de São Pedro, se reúnem em diferentes iniciativas e encontros.

Seguindo as orientações do Papa Francisco, a coordenação do Sínodo orienta os participantes sinodais para a discrição e prudência sobre o que se discute dentro dos muros do Vaticano. É uma preocupação para evitar polêmicas e/ou criar falsas expectativas nos diferentes setores internos da Igreja. A metodologia adotada, o local onde as reuniões estão ocorrendo, a divisão em pequenos grupos, como tantas outras iniciativas, são novidades para a vida eclesial em âmbito sinodal e estão em plena sintonia com o Concílio Vaticano II.

E do lado de fora dos muros estão todas aquelas e aqueles que há anos denunciam ou solicitam do governo da Igreja Católica respostas e ações efetivas para superar feridas abertas e geradas por equívocos estruturais e pastorais.

Quais são essas feridas abertas? São preocupações com as práticas de abusos sexuais na Igreja, a moral sexual rígida para os cristãos leigos e leigas e suas respectivas famílias, a situação das segundas uniões, discriminação de pessoas e grupos LGBTQI+, o abuso de poder político e económico dos presbíteros nas comunidades eclesiais, o comportamento e o estilo de vida luxuoso de alguns ministros ordenados que destoam da realidade de suas comunidades, a exclusão dos batizados homens e mulheres vocacionados ao ministério sacerdotal, a invisível violência eclesial (misoginia, machismo, homofobia, transfobia, clericalismo, aporafobia), a restrição do ministério ordenado apenas aos homens celibatários, centralização da administração e autoritarismo praticado na vida eclesial por parte dos ministros ordenados, entre outros.

Para tratar essas feridas, as organizações católicas fora do muro se propõem derramar “vinho e azeite” entre si. A cura é um processo que envolve mística, diálogo, escuta, calor humano, cuidado e solidariedade.

Desta forma, há várias iniciativas ocorrendo. São gotas de vinho e de azeite: Vigília Ecuménica de Oração, Iniciativa Acabar com o Abuso do Clero (ECA), Conferência sobre a Ordenação de Mulheres (Walk with Women), Conselho das Mulheres Católicas, encontro da Associação das Mulheres Padres Católicas Romanas, Vigília de Oração de Testemunho Público – Igualdade, Conferência Direitos Humanos Emergentes na Igreja Católica – Spirit Unbounded, Pink Shoes into the Vatican, “Não há sinodalidade sem jovens!”, Vigília de Oração pelo Sínodo da Red Laical Latinoamericana, e por fim, a Conferência Bienal do We Are Church (Nós Somos Igreja) International.

Em Roma e “fora dos muros” muitos testemunhos que clamam por reformas estruturais, pastorais, eclesiásticas e, por fim, a atualização da missão da Igreja nos tempos de hoje. Caminhamos em torno dos muros com esperança e vigor!

 

Edson Silva é coordenador do Grupo Nós Somos a Igreja (We Are Church) em São Paulo (Brasil); correio eletrónico: edsongposilva@gmail.com

 

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