
“Às vezes, dizem-me que sou imprudente porque quero fazer coisas”, contou o Papa com boa disposição, afirmando que isso, por si só, já é “um sinal positivo”. Foto © @nmas
Admira a “coragem” que o seu antecessor Bento XVI teve ao renunciar, e reconhece que este foi um ano particularmente difícil em termos de saúde, mas mesmo assim Francisco afirma que, pelo menos para já, não está nos seus planos retirar-se. “Isso não me ocorreu”, garantiu o Papa à vaticanista mexicana Valentina Alazraki, numa entrevista publicada esta quarta-feira, 13 de dezembro, pelo site de notícias espanhol N+. O que já está planeado, isso sim, é o seu funeral, adiantou.
Francisco admitiu que, devido aos vários problemas de saúde que enfrentou nos últimos meses, teve de abrandar o ritmo e que as viagens internacionais tiveram de ser “repensadas” em função das suas dificuldades de mobilidade. “Preciso que todos vocês orem pela minha saúde”, reconheceu, dizendo que a velhice “não se maquilha”, mas traz muitos presentes, como aprender a ver as coisas “de outra perspetiva”.
A poucos dias de completar 87 anos (o seu aniversário é já no próximo domingo, 17 de dezembro), o Papa sublinhou que “a velhice amadurece muito” e que isso “é bom” e assegurou que, quanto à sua saúde, se sente agora “bastante melhor”. “Às vezes, dizem-me que sou imprudente porque quero fazer coisas”, contou o Papa com boa disposição, afirmando que isso, por si só, já é “um sinal positivo”.
Afirmando que o papado é um trabalho permanente, Francisco reconheceu também a necessidade de se estar preparado para quando chegar o fim, e revelou que já se reuniu com o Mestre de Cerimónias Papal, o arcebispo italiano Diego Ravelli, para planear o seu próprio funeral e simplificar o rito fúnebre papal. Escolheu ser sepultado na basílica de Santa Maria Maior, a sua preferida das quatro basílicas papais, e onde se encontra o ícone de Maria Salus Populi Romani que visita antes e depois de cada viagem internacional. Embora digna de nota, a decisão do Papa Francisco de não ser enterrado na basílica de São Pedro não é inédita, assinala o jornal Crux. É em Santa Maria Maior que se encontram os restos mortais de cinco papas anteriores: Pio V, Sisto V, Clemente XIII, Paulo V e Clemente IX.
Questionado sobre se este ano foi diferente, por ter sido o primeiro no cargo sem a presença do seu antecessor, Francisco respondeu que sim, “em parte”, até porque a sua relação com Bento XVI era “muito próxima”. “Às vezes, ia consultá-lo e ele, com muita sabedoria, dava-me a sua opinião, mas dizia sempre ‘você veja’, deixava nas minhas mãos. Sempre me ajudou, foi muito generoso nisso”, recordou.
Quanto aos planos para o próximo ano, o Papa confirmou uma viagem internacional à Bélgica, e manifestou o seu desejo de visitar também a Polinésia e a Argentina. “Veremos como as coisas vão correr”, disse, esperançoso.
A entrevista completa pode ser vista abaixo:









