Assembleia plenária da CEP

Formação de padres será “muito mais aberta” e com maior presença de mulheres e leigos

| 10 Nov 2022

conferencia de imprensa apos a 204a assembleia plenaria da CEP, em Fatima, 10.11.2022. Foto c Clara Raimundo

No final da 204ª assembleia plenária da CEP, em Fátima, os bispos Virgílio Antunes, José Ornelas e o padre Manuel Barbosa falaram aos jornalistas . Foto © Clara Raimundo / 7MARGENS.

 

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) aprovou na generalidade o documento que irá orientar a formação de padres a nível nacional, e garante que, entre as novidades, estão a uma maior presença de mulheres e leigos nessa mesma formação, a qual deverá passar a ser “muito mais aberta”.

O documento, intitulado “Ratio nationalis Institutionis Sacerdotalis: O Dom da Vocação Presbiteral”, foi apresentado e analisado durante a assembleia plenária da CEP, que decorreu esta semana em Fátima, e tem por base um documento da Santa Sé, que tem vindo a ser adaptado à realidade de cada país.

Em declarações aos jornalistas no final da assembleia, na tarde desta quinta-feira, 10, o bispo de Coimbra, Virgílio Antunes, explicou que os seminaristas “vão ser chamados a trabalhar diretamente, e dia após dia, com os leigos, com as equipas de animação pastoral, com os responsáveis das comunidades”.

“Pretende-se que seja uma formação muito mais aberta, de preferência numa relação muito direta com o povo de Deus e com as comunidades cristãs, e não num ambiente fechado de uma comunidade seminarística”, insistiu.

Reconhecendo que “grande parte daquilo que são as grandezas e as misérias da vida sacerdotal tem a ver com o estilo de formação  que passa pelos seminários e também pelas faculdades”, o vice-presidente da CEP frisou que passará a haver uma “presença maior inclusivamente de mulheres no processo formativo, o que já acontece bastante, concretamente nas faculdades de Teologia, onde grande parte dos professores até são leigos, mas também no que diz respeito à vida nos seminários”.

Quanto à preocupação com as questões dos abusos sexuais e a política de “tolerância zero” na Igreja, este será “um ponto muito presente e a que se vai dar com toda a certeza um grande relevo” no novo documento, destacou ainda o bispo de Coimbra, avançando que a versão final do mesmo só deverá ser conhecida na próxima assembleia plenária da CEP.

 

“Um pedido solene, marcante, de perdão” às vítimas de abusos

A propósito do tema dos abusos sexuais na Igreja, que esteve também em  foco durante a assembleia plenária, o presidente da CEP, José Ornelas, revelou aos jornalistas que a Igreja portuguesa prevê fazer “publicamente um pedido solene, marcante, de perdão” a todas as vítimas.

A data e os detalhes da ação ainda não estão definidos, mas será seguramente depois de 31 de janeiro, altura em que a Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica (CI) apresentará o seu relatório.

Apesar de a comissão ter estado presente na assembleia para fazer um ponto de situação dos trabalhos decorridos até ao momento, não foram avançados, durante a conferência de imprensa, novos números ou quaisquer informações adicionais relativamente aos testemunhos recebidos.

No comunicado final com as principais conclusões da assembleia, lidas pelo porta-voz da CEP, o padre Manuel Barbosa, “os bispos reconhecem que tem sido um tempo penoso para todos, mas acreditam também que tem sido um tempo de purificação, na busca da justiça e da verdade”.

“Neste contexto, a Assembleia exprime o seu profundo apreço para com os sacerdotes nestes tempos em que generalizações injustas e não verdadeiras colocam na sombra vidas inteiras dedicadas ao serviço das comunidades cristãs e da sociedade, particularmente das pessoas mais fragilizadas”, refere ainda o comunicado.

A propósito dessa afirmação, o bispo José Ornelas lamentou aos jornalistas presentes em Fátima algumas “generalizações” e “condenações” feitas nos media e reconheceu que o facto de estes terem denunciado alguns casos provocou impacto na sociedade e pode ter gerado alguns “anticorpos” em relação à Igreja.

“Os casos de abusos detetados são claramente lamentáveis e objeto de grande preocupação, justificando os esforços em curso para erradicá-los da vida da Igreja, mas tal não invalida o precioso serviço que os sacerdotes, consagrados e leigos prestam à vida da Igreja e da sociedade, em Portugal e em todo o mundo, que merecem toda a nossa gratidão e apoio”, destacam os bispos no comunicado.

 

Famílias e instituições “com a corda na garganta”

A Cáritas está a apoiar os refugiados ucranianos. Foto © Caritas International

A crise atual está a afetar famílias e instituições de solidariedade social, que veem em risco a sua sustentabilidade. Foto © Caritas International.

 

Na conferência que encerrou a assembleia plenária de novembro, o presidente da CEP manifestou ainda “uma forte preocupação pelas grandes dificuldades por que passam as pessoas e famílias, instituições civis e eclesiais, provocadas pela crise atual”.

“O que se vê é que, de facto, aumentaram significativamente os pedidos de ajuda, de alimentos”, afirmou o bispo de Leiria-Fátima, para quem é “particularmente grave” o facto de os pedidos chegarem de “pessoas que têm o seu trabalho”, mas que “não conseguem fazer face às suas responsabilidades e às necessidades da sua família”.

As instituições de solidariedade social, por seu lado, “muitas delas ligadas à Igreja Católica”, também estão “com a corda na garganta” e veem em risco a sua sustentabilidade, alertou o responsável religioso, apelando a uma “convergência e acordos de regime” entre os partidos políticos, para que se encontrem “soluções mais duradouras e mais estáveis” para a população.

“Na sua atitude de proximidade, as instituições da Igreja continuam a atender situações de extrema necessidade, mas o justo apoio do Estado, que sustenta apenas uma parte limitada do esforço financeiro destas instituições, é imprescindível para que a sua falência não venha agravar a situação de centenas de milhares de pessoas e famílias que delas dependem”, sublinham os bispos na sua nota final.

 

“O importante é que o processo sinodal mude a Igreja”

Em cima da mesa durante esta 204ª assembleia plenária dos bispos portugueses esteve também o processo sinodal, que acaba de entrar numa nova etapa. “Para pôr em prática a metodologia apresentada no DEC [Documento da Etapa Continental]”, que teve em conta os relatórios de 112 conferências episcopais, os bispos decidiram que cada diocese deverá agora enviar à CEP, até ao dia 20 de janeiro, as respostas às três questões colocadas no final desse documento.

Essas respostas serão depois levadas pelos participantes portugueses à Assembleia Continental, que irá decorrer em Praga de 5 a 12 de fevereiro do próximo ano. A delegação, que está ainda a ser constituída, incluirá alguns leigos, e não apenas bispos, assegurou José Ornelas.

Para o presidente da CEP, a fase inicial do Sínodo mostrou, sobretudo, o desejo de “uma Igreja que escuta, que acolhe, disposta a colocar-se em questão para encontrar soluções”. Nesse sentido, “o importante é que o processo sinodal mude a Igreja”, concluiu, porque é inegável: “Há uma sede de transformação da Igreja”.

 

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