Freira comboniana é “Mulher Coragem 2021” pelo trabalho com beduínos da Cisjordânia

| 12 Mar 21

A irmã Alicia Vacas Moro com população beduína. Foto © Direitos Reservados.

 

“Mulher Coragem 2021”, a espanhola e freira comboniana Alicia Vacas Moro, vive com meia dúzia de companheiras missionárias em pleno coração do conflito israelo-palestiniano trabalhando na promoção de comunidades beduínas empobrecidas, na Cisjordânia.

No Dia Internacional da Mulher (segunda-feira última, dia 8), o Departamento de Estado norte-americano incluiu-a numa lista de 14 mulheres de diferentes partes do planeta que se distinguiram pela sua “coragem e liderança excecionais na defesa da paz, justiça, direitos humanos, igualdade de género e capacitação das mulheres – muitas vezes com grande risco pessoal e sacrifício”.

Dados que saltam à vista quando se consulta a página das notas biográficas de cada uma das 14 distinguidas é a sua ligação a zonas das mais problemáticas do mundo, seja pelos conflitos e violência, seja pela pobreza, pela falta de liberdade ou violação dos direitos humanos. Em boa parte dos casos, vários destes fatores conjugam-se no testemunho das mulheres agora reconhecidas, várias das quais pagaram com a vida a sua luta.

No caso da irmã Alícia Vacas Moro, vale a pena acompanhá-la nas andanças da sua vida de entrega à causa missionária, entendida como encontro solidário com os pobres. Importa dizer, antes de mais, que ela é uma enfermeira diplomada e está para fazer 50 anos. A sua presença no Médio Oriente remonta a 1999, altura em que chegou ao Egito, começando a desenvolver um projeto que chamou a atenção: uma clínica médica que tratava pessoas de fracos ou nenhuns rendimentos. Aí se manteve até 2007.

 

“Um lugar desconfortável, mas onde precisamos de estar”

Alicia Vacas Moro com crianças na Cisjordânia. © Direitos Reservados.

 

No ano seguinte passou para Israel/Palestina onde se tem mantido até hoje, salvo um período de dois anos, de 2015 a 2017, em que esteve em Verona, Itália, a coordenar uma enfermaria para irmãs idosas. Quando foi eleita coordenadora regional do Médio Oriente das religiosas missionárias combonianas[i], deixou essa tarefa e regressou a Betânia, nos arredores de Jerusalém, onde também dirige o convento que desenvolve a sua atividade em circunstâncias particulares.

De facto, estando situado num centro de tensões quase permanentes, em 2004, aquando do segundo levantamento palestiniano, os israelitas cercaram o convento em três lados com um muro e respetivas torres de vigilância, o que deixou as irmãs separadas de metade da população local que atendiam. Foram obrigadas, por isso, a ter de circular pelos pontos de controlo israelitas, cercas de arame farpado e estradas supervigiadas. Duas irmãs foram mesmo viver para o outro lado do muro.

“É um lugar desconfortável para se estar, mas é um lugar onde acreditamos que precisamos de estar”, disse Alicia Vacas, em recente entrevista citada pelo Global Sisters Report, suplemento do National Catholic Reporter, dos Estados Unidos da América, dedicado ao trabalho das congregações religiosas femininas.

Ali, a irmã Alicia desenvolve, com as irmãs do seu convento, um trabalho em várias frentes: um programa de formação para mulheres beduínas que lhes abriu novas oportunidades económicas; um programa de educação infantil em campos de beduínos; e um serviço de ajuda a refugiados traumatizados e requerentes de asilo.

Todos estes aspetos concorreram para o reconhecimento que agora lhe foi prestado através do prémio internacional Mulheres de Coragem. Nesse reconhecimento pesou também a decisão da irmã Alicia ter voado para o Norte de Itália, para trabalhar como enfermeira voluntária, mal o surto pandémico se espalhou de forma violenta sobre aquela zona de Itália.

Tendo regressado à Cisjordânia, tem vindo a acompanhar uma situação local em que a pandemia está fora de controlo, apesar de Israel a ter aparentemente controlada dentro das suas fronteiras, sendo mesmo o país com a mais alta taxa de vacinação.

 

(Um vídeo com uma curta entrevista em inglês à irmã Alicia pode ser visto a seguir:)

Nota
[i] A Congregação das Irmãs Missionárias Combonianas foi fundada em Verona, Itália, em 1872, por Daniel Comboni. Segundo a Wikipedia (dados de 2017), está presente em 30 países de quatro continentes, com realce para a África. Conta com perto de 1300 irmãs em 34 casas. Portugal é um dos países de presença da congregação, com casas em Lisboa, Porto e Viseu.

 

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