Missa Crismal

Francisco pede aos padres que recusem duplicidade, desunião, polarização e falta de caridade

| 6 Abr 2023

O Papa Francisco durante a Missa Crismal, 6 abril 2023, foto Vatican Media

“Lembremo-nos de que ser ríspido e lamuriento, além de não produzir nada de bom, corrompe o anúncio, porque é contratestemunho de Deus, que é comunhão e harmonia”, afirmou Francisco durante a Missa Crismal. Foto © Vatican Media.

 

O Papa pediu aos padres que ajudem “a conservar a harmonia”, começando não pelos outros, mas por si próprios, recusando a desunião, as polarizações e “qualquer falta de caridade e comunhão”. Na homilia da Missa Crismal, à qual presidiu na manhã desta quinta-feira, 6 de abril, Francisco alertou ainda para os perigos da “duplicidade”.

Segundo o Papa, “construir a harmonia entre nós” não é um método, estratégia ou cortesia, “mas é sobretudo uma exigência interna na vida do Espírito”. E recordou: “o Espírito, «o nós de Deus», prefere a forma comunitária, isto é, a disponibilidade acima das exigências próprias, a obediência acima dos próprios gostos, a humildade acima das próprias pretensões”.

Mas “quantos não se aproximam ou até se afastam, porque na Igreja não se sentem acolhidos e amados, mas olhados com desconfiança e julgados!”, assinalou o Papa. “Em nome de Deus, acolhamos e perdoemos sempre! E lembremo-nos de que ser ríspido e lamuriento, além de não produzir nada de bom, corrompe o anúncio, porque é contratestemunho de Deus, que é comunhão e harmonia”, afirmou Francisco.

Reconhecendo que “a todos acontece, mais cedo ou mais tarde, experimentar desilusões, cansaços e fraquezas, com o ideal que parece diluir-se perante as exigências da realidade, substituído por uma certa rotina; e algumas provações”, o Papa alertou ainda para “três tentações perigosas: a da acomodação, em que a pessoa se contenta com o que pode fazer; a de substituição, em que se tenta «recarregar» o espírito com algo diferente da nossa unção; a do desânimo, em que, insatisfeitos, se avança por inércia”.

 

Na prisão, a dignidade de sermos pecadores

O Papa Francisco lava os pes aos jovens reclusos no Casal de Marmo, 6 abril 2023, foto Vatican Media

Durante o rito do lava pés, Francisco não só lavou e beijou os pés dos detidos, como os olhou a cada um nos olhos, trocando palavras e sorrisos com os jovens, muitos deles visivelmente emocionados. Foto © Vatican Media.

 

Durante a tarde, o Papa regressou ao estabelecimento prisional juvenil de Casal del Marmo, na periferia de Roma, o mesmo onde já tinha celebrado a missa da Ceia do Senhor há dez anos, 15 dias após a sua eleição como pontífice.

Apesar das visíveis dificuldades de locomoção, Francisco lavou e beijou os pés de doze jovens detidos, num gesto que, como fez questão de referir na homilia que o precedeu, “não é uma coisa folclórica, não”. Para o Papa, este é “um gesto que nos diz como devemos tratar-nos uns aos outros”.

Na mesma homilia, que Francisco fez de improviso, sem recorrer à leitura de um discurso previamente escrito, o Papa pediu aos jovens que pensassem no significado do que iria acontecer: “’Jesus lavou-me os pés. Jesus salvou-me, e agora estou com esta dificuldade’. Mas vai passar, mas o Senhor está sempre ao seu lado, nunca abandona, nunca. Pensem em tudo isso.”

O Papa lembrou ainda que “cada um de nós pode escorregar, cada um de nós. E esta consciência, esta certeza de que cada um de nós pode escorregar, é o que nos dá a dignidade – escutem a palavra – a dignidade de sermos pecadores. E Jesus quer-nos assim, e por isso quis lavar os pés [dos seus discípulos] e dizer: ‘Vim para vos salvar, para vos servir'”.

Durante o rito do lava pés, Francisco não só lavou e beijou os pés dos detidos, como os olhou a cada um nos olhos, trocando palavras e sorrisos com os jovens, muitos deles visivelmente emocionados.

“Com esta celebração de hoje, – explicou o Papa – Jesus quer ensinar-nos isto: a nobreza do coração. Cada um de nós poderia dizer: ‘Mas se o Papa soubesse as coisas que tenho dentro de mim…’. Mas Jesus sabe disso e ama-nos assim como somos! E ele lava cada um dos nossos pés”. E concluiu: “Jesus nunca fica chocado com nossas fraquezas. Ele nunca se surpreende, porque já pagou. Ele só quer acompanhar-nos; ele quer pegar-nos pela mão para que a vida não seja tão dura para nós”.

 

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