Emergência climática

Francisco pressiona líderes políticos com encontro inter-religioso sobre ecologia

| 25 Mai 21

Um encontro inter-religioso antes da cimeira sobre o clima em Glasglow (Escócia) pode ser uma forma de pressionar os líderes políticos para redobrar os esforços no combate à emergência climática. Uma iniciativa anunciada na apresentação da Plataforma de Acção Laudato Si’, plano de sete anos para mobilizar católicos no mesmo sentido.

Ambiente. Atmosfera. Poluição. São Paulo.

Tal como há seis anos, a encíclica serviu para pressionar o Acordo de Paris, este encontro poderá ser uma forma de aumentar a pressão sobre os líderes políticos que participem na cimeira. Foto © Paulisson Miura/WIkimedia Commons

 

O Vaticano está a preparar um encontro inter-religioso que antecipe a 26.ª Conferência das Partes (COP26) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, que decorrerá de 1 a 12 de Novembro de 2021, em Glasgow, Escócia.

O encontro pode resultar num documento que reforce a encíclica Laudato Si’, do Papa Francisco. Tal como há seis anos este texto serviu para pressionar o Acordo de Paris, esta poderá ser uma forma de aumentar a pressão sobre os líderes políticos que participem na cimeira.

A nova iniciativa do Papa foi anunciada pelo cardeal Peter Turkson, prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral (DSDHI), durante a conferência de imprensa de apresentação da Plataforma de Acção Laudato Si’, na manhã desta terça-feira, 25, no Vaticano. O cardeal, originário do Gana, respondia a uma pergunta da agência Ecclesia, na sequência da publicação, pelo 7MARGENS e Família Cristã, da resposta ao inquérito sobre a aplicação da Laudato Si’ em Portugal (e acerca do qual publicaremos mais dados nos próximos dias.) “O que diz respeito ao destino da humanidade interessa à Igreja”, justificou Turkson.

A ideia da pressão religiosa sobre os políticos foi assumida também, na mesma ocasião, pelo padre Joshtrom Isaac Kureethadam, coordenador da secção Ecologia e Criação do DSDHI, como um dos objectivos do lançamento da Plataforma de Acção Laudato Si’. Esta iniciativa quer promover um movimento “popular” para “responder ao grito da Terra, pela energia, pela água, pela biodiversidade e pelo grito dos pobres”.

Também a possibilidade de o Papa Francisco e o Patriarca Ecuménico Bartolomeu poderem ir à COP aparece como factor de pressão política. E se essa presença for sustentada num qualquer documento ou declaração que saia do encontro inter-religioso, mais força terá.

Na conferência de imprensa sobre a Plataforma, o cardeal Turkson acrescentou que é “fundamental limitar o aumento da temperatura média global dentro do limite crucial de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, pois excedê-la seria catastrófico”.

Ajudar a que se atinja esse objectivo é uma das ideias da iniciativa agora lançada pelo Vaticano, que pretende também colocar as comunidades, estruturas e instituições católicas a adoptar estilos de vida mais sustentáveis. A proposta é feita para adesão voluntária a paróquias e dioceses, hospitais e centros de atendimento, empresas, empresas agrícolas, escolas e universidades, institutos e ordens religiosas, conforme o 7MARGENS já antecipou.

 

“Responder ao grito da Terra e ao grito dos pobres”

O Papa Francisco com o xeque Ahmed el-Tayeb, em fevereiro. Francisco quer chamar outras religiões, para colocar pressão sobre políticos.

 

Esta iniciativa surge a pretexto do sexto aniversário da publicação da Laudato Si’ e do final do ano dedicado à encíclica, convocado em Maio de 2020 pelo Papa. O cardeal Turkson deu exemplos de iniciativas que já estão em marcha e resultam das propostas feitas pelo Papa no documento: os bispos católicos do Bangladesh, que representam uma pequena minoria religiosa no país, promoveram a plantação de mais de 700 mil árvores; a jovem Vivianne Harr obteve um milhão de dólares do cofundador do Twitter para plantar árvores a fim de impedir o avanço do deserto do Sara. São os “primeiros frutos visíveis”, afirmou, citado pelo Vatican News.

O DSDHI está a recolher experiências diversas no Laudato Si’ Reader. “Este é o caminho a partir do qual começar: a experiência das pessoas, a vida daqueles que, diariamente, lutam contra as crises ambientais que muitas vezes são a razão da migração. Por isso, não estão previstas ações diplomáticas com os governos, mas espera-se que um ‘movimento de baixo’ possa de alguma forma influenciar as decisões do outro lado”, afirmou o cardeal. “Devemos escutar a frustração e a raiva dos jovens contra a nossa geração. Devemos ouvir a sua mensagem de esperança e criatividade e agir agora para garantir um futuro melhor para eles e para as gerações vindouras.”

O padre Joshtrom acrescentou que o primeiro ano da Plataforma de Acção será dedicado à construção da comunidade, partilha de recursos e elaboração de planos para concretizar os sete objetivos da Laudato Si’, enunciados e desenvolvidos na página digital entretanto criada: responder ao grito da Terra e ao grito dos pobres, desenvolver uma economia ecológica, adoptar estilos de vida simples, promover a educação e a espiritualidade ecológicas, e desenvolver a participação comunitária. Haverá depois cinco anos de acções concretas enquanto o último será um ano “sabático”.

“Se uma diocese se quiser tornar diocese Laudato Si’, tem de cumprir os requisitos, dependendo as acções do sítio onde estão: podem ser limpezas de praias, por exemplo”, dizia o padre Joshtrom ao 7MARGENS e à Família Cristã. Para apelar: “Seria bom ver os bispos juntamente com as pessoas a fazer essas acções.”

A Plataforma de Acção Laudato Si’ tem a colaboração da Cáritas Internacional, Movimento Católico Global pelo Clima, União de Superiores e Superioras Gerais, a rede CIDSE – Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e Solidariedade e várias congregações religiosas.

 

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