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emergência humanitária, Cáritas, Síria

Em defesa dos trabalhadores do organismo

Francisco destitui cúpula da Cáritas Internacional

| 22/11/2022

emergência humanitária, Cáritas, Síria

Emergência humanitária da Cáritas na Síria: o organismo católico está presente em cerca de 200 países. Foto © Cáritas Internacional.

 

Ao apresentar hoje, 22 de novembro, aos trabalhadores da Cáritas Internacional (CI) o decreto em que o Papa Francisco destitui toda a equipa de direção do organismo e nomeia Pier Francesco Pinelli como comissário extraordinário com plenos poderes, o cardeal Tagle, presidente emérito da CI, asseverou que a decisão nada tinha a ver com” má gestão”, desvios de dinheiros ou “abusos sexuais”.

O novo administrador será acompanhado, de acordo com o decreto papal, pelo padre jesuíta português Manuel Morujão, que terá como tarefa principal dedicar-se “ao acompanhamento pessoal e espiritual dos funcionários”, e por Maria Amparo Escobar, responsável pela organização de campanhas de lóbi da CI em vários continentes. Manuel Morujão, nascido em Março de 1946, foi secretário da Conferência Episcopal Portuguesa entre 2008 e 2014, tendo já desempenhado vários cargos na Companhia de Jesus – entre 1987 e 1993 foi mesmo o provincial português dos jesuítas.

Segundo notícia do jornal digital Alfa & Omega de dia 22 de novembro, a inesperada decisão de Francisco decorre das conclusões de um relatório realizado pelo Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral em que se pode ler que da inspeção à Cáritas Internacional “nenhuma evidência de má administração financeira ou comportamento inadequado de natureza sexual foi detetada, mas surgiram outras questões importantes” e identificadas “áreas de atenção urgente”, nomeadamente “fragilidades nos procedimentos de gestão, o que também teve um efeito negativo no espírito de equipa e no moral dos colaboradores.”

Parece assim que o motivo da destituição de toda a cúpula da CI se prende com o ambiente de trabalho criado pelos ex-responsáveis e pela necessidade, citada no decreto papal, de “uma revisão do quadro normativo atual para torná-lo mais apropriado às funções estatutárias do Organismo, bem como prepará-lo para as eleições a serem realizadas na próxima Assembleia Geral”.

Pinelli, agora nomeado como comissário extraordinário, era, segundo escreve o Vatican News, portal de notícias do Vaticano, consultor da Cáritas para muitos setores administrativos e financeiros e foi um dos peritos que elaborou o relatório sobre a CI realizado a pedido do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

A Cáritas Internacional é uma confederação de 162 Cáritas nacionais espalhadas por cerca de 200 países e tem como missão trabalhar para “os mais pobres e mais necessitados, participando na gestão de emergências humanitárias e colaborando na difusão da caridade e da justiça no mundo à luz do Evangelho e dos ensinamentos da Igreja Católica.”

 

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