
Uma das fotos publicadas pela ONU no Twitter, revelando o cenário deixado após a demolição de uma aldeia beduína pelas forças militares israelitas.
As forças de ocupação israelitas demoliram esta semana uma aldeia beduína, deixando sem casa 73 habitantes, entre os quais 41 crianças. Trata-se do maior ato de destruição da última década contra os palestinianos no Vale do Jordão, denunciaram as Nações Unidas (ONU) esta quinta-feira, 5 de novembro.
Diversas escavadoras, escoltadas por veículos militares, foram filmadas a dirigir-se à aldeia de Humsa Al Bqai’a, destruindo tendas, casas de banho, abrigos para animais, painéis solares e inúmeros pertences dos habitantes, forçando-os a abandonar o local.
De acordo com Yvonne Helle, coordenadora humanitária da ONU para o território palestiniano ocupado, a operação decorreu na terça-feira, dia 3, e deixou sem casa três quartos da comunidade. Tendo em consideração o número de estruturas destruídas, ao todo 76, foi “a maior demolição da última década”.
A responsável da ONU sublinhou que “estas são algumas das comunidades mais vulneráveis da Cisjordânia” e que “essa vulnerabilidade é agora agravada pelo início do inverno e pela pandemia de covid-19”.
No dia seguinte à operação de demolição, e apesar da chegada das primeiras chuvas do ano, várias famílias da aldeia regressaram ao local à procura dos seus pertences destruídos. As fotos dos destroços publicadas pela ONU no Twitter falam por si.
A aldeia de Humsa Al Bqai’a era habitada por uma das 38 comunidades beduínas da área do Vale do Jordão, estando localizada dentro das chamadas “zonas de tiro”, destinadas aos treinos do exército israelita. Declaradas como pertencendo a Israel, apesar de estarem dentro dos Territórios Palestinianos, estas regiões têm sido frequentemente invadidas pelas forças militares.
Helle não duvida, no entanto, de que Israel está a cometer “violações graves” ao direito internacional. “As demolições são um meio fundamental de criar um ambiente pensado para coagir os palestinianos a deixar as suas casas”, afirma.
Só este ano, quase 700 estruturas foram demolidas em toda a Cisjordânia e Jerusalém Oriental, o maior número registado desde 2016, deixando 869 palestinianos desalojados.
Citadas pelo jornal The Guardian, as autoridades israelitas alegam ter realizado apenas uma “atividade de fiscalização a sete tendas e oito currais que foram construídos ilegalmente num campo de tiro localizado no Vale do Jordão”.
Esta versão contradiz não apenas as informações da ONU, mas também o relatório da associação de defesa dos direitos humanos israelita B’Tselem, que esteve no local. De acordo com a organização, além das dezenas de tendas e pertences da comunidade, as forças israelitas destruíram ainda mais de 30 toneladas de alimentos destinados ao gado da comunidade.
“Como parte dos seus esforços para conquistar mais e mais terras palestinianas, Israel demole frequentemente casas e propriedades palestinianas”, disse o porta-voz da B’Tselem, Amit Gilutz. “Mas o extermínio de uma comunidade inteira de uma só vez é extremamente raro, e parece que Israel estava a aproveitar-se do facto de a atenção de todos estar atualmente voltada para outro lugar para avançar com este ato desumano”, acrescentou, numa alusão às eleições presidenciais dos Estados Unidos da América.










