
Francisco de visita a Bento XVI, em agosto de 2022, quando do consistório de cardeais. Foto © Vatican Media, via Ecclesia.
No primeiro dia do ano de 2023, este domingo, depois de conhecida a morte de Bento XVI no sábado, aos 95 anos, o Papa Francisco homenageou o seu antecessor, como um “fiel servidor do Evangelho e da Igreja”.
“O início de um novo ano é confiado a Maria Santíssima, que hoje celebramos como Mãe de Deus. Nestas horas invocamos a sua intercessão, em particular pelo Papa emérito Bento XVI, que deixou este mundo na manhã de ontem [sábado]”, declarou este domingo, Dia Mundial da Paz, desde a janela do apartamento pontifício, antes da recitação da oração do Ângelus.
“Unamo-nos todos juntos, com um só coração e uma só alma, ao dar graças a Deus pelo dom deste fiel servidor do Evangelho e da Igreja”, acrescentou, numa intervenção saudada pela multidão com uma salva de palmas.
Já no sábado, numa primeira reação pública à morte de Joseph Ratzinger, o Papa Francisco referiu-se à “bondade” do seu antecessor. Falando na homilia das primeiras Vésperas da Solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus, o Papa Bergoglio afirmou: “Por falar em gentileza, neste momento, o nosso pensamento volta-se espontaneamente para o querido Papa emérito Bento XVI, que nos deixou esta manhã. Com comoção recordamos a sua pessoa tão nobre, tão gentil.”
Igreja portuguesa sublinha legado
A Conferência Episcopal Portuguesa, em comunicado, manifestou a “enorme tristeza” pela morte de Ratzinger, evocando o trabalho de “purificação e reforma da Igreja”. “Bento XVI fica para sempre na história da Igreja pela receção e aplicação das orientações do Concílio Vaticano II” e “pelo despertar para a purificação e reforma da Igreja em coerência com os princípios eclesiais”, destacou o órgão colegial dos bispos portugueses.
Por sua vez, o cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Clemente lembrou à Ecclesia a figura “gigantesca” e a “clareza doutrinal”, elogiando ainda a abertura para o diálogo com pessoas “dentro e fora da Igreja” e a atualidade da encíclica Deus Caritas Est, que definiu como “o seu programa do pontificado”.
Num tom consensual entre o episcopado português, os elogios sucederam-se: o bispo de Coimbra, Virgílio Antunes, destacou o homem que “entregou a totalidade da sua vida ao serviço de Deus e da sua Igreja”, enquanto João Lavrador, bispo de Viana do Castelo, evocou “um dos maiores pensadores do século XX”, convidando os seus fiéis diocesanos a rezarem por um “grande Papa”.
Também em Évora, a arquidiocese vai assinalar as exéquias do Papa emérito, no dia 5, com o dobrar dos sinos, e com o arcebispo Francisco Senra Coelho a convidar à oração por Bento XVI, “perito em humanidade”.
O Santuário de Fátima fez saber que também se une à oração por Bento XVI, destacando na prece da oração dos fiéis deste domingo o “luminoso testemunho de amor e entrega” de Ratzinger.
O bispo de Viseu, António Luciano, recordou o “testemunho de vida” do Papa emérito, que o ex-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, Jorge Ortiga, classificou como “um papa curioso sobre a vida e as necessidades dos portugueses. O ex-arcebispo de Braga acompanhou Bento XVI, quando da visita deste a Portugal em 2010.
Figuras do Estado assinalam morte

Bento XVI no encontro com os artistas e o mundo da cultura, em Lisboa, ladeado pelo então patriarca José Policarpo e o cineasta Manoel de Oliveira, em 12 de maio de 2010. Foto © Daniel Rocha/Público, cedida pelo autor.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, sublinhou numa nota que Bento XVI “permaneceu um símbolo de estabilidade e de defesa dos valores da Igreja Católica”.
“O Presidente da República sublinhou que ao longo dos seus oito anos de Pontificado, o Papa Bento XVI permaneceu um símbolo de estabilidade e de defesa dos valores da Igreja Católica: o Amor ao próximo, a Solidariedade e o apoio aos mais pobres e aos mais desprotegidos e a importância do Perdão e da Reconciliação”, lê-se no texto divulgado por Belém.
Já o presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva, destacou a “estatura intelectual e o gesto fundacional da resignação” do Papa emérito. “A morte de Bento XVI mergulha em luto profundo a Igreja Católica e os seus fiéis. Homenageio a sua memória, destacando a estatura intelectual e o gesto fundacional da resignação”, afirmou Santos Silva.
Também o primeiro-ministro, António Costa, num texto publicado na conta oficial do Twitter, manifestou “votos de pesar a toda a comunidade católica pelo falecimento do Papa emérito Bento XVI”.
“Recordo a honra de o ter acolhido em Lisboa, quando era presidente da Câmara, e a bela celebração a que presidiu no renovado Terreiro do Paço. O seu trabalho e dedicação permanecerão um referencial para os fiéis em todo o mundo”, descreveu António Costa, referindo-se à passagem de Bento XVI pela capital portuguesa, em 2010.
Nessa visita, a maestrina Joana Carneiro, que esteve com o Papa Ratzinger num encontro de pessoas da Cultura, realizado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, reteve então uma ideia para si, em declarações à Ecclesia: “Muitas vezes recordei, como pilar e inspiração, a frase: «Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza».”










