“Fratelli tutti” em russo, por iniciativa de muçulmanos

| 3 Jan 21

Fratelli Tutti em russo

Capa da encíclica Fratelli Tutti em russo, com a foto do abraço entre o Papa Francisco e o xeque Ahmed Al-Tayyeb, imã da Mesquita e Universidade de Al-Azhar, do Cairo.

A tradução em língua russa da última encíclica do Papa Francisco, Fratelli Tutti, acaba de ser publicada, segundo noticia o Vatican News. A surpresa é ela ter sido feita e editada por instituições muçulmanas e ter surgido antes mesmo da tradução que estava a ser preparada pela Igreja Católica na Rússia.

A editora Medina e o Fórum Muçulmano Internacional foram as entidades que se encarregaram deste trabalho, publicado na véspera de Natal, coincidindo com o início da festa muçulmana de Eid al-Milad (Natividade de Isa ibn Maryam, ou seja Jesus, filho de Maria, que o Alcorão apresenta como um grande profeta).

No prefácio da edição, Damir Hazrat Mukhetdinov, secretário executivo do Fórum Muçulmano, escreve:

“Como pode a tradução de um documento da Igreja Católica Romana ser importante para um muçulmano? A resposta é simples: além das próprias reflexões do Papa Francisco (…) há a possibilidade de compreender melhor a própria religião, de vê-la de lados inesperados. A libertação do preconceito sobre os outros promove maior liberdade de pensamento, o que inevitavelmente leva à libertação do preconceito sobre si mesmo. Uma melhor compreensão de nós mesmos não passará despercebida pela forma como os outros nos entendem. Esse entendimento mútuo (não só do outro, mas sobretudo de si mesmo) ocorre durante o encontro. E o encontro é a principal mensagem da Fratelli Tutti”.

Na apresentação feita na página da editora, sublinha-se ainda:

A encíclica Fratelli Tutti é uma etapa sem precedentes no diálogo inter-religioso. Esta etapa é marcada pelo problema da convivência, o problema da sociabilidade. A base da interação social deve ser a ideia de abraçar a misericórdia de Deus e o amor ao próximo. A encíclica do Papa Francisco fala sobre misericórdia social e amor. Qualquer pessoa que se preocupa com o amor e a misericórdia dialoga. O convite para esse diálogo foi a encíclica Fratelli Tutti. A difusão da mensagem do Papa em russo servirá à causa do diálogo, da amizade social, da fraternidade universal. Isso fortalecerá a cultura da reunião. A tradução é dirigida a todas as pessoas de boa vontade.”

A tradução da encíclica em língua russa não estava prevista no plano de traduções oficiais da Santa Sé, razão pela qual a Conferência Episcopal tinha em andamento uma tradução própria. Com esta iniciativa dos muçulmanos, que se antecipou à tradução católica, fica disponível um documento saudado com “alegre surpresa”, por parte do presidente da Conferência Episcopal da Rússia, o bispo Paolo Pezzi.

Segundo a agência de notícias SIR, dirigindo-se diretamente ao secretário do Fórum Muçulmano (e também primeiro vice-presidente da direção espiritual dos Muçulmanos da Federação Russa), Damir Mukhetdinov, que promoveu a iniciativa editorial, Paolo Pezzi escreveu:

“Como toda a gente, eu sabia que esta encíclica nasce – em grande parte – do histórico encontro entre o Papa e o Grande Imã de Al-Azhar, Ahmed Al-Tayyeb, e apela a renovadas relações fraternas entre os fiéis das nossas tradições religiosas. Mas eu não podia imaginar que esse apelo suscitaria uma resposta tão rápida e generosa nos corações dos muçulmanos russos.”

Em carta ao representante muçulmano, publicada na página da Igreja Católica russa, o arcebispo acrescenta:

“A importância deste vosso passo, assim como da própria encíclica do Papa, é realmente difícil de sobreestimar. Parece-me que esse gesto seja incrivelmente relevante neste momento, quando muitas pessoas, infelizmente, acreditam que o diálogo inter-religioso seja uma formalidade vazia que não dá nenhum fruto real e não afeta a vida das pessoas. Mas não é assim: temos muitas provas de como seja importante uma ‘cultura de encontro’, que pode reavivar a esperança e levar à renovação”.

A carta cita neste ponto uma frase da encíclica de Francisco: “A verdade é que a violência não encontra nenhuma base nas convicções religiosas fundamentais, mas sim em suas deformações.”

O arcebispo, portanto, agradece a Damir Hazrat, porque a tradução de Fratelli Tutti não só torna os conceitos expressos pelo Papa Francisco acessíveis aos leitores muçulmanos, mas também permite que “os católicos se vejam através dos olhos de nossos interlocutores”. E acrescenta: “Seria interessante se, num futuro próximo, pudéssemos realizar juntos um encontro sobre os temas importantes discutidos neste documento.”

 

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