
Em 2021, o Dicastério para a Vida Consagrada do Vaticano ordenou o encerramento do mosteiro, com o consentimento das Irmãs Clarissas Urbanistas de Itália, justificando a medida com o declínio no número de religiosas que ali residiam. Foto: Direitos reservados.
São conhecidas como “as freiras rebeldes de Ravello” por se terem recusado a abandonar o convento onde residiam, o Mosteiro de Santa Clara em Ravello (localidade na costa amalfitana, em Itália) juntamente com uma outra irmã de 97 anos, de quem cuidavam, depois de o Vaticano ter ordenado o seu encerramento. Agora, além de terem sido obrigadas a sair do convento, foram também “dispensadas das obrigações derivadas da sagrada ordenação”, por desobediência.
Massimiliana Panza, italiana, e Angela Maria Punnacka, indiana, deixaram o convento no passado dia 3 de fevereiro. A irmã Cristina Fiore, também italiana, permanece temporariamente no convento, onde reside desde 1955, agora aos cuidados de uma nova comunidade de irmãs que estão encarregues de cuidar dela até que seja tomada uma decisão sobre a sua residência, avança o jornal Crux.
Em 2021, o Dicastério para a Vida Consagrada do Vaticano ordenou o encerramento daquele mosteiro, com o consentimento das Irmãs Clarissas Urbanistas de Itália, justificando a medida com o declínio no número de religiosas que ali residiam (que, nessa altura, eram cinco).
Mas, além da residência para as irmãs, o complexo do convento inclui uma igreja, uma casa de hóspedes, um conjunto de ruínas e uma vasta área aberta com vista para o Mar Tirreno. Na sequência de doações ao convento, este também possui um hotel e três empresas locais que geram cerca de 187 mil euros de lucros anualmente. Estima-se que o valor de todas as propriedades pertencentes ao convento ronde os 50 milhões de euros.

Além da residência para as irmãs, o complexo do convento inclui uma igreja, uma casa de hóspedes, um conjunto de ruínas e uma vasta área aberta com vista para o Mar Tirreno. Foto: Direitos reservados.
No verão passado, numa última tentativa para manter o convento aberto, as irmãs Panza e Punnacka propuseram transferir a propriedade de todo o espaço e empresas para o Vaticano, para que os lucros pudessem ser usados na caridade papal, dando às irmãs permissão para permanecer.
O Vaticano respondeu “sim” à transferência da propriedade, mas “não” à permanência das irmãs, ordenando que cada uma se mudasse para conventos diferentes em Itália, o que elas recusaram.
De acordo com os média locais, quando o encerramento do convento foi anunciado em 2021, circularam rumores de que haveriam planos para construir um complexo hoteleiro de luxo no local. A assembleia municipal da cidade também se opôs ao encerramento, alegando o significado histórico e cultural do mesmo.
Durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, o rei Vittorio Emanuele III, a rainha Elena e o seu filho, o príncipe Humberto, eram frequentadores assíduos do local. onde apoiaram a reconstrução de um jardim de infância e também a produção de roupas e outros artigos básicos para os pobres da cidade.
Um antigo presidente da câmara e agora presidente da associação Ravello Nostra, Paolo Imperato, veio a público afirmar que fará o seu melhor “para defender séculos de história, cultura e espiritualidade que este complexo representou para Ravello”. E acrescentou: “Faremos isso através de uma batalha que restitui a verdade, a justiça e a dignidade à virtuosa ‘desobediência’ das irmãs, (…) para reivindicar a autenticidade da verdadeira Igreja que não pode tolerar purgas por trás da falsa máscara de não alinhamento com ordens superiores. Especialmente se são questionáveis ao nível canónico, assim como reprováveis no nível ético, a ponto de soarem como um testemunho anti-sinodal”.










