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Papa Francisco na catequese de 10 de abril. Foto Vatican Media

Em Junho, na Itália

Francisco será o primeiro Papa a intervir no G7, para debater a inteligência artificial

e | 29/04/2024

Papa Francisco na catequese de 10 de abril. Foto Vatican Media Papa Francisco na catequese de 10 de abril. Foto © Vatican Media
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Francisco fará história ao ser o primeiro Papa a participar numa sessão com os países do G7 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Reino Unido e Japão), neste caso, sobre inteligência artificial. A cimeira acontecerá entre 13 e 15 de junho na região de Puglia, no sul de Itália. Esta temática tem sido abordada com frequência pelo Papa argentino, que participará na reunião a convite do Governo italiano.

“É a primeira vez na história que um pontífice participa nos trabalhos de um G7”, afirmou Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana, citada pelo Vatican News, portal de notícias do Vaticano. “Agradeço vivamente ao Santo Padre por ter aceitado o convite da Itália. A sua presença honra a nossa nação e todo o G7”, acrescentou.

Meloni disse ainda “estar convencida de que a presença do Papa [na cimeira] dará um contributo decisivo para a definição de um quadro normativo, ético e cultural para a inteligência artificial”. Reiterou, também, o acolhimento do Governo italiano à contribuição dada pela Santa Sé sobre esta temática, nomeadamente com o lançamento, em 2020, do Apelo de Roma para a Ética da IA. Este texto foi promovido pela Pontifícia Academia para a Vida e pela sua fundação RenAIssance.

 

Cisco subscreve o “Apelo de Roma para a Ética da IA”

Comprometendo-se a adotar uma abordagem ética da Inteligência Artificial (AI, na sigla inglesa, ou IA), a multinacional Cisco assinou, na passada quarta-feira, 24, o documento que tinha sido proposto pela Pontifícia Academia para a Vida. Além desta empresa de tecnologia e comunicações, já se tinham juntado anteriormente ao documento a Microsoft, a IBM, a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação) ou o Ministério da Inovação italiano, entre outras entidades e organizações.

“Estamos muito satisfeitos por a Cisco se ter juntado ao Apelo de Roma, porque é uma empresa que desempenha um papel crucial como parceiro tecnológico para a adoção e implementação da inteligência artificial, oferecendo conhecimentos especializados em infraestruturas, segurança e proteção de dados e sistemas de IA”, referiu o arcebispo Vincenzo Paglia.

Paglia sublinhou, de igual modo, o facto de a IA “já não ser um tema apenas para especialistas” e de a ética do seu desenvolvimento ser mais urgente do que nunca.

O Apelo de Roma para a Ética da IA procura incentivar um sentido de responsabilidade partilhada entre organizações internacionais, governos, instituições e o setor privado com o objetivo de criar um futuro em que a inovação digital e o progresso tecnológico respeitem a dignidade da pessoa humana.

Chuck Robbins, presidente da Cisco, afirmou, no momento da assinatura do documento que a IA está a mudar o mundo e “apresenta grandes oportunidades, mas também novos desafios”. “Os princípios do Apelo de Roma estão alinhados com a crença central da Cisco de que a tecnologia deve ser construída sobre uma base de confiança nos níveis mais altos, a fim de impulsionar um futuro inclusivo para todos”, acrescentou.

Marcou também presença na cerimónia de assinatura do protocolo, o padre Paolo Benanti, professor de Ética das Tecnologias na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, e diretor científico da Fundação RenAIssance. “O apoio da Cisco ao Apelo de Roma para a Ética da IA, e o seu compromisso com a governação proativa e a mitigação de riscos, e com uma perspetiva ampla sobre o impacto transformador da IA nas indústrias e na sociedade, representa um passo em frente neste processo”, afirmou.

Outras intervenções de Francisco

Inteligência artificial. IAFoto © Gerd Altmann / Pixabay

A intervenção do Papa no G7 não será, no entanto, a primeira de Francisco sobre este tema, já que ele tem dedicado vários discursos, ao longo do seu pontificado, à temática da Inteligência Artificial. Contam-se já, pelo menos, vinte referências ao assunto. A mensagem do Dia Mundial da Paz deste ano de 2024 centrou-se no tema “Inteligência Artificial e Paz”, oferecendo uma visão muito detalhada das oportunidades, dos riscos, dos desafios futuros e das implicações não só tecnológicas, mas também éticas e antropológicas da mesma. A 58ª mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, no próximo dia 12 de maio, será intitulada “Inteligência artificial e sabedoria do coração: por uma comunicação plenamente humana” e “terá uma abordagem bastante espiritual, convidando a considerar o ‘estado de saúde’ do coração humano para abordar adequadamente a revolução tecnológica trazida pelos sofisticados artefactos ditos inteligentes”.

Apesar de tudo, Francisco não é o primeiro Papa a falar sobre o tema da Inteligência Artificial. Bento XVI referiu-se-lhe também, mencionando o risco de esta se tornar “um “demónio” da tecnologia experimental” e João Paulo II convidou as pessoas a “enfrentar as descobertas revolucionárias da tecnologia com uma renúncia vigilante, ponderando a responsabilidade social e internacional em relação ao próprio progresso”.

No fundo, o objetivo de Francisco, dos anteriores papas e da Igreja Católica será, como se lê na mensagem para o próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais, o de promover uma relação saudável entre a tecnologia e o ser humano, tendo sempre como objetivo o “bem”, reduzindo a pobreza e promovendo a educação e a saúde, a sustentabilidade e a felicidade, para além de apelar aos governos para que desempenhem um papel de regulação eficaz nestas matérias.

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