“Fratelli Tutti”: Os desafios missionários do Papa Francisco

| 17 Out 20

A Igreja Católica assinala neste domingo, 18 de Outubro, o Dia Mundial das Missões. A esse propósito e com esse pretexto, o padre Tony Neves, dos Missionários Espiritanos, escreveu uma análise da Fratelli Tutti em chave missionária. A nova encíclica do Papa Francisco, divulgada há duas semanas, já foi objecto de várias leituras no 7MARGENS. Tony Neves considera-a “um texto inspirador para estes tempos de pandemia mundial”. 

papa Francisco. Brasil

Papa Francisco na Varginha (Minas Gerais, Brasil): “Tomar a iniciativa, ser o primeiro a dar certos passos, rumo a uma Igreja e um mundo onde a fraternidade não seja apenas palavra de dicionário.” Foto © Tânia Rêgo – Agência Brasil / Wikimedia Commons

 

O Papa Francisco continua a “primeirear”, como propôs na Alegria do Evangelho (Evangelii Gaudium), o seu primeiro grande texto programático. Sim, “primeirear” é tomar a iniciativa, ser o primeiro a dar certos passos, avançar à frente, rumo a uma Igreja e um mundo onde a fraternidade não seja apenas palavra de dicionário, mas corresponda a vidas concretas e felizes. Com a nova encíclica Fratelli Tutti (Todos irmãos), o Papa Francisco tenta dar um passo rumo a um futuro de fraternidade universal.

É uma lufada de ar fresco na Igreja e no mundo em que ela vive e de que faz parte integrante e construtora. É mais um texto inspirador para estes tempos de pandemia mundial. Publicado em Assis e em dia de São Francisco, é um sinal para o mundo inteiro, como Francisco é símbolo de paz e fraternidade universal. Independentemente dos rios de tinta que já fez correr, quero já deixar bem clara a minha posição: a favor, completamente.

Francisco de Assis é apresentado como um missionário que semeou a paz por onde passou e caminhou com os pobres, abandonados, doentes e descartados. Em resumo, esteve sempre ao lado dos últimos. Tinha um coração sem fronteiras, não fazia guerras de ideias, pois achava que o caminho certo era o de viver e partilhar o amor de Deus, despertando o sonho de uma sociedade fraterna.

A chegada da covid-19 vem dar mais razão de ser a esta encíclica pois, apesar de tanta conectividade tecnológica, os países demonstram incapacidade de atuar juntos.

Li duas vezes a encíclica, sublinhei-a e tratei os sublinhados, donde destaco sete desafios que o Papa lança hoje à missão da Igreja Católica.

 

1. Cicatrizar o mundo
trafico humano, Foto_ Secours Catholique Caritas France

Trabalhadores domésticos, agrícolas e da construção civil, e migrantes sem documentos são algumas das vítimas de tráfico humano. Foto © Secours Catholique-Caritas France.

 

O mundo está cheio de feridas e nota-se que muitas conquistas humanas estão a fazer marcha atrás: “reacendem-se conflitos anacrónicos que se consideravam superados, ressurgem nacionalismos fechados, exacerbados, ressentidos e agressivos” (FT 11). Muitos governantes esquecem-se de algo essencial: “o bem, como aliás o amor, a justiça e a solidariedade não se alcançam de uma vez para sempre: hão-de ser conquistados cada dia” (FT 11).

O racismo continua em força, embora mais disfarçado, nascem novas pobrezas, as mafias aproveitam o medo e insegurança das pessoas, as mulheres têm menos direitos que os homens, os direitos humanos não são iguais para todos: “enquanto uma parte da humanidade vive na opulência, outra parte vê a própria dignidade não reconhecida, desprezada ou espezinhada e os seus direitos fundamentais ignorados ou violados” (FT 22). Há que combater todas as formas de tráficos humanos, onde as pessoas são tratadas como meios e não como fim. O mundo está violento, vive-se hoje “uma terceira guerra mundial por pedaços” (FT 25).

A covid-19 recordou-nos que estamos no mesmo barco a enfrentar a mesma tempestade e ninguém se salva sozinho, mas juntos. A pandemia obriga-nos a “repensar os nossos estilos de vida, as nossas relações, a organização das nossas sociedades e, sobretudo, o sentido da nossa existência” (FT 33). Precisamos todos uns dos outros.

Tentamos que outros não cheguem às nossas terras, não ajudamos os países mais pobres, damos cobertura a traficantes humanos sem escrúpulos. Vivemos na era digital, mas os corações não estão todos interligados. Há muita violência e fanatismo que passam hoje pelos media. Precisamos de mais sabedoria e menos manipulação e falsas notícias.

O desafio missionário do Papa está presente neste apelo à confiança: “caminhemos na esperança!” (FT 55).

 

2. Ser próximo e não sócio
Enfermagem

Hospital de Santa Maria (Brasília, Brasil): “É incisiva a distinção entre ser sócio (“associado para determinados interesses”) e próximo. Foto © Pedro Ventura/Agência Brasil

 

O Papa faz uma reflexão atual sobre a parábola do bom samaritano, um texto bíblico que tem suscitado reações de muitos académicos, políticos, economistas e escritores, incluindo não crentes. É incisiva a distinção entre ser sócio (“associado para determinados interesses” – FT 102)) e próximo (“aquele que, livre de todas as etiquetas e estruturas, foi capaz de interromper a sua viagem, mudar os seus programas, estar disponível para se abrir à surpresa do homem ferido que precisava dele” – FT 101).

Percorrendo esta emblemática parábola, Francisco recorda que vários passaram ao lado da pessoa batida pelos bandidos… foram-se e não pararam. Não pararam o levita e o sacerdote, homens da Lei e do Templo. Mas houve um que parou, dando tempo ao ferido, evitando a sua morte eminente. (cf FT 63). E o Papa ousa perguntar-nos: “Com quem te identificas?”. A conclusão parece óbvia, mas: “habituamo-nos a olhar para o outro lado, passar à margem, ignorar as situações até elas nos caírem directamente em cima” (FT 64).

Seguir o bom samaritano é fazer um exercício de cidadania responsável, dando vida ao bem comum: “com os seus gestos, o bom samaritano fez ver que a existência de cada um de nós está ligada à dos outros: a vida não é tempo que passa, mas tempo de encontro” (FT 66).

Há muitas maneiras de passar ao largo, desde o egoísmo até à indiferença. Mas o texto diz algo que nos incomoda: as pessoas que passam ao largo eram religiosas. Isto prova que “o facto de crer em Deus e O adorar não é garantia de viver como agrada a Deus” (FT 74).

E fica uma orientação pastoral importante: “a catequese e a pregação devem incluir, de forma clara e direta, o sentido social da existência, a dimensão fraterna da espiritualidade, a convicção sobre a dignidade inalienável de cada pessoa e as motivações para amar e acolher a todos” (FT 86).

 

3. Abrir mundos ao mundo

Propriedade privada “sempre submetida ao destino universal dos bens” e “um planeta que garanta terra, tecto e trabalho para todos”. Foto © Tony Neves

 

É urgente partir em direcção às periferias, algumas delas bem próximas de nós. Há que dar atenção a sinais preocupantes de racismo, “um vírus que muda facilmente e, em vez de desaparecer, dissimula-se, mas está sempre à espreita” (FT 97). Também merecem redobrada atenção os “exilados ocultos”, como é o caso de pessoas portadoras de alguma deficiência e certas pessoas idosas que não contam para sociedades assentes na competitividade, no sucesso e no lucro.

Há que lutar contra “todas as causas estruturais da pobreza, a desigualdade, a falta de trabalho, a terra e a casa, a negação dos direitos sociais e laborais” (FT 116). E, claro, há que apostar numa ecologia integral que obriga a “cuidar da casa comum” (FT 117).

A questão da propriedade também é aprofundada. Diz a doutrina social da Igreja que a propriedade privada está sempre submetida ao destino universal dos bens (cf. FT 123) e as sociedades devem “garantir que cada pessoa viva com dignidade e disponha de adequadas oportunidades para o seu desenvolvimento integral” (FT 118).

O Papa Francisco lança mais um desafio missionário: “é possível desejar um planeta que garanta terra, tecto e trabalho para todos. Este é o verdadeiro caminho da paz, e não a estratégia insensata e míope de semear medo e desconfiança perante ameaças externas. Com efeito, a paz real e duradoura é possível só a partir de uma ética global de solidariedade e cooperação ao serviço de um futuro modelado pela interdependência e a corresponsabilidade na família humana inteira” (FT 127).

 

4. Uma política com amor

Deslocados em Moçambique: os esforços a favor de migrantes, refugiados ou deslocados “podem resumir-se em quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar”. Foto © Tony Neves

 

Ao pôr limites às fronteiras que o mundo ergueu, o Papa repete que “os nossos esforços a favor das pessoas migrantes que chegam podem resumir-se em quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar” (FT 129). Devemos oferecer aos migrantes a possibilidade dum novo desenvolvimento (cf. FT 134) pois, “se forem ajudados a integrar-se, eles são uma bênção, uma riqueza e um novo dom que convida a sociedade a crescer” (FT 135).

O mercado não resolve todos os problemas e a especulação financeira continua a fazer estragos. Lembra o Papa que a fragilidade dos sistemas mundiais perante a pandemia evidenciou que nem tudo se resolve com a liberdade do mercado.

O combate à corrupção tem de ser sem tréguas. E só há grandeza política “quando se trabalha com base em grandes princípios e pensando no bem comum a longo prazo” (FT 178). A caridade social é a alma de uma saudável ordem social e política, na busca do bem comum: “a caridade está no centro de toda a vida social sadia e aberta” (FT 184). Os políticos devem ajudar quem é pobre, mas também “modificar as condições sociais que provocam o seu sofrimento (…), criando um emprego, exercendo uma forma sublime de caridade que enobrece a sua ação política” (FT 187).

O mundo está ainda longe duma globalização dos direitos humanos mais essenciais (FT 189). O Papa condena a fome criminosa, as toneladas de alimentos que se estragam e o tráfico de pessoas, uma “vergonha para a humanidade que a política internacional não deveria tolerar” (FT 189).

 

5. Ouvir vozes de várias cores

Padre Márcio, missionário na Bolívia: “Numa sociedade de alta velocidade, as pessoas parece não terem tempo para gestos simples, mas essenciais.” Foto © Tony Neves

 

O diálogo é uma ponte, estabelece um meio termo “entre a indiferença egoísta e o protesto violento” (FT 199). E há que fugir também de toda e qualquer forma de poder manipulador: “económico, político, mediático, religioso ou de qualquer outro género” (FT 201).

A paz social é muito trabalhosa, exigindo prática. Não se consegue a paz no conforto dos gabinetes, mas na difícil e arriscada vida do dia a dia: “o que conta é gerar processos de encontro, processos que possam construir um povo capaz de recolher as diferenças. Armemos os nossos filhos com as armas do diálogo. Ensinemos-lhes a boa batalha do encontro” (FT 217).

Numa sociedade de alta velocidade, as pessoas parece não terem tempo para gestos simples, mas essenciais. Lembra o Papa que “raramente se encontram tempos e energias disponíveis para se demorar a tratar bem os outros, para dizer “com licença”, “desculpe”, “obrigado”. Há que valorizar as expressões de amabilidade que criam bom ambiente e geram felicidade. A amabilidade – conclui o Papa Francisco – “quando se torna cultura numa sociedade, transforma profundamente o estilo de vida, as relações sociais, o modo de debater e confrontar ideias. Facilita a busca de consensos e abre caminhos onde a exasperação destrói todas as pontes” (FT 224).

 

6. Lutar contra a fome, a guerra e a pena de morte
O governo de Bolsonaro é acusado de _condenar à morte_ as populações indígenas. Foto_ APIB.

A pena de morte “não é admissível e a Igreja compromete-se decididamente a propor que seja abolida em todo o mundo”. Foto © APIB.

 

Francisco está convencido de que a reconciliação e a construção da fraternidade exigem saber o que se passou: “a verdade é contar às famílias dilaceradas pela dor o que aconteceu aos seus parentes desaparecidos (…), o que aconteceu aos menores recrutados pelos agentes de violência (…), é reconhecer o sofrimento das mulheres vítimas de violência e de abusos”. A fraternidade só terá lugar quando se quebrarem as cadeias da violência, pois “a violência gera mais violência, o ódio gera mais ódio e a morte mais morte” (FT 227). A vingança não resolve nada e “o perdão permite buscar a justiça sem cair no círculo vicioso da vingança nem na injustiça do esquecimento” (FT 251).

Não se deve propor nunca o esquecimento. “A Shoah não deve ser esquecida” (FT 247), nem “os bombardeamentos de Hiroxima e Nagasaki” (FT 248), nem “perseguições, comércio dos escravos, massacres étnicos” (FT 248) para não se voltarem a cometer atrocidades dessa dimensão. Mas também “é muito salutar fazer memória do bem” (FT 249).

Finalmente, o Papa Francisco agarra dois temas quentes: a guerra e a pena de morte. A guerra “é a negação de todos os direitos e uma agressão dramática ao meio ambiente” (FT 257). Após a descoberta das armas nucleares, químicas e biológicas destruiu-se a lógica de uma eventual guerra justa, dado o seu poder destrutivo: “já não podemos pensar na guerra como solução, porque os riscos sempre serão superiores à hipotética utilidade que se lhe atribua. Nunca mais a guerra” (FT 258). O Papa não tem dúvidas de que “toda a guerra deixa o mundo pior do que o encontrou. É um fracasso da política e da humanidade, uma rendição vergonhosa, uma derrota perante as forças do mal. (…) Interroguemos as vítimas” (FT 261).

E aí vem a grande proposta: “com o dinheiro usado em armas e outras despesas militares, constituamos um fundo mundial para acabar de vez com a fome e para o desenvolvimento dos países mais pobres” (FT 262).

Também a pena de morte é visada: “hoje não é admissível e a Igreja compromete-se decididamente a propor que seja abolida em todo o mundo” (FT 263). Há que lutar por condições dignas nas prisões e pela abolição da prisão perpétua, “uma pena de morte escondida” (FT 268).

 

7. Investir numa fraternidade crente

“Como crentes, pensamos que, sem uma abertura ao Pai de todos, não podem haver razões sólidas e estáveis para o apelo à fraternidade.” Foto © Tony Neves

 

O Papa Francisco tem uma longa experiência de diálogo ecuménico e inter-religioso e não tem dúvidas de que “as várias religiões oferecem uma preciosa contribuição para a construção da fraternidade e a defesa da justiça na sociedade” (FT 271). O nosso contributo específico de pessoas crentes é o de acreditarmos num “fundamento único”: “como crentes, pensamos que, sem uma abertura ao Pai de todos, não podem haver razões sólidas e estáveis para o apelo à fraternidade” (FT 272).

Ao olhar para a Missão da Igreja, o Papa lembra ao mundo que, além dos âmbitos da assistência social e humanitária e da educação, a Igreja “busca a promoção das pessoas e a fraternidade universal” (FT 276). E deve cumprir a sua missão sem exclusões porque é “uma casa com as portas abertas, porque é Mãe” (FT 276).

Francisco volta ao tema quente e atual da liberdade religiosa e pede aos líderes políticos do mundo inteiro que, onde os cristãos são minoria, lhes seja dada a liberdade de culto e de missão. Essa mesma liberdade seja também favorecida a crentes de outras religiões nos países de maioria cristã. E é preciso condenar tal terrorismo em todas as suas formas e manifestações” (FT 283).

Deus não precisa que ninguém o defenda em seu nome e cada líder religioso deve ser um mediador autêntico, “artífice da paz, unindo e não dividindo, extinguindo o ódio em vez de o conservar, abrindo caminhos de diálogo em vez de erguer novos muros” (FT 284).

Fratelli Tutti termina com uma Oração ao Criador e uma Oração cristã ecuménica. A mensagem final do Papa é clara: “Em nome de Deus e de tudo isto (…) declaramos adotar a cultura do diálogo como caminho; a colaboração comum como conduta; o conhecimento mútuo como método e critério” (FT 285).

O mundo precisa de referências e o Papa pede para olharmos as vidas de Luther King, Desmond Tutu, Gandhi e Carlos de Foucauld. São luzes de fraternidade universal para os caminhos dos tempos que são os nossos.

 

Tony Neves é padre católico e trabalha em Roma como responsável do Departamento da Justiça e Paz dos Missionários do Espírito Santo (CSSp, Espiritanos), de cuja congregação é membro.

 

Padre João Felgueiras, 100 anos: várias memórias e três imagens

Missionário em Timor

Padre João Felgueiras, 100 anos: várias memórias e três imagens

O padre João Felgueiras, padre jesuíta e missionário em Timor-Leste desde 1971, atravessou a época colonial portuguesa (até 1975), a ocupação indonésia (1975-1999) e os anos da independência (2002 até hoje). Completando 100 anos neste 9 de Junho (viveu 50 anos em Portugal e outros 50 em Timor-Leste), o jesuíta foi o centro de uma pequena homenagem em Díli, que incluiu a publicação de um livro com vários depoimentos. Dele se extraem vários elementos que a seguir se coligem acerca da vida deste homem e padre que, durante a ocupação indonésia, apoiou a resistência timorense e que chegou a enviar recados para os políticos portugueses (ver texto de Adelino Gomes no final).  

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Crónica

Isto não é gozar com quem…?

[Segunda Leitura]

Isto não é gozar com quem…?

Ler jornais é saber mais. Vamos, então, a alguma leitura. Esta notícia, por exemplo: “Relação diz que pontapés e palmadas não são violência doméstica” (JN, 28/5/2021). O caso diz respeito a um homem que foi condenado, em primeira instância, a ano e meio de prisão e ao pagamento de uma indemnização de mil euros, por ter sido o autor destes atos de violência para com a sua companheira.

Breves

Ano de S. José em Coimbra

Dia do Ambiente assinalado com plantação de cedro do Líbano

A Paróquia de S. José, em Coimbra assinalou, no passado sábado, o Dia Mundial do Ambiente com a plantação de um Cedro do Líbano no jardim junto à igreja.  Um momento que contou com a presença de Helena Freitas, professora do Departamento de Botânica da Universidade de Coimbra, e de um grupo de crianças da catequese, do Grupo ASJ – Adolescentes de São José e de vários paroquianos.

Vaticano

Papa “magoado” com restos mortais de 215 crianças no Canadá

O Papa Francisco confessou-se magoado com a descoberta dos restos mortais de 215 crianças numa antiga escola católica para crianças indígenas no Canadá, pedindo respeito pelos direitos e culturas dos povos nativos. No entanto, não apresentou um pedido de desculpas, como pretendem o Governo daquele país e dirigentes de comunidades autóctones.

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