A Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (SSPX) consagrou esta quarta-feira, em Ecône, na Suíça, quatro novos bispos sem mandato pontifício, numa cerimónia presidida pelos bispos Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay. A decisão de avançar com a consagração foi tomada apesar do apelo lançado na véspera pelo Papa Leão XIV para que a fraternidade desistisse destas ordenações.
Numa carta enviada ao superior-geral da fraternidade, o padre Davide Pagliarani, e datada de 29 de junho, o Papa advertiu que a consagração de bispos sem mandato pontifício constituiria um ato cismático e apelou ao regresso ao diálogo com Roma. “Peço-vos de todo o coração: voltai atrás”, escreveu Leão XIV, acrescentando que “rasgar a túnica inconsútil de Cristo é um pecado de extrema gravidade”.
A cerimónia decorreu no seminário da fraternidade em Ecône, perante mais de mil padres, religiosos e religiosas e cerca de 15 mil fiéis, segundo os organizadores. O evento foi transmitido em direto em seis línguas através dos canais oficiais da fraternidade.
Os quatro novos bispos são Pascal Schreiber, padre suíço de 53 anos ordenado em Ecône em 1998, Michael Goldade, natural do estado norte-americano da Dakota do Norte e criado no Kansas, e os franceses Michel Poinsinet de Sivry, de 42 anos, e Marc Happier, de 36 anos.
A consagração foi realizada por Alfonso de Galarreta, tendo Bernard Fellay como co-consagrante. Ambos fazem parte do grupo de quatro bispos consagrados em 1988 pelo fundador da fraternidade, Marcel Lefebvre, sem autorização pontifícia, um episódio que levou então à excomunhão dos envolvidos e marcou a rutura entre Roma e a fraternidade [ver 7MARGENS].
De acordo com o direito canónico da Igreja Católica, a consagração episcopal sem mandato pontifício implica excomunhão automática (latae sententiae). No entanto, Davide Pagliarani afirmou no início da cerimónia que a fraternidade considera que “quaisquer penas ou censuras impostas por este ato não têm valor algum”.
O superior-geral justificou a decisão com a necessidade de assegurar a continuidade da fraternidade e a transmissão do episcopado às gerações futuras. “Estamos preparados para pagar qualquer preço para salvar a Igreja”, afirmou.
O Vaticano tinha advertido repetidamente para as consequências da realização das consagrações. Além da carta de Leão XIV, o prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, o cardeal Victor Manuel Fernández, classificara anteriormente a iniciativa como um ato cismático.
Mas a Fraternidade de São Pio X sustenta que as consagrações eram necessárias para garantir a sua continuidade e missão apostólica. A Santa Sé considera, por sua vez, que o gesto representa uma nova rutura na relação entre Roma e o movimento fundado por Lefebvre.










