Os dias da semana

Fugir das redes sociais

| 24 Mai 21

Nos dias de hoje, desligar das redes sociais é uma necessidade. Foto © Camilo jimenez on Unsplash

 

A quantidade de livros sobre como lidar com o ódio nas redes sociais tende a multiplicar-se. Apesar de serem vários os títulos recentes, nenhum merece recomendação. Em alguns casos, trata-se apenas de aproveitar a notoriedade de gente com presença fácil nos palcos televisivos para vender um produto desnecessário. Contra o efeito nefasto das redes sociais, não é preciso escrever longamente. As imprecações mais contundentes e os conselhos mais úteis requerem apenas uma ou duas páginas de um jornal ou revista. A escritora franco-marroquina Leïla Slimani comprovou-o ao publicar no domingo, 16 de Maios, no diário espanhol El País, um testemunho assaz edificativo. Intitula-se “Desconectada” e assinala a razão por que resolveu abandonar todas as redes sociais.

O afastamento ocorreu após o assassinato do professor francês Samuel Paty por um terrorista islâmico no dia 16 de Outubro de 2020. A circunstância de o crime ter sido instigado nas redes sociais e de, numa delas, o assassino ter publicado uma fotografia da cabeça decapitada da vítima, cujo assassinato reivindicou, fez com que Leïla Slimani dissesse basta, considerando “inconcebível continuar a aceitar que estas redes sejam o cenário de ódio, insultos e boatos”. A escritora sentiu-se “exausta e enojada, não só pela violência que nelas é derramada, mas também por esta sociedade de comentários permanentes e opiniões destrutivas”. Para Leïla Slimani, “no fundo, as redes sociais apenas têm poder porque todos decidimos estar nelas”.

O diagnóstico que ela faz deste nosso tempo não é original, mas não deixa de ser menos certeiro. Vivemos numa “época em que o importante não é reflectir, documentar, ponderar os prós e os contras, mas apenas expressar instantaneamente qualquer sentimento, qualquer ideia, por mais falsa ou mal-intencionada que seja. O que conta é reagir o mais rapidamente possível a qualquer informação ou polémica. O que conta é fazer barulho, que falem de nós, não importa se bem ou mal”. Nas redes sociais, constata ainda Leïla Slimani, “muitas vezes sob a protecção do anonimato, todos se sentem livres de mostrar o seu lado mais sombrio. Muitos comportam-se como pequenos juízes, prontos para julgar tudo e todos”. A democracia é contenção, defende a escritora, citando Albert Camus.

Leïla Slimani tem “a impressão de que vivemos no mito da caverna de Platão e acreditamos que as sombras são a realidade. O que não é mais do que uma opinião faz-se passar por certeza, conhecimento, e colocamos todas as palavras ao mesmo nível”. Ao observar esta confusão, a escritora formula algumas questões: “Será que, na verdade, todas são iguais? A opinião de pancake44 sobre as vacinas ou a ameaça nuclear vale tanto quanto a de um professor de medicina ou a de um físico?”

Por ter fugido das redes sociais, Leïla Slimani, autora do romance O País dos Outros, muito recentemente editado em Portugal, foi interpelada por um jornalista que lhe perguntou se, como intelectual, não a incomodava desligar-se do mundo e das preocupações dos seus concidadãos. A resposta é eloquente: “Sim, estou offline. Eu vivo numa bolha. Dedico o meu tempo a escrever livros sobre personagens que não existem. Falo com fantasmas. Leio poemas. E não me quero desculpar por isso. Sim, estou desconectada e, quanto mais anos passam, mais desejo proteger esta solidão que é parte essencial do meu ofício de escritora. E não me parece que seja necessário estar no Facebook para compreender o mundo.”

Há que recuperar uma certa noção das coisas: “Uma pessoa que passa todo o dia em frente do seu ecrã está mais ‘conectada’ do que outra que cultiva o seu jardim, cria os seus filhos ou lê romances? A vida está à minha volta. Falo com os meus amigos, com os meus vizinhos. Observo o mundo que me rodeia. E penso com frequência naquelas escritoras que, como Emily Dickinson ou as irmãs Brontë, quase nunca saíam de casa, mas escreveram obras-primas que ainda nos comovem pela sua força e universalidade.”

A essa constante exibição do eu – a essa desenfreada competição egolátrica que decorre nas redes sociais – prefere Leïla Slimani discrição e segredo. De resto, explica: “Dentro de nós, nas nossas almas e corações, guardamos uma parte do mundo. E parece-me que nessa intimidade, no nosso ser mais profundo, é onde reside a nossa capacidade de estarmos conectados com os outros. Todo os outros, sejam eles quem forem.”

 

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A cidade de Braga foi palco, nesta sexta-feira, 17, da declaração oficial de reconhecimento do Caminho Minhoto Ribeiro por parte dos arcebispos de Braga e de Santiago de Compostela, depois de esse processo ter decorrido já por parte das autarquias do lado português e galego. Na conferência que decorreu em Braga, cidade que é ponto de partida dos dois itinerários que compõem este Caminho, foi igualmente feita a apresentação da investigação documental que fundamenta este novo percurso, a cargo do professor e historiador galego Cástor Pérez Casal.

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“Se formos capazes de nos maravilhar, extraímos forças para nos revoltarmos contra essas crueldades, esses horrores. Não podemos perder a capacidade de maravilhamento e encantamento” se queremos lutar contra a crise, contra as crises, afirmou Edgar Morin à Rádio Vaticano em entrevista conduzida pela jornalista Hélène Destombes e citada ontem, dia 18 de setembro, pela agência de notícias ZENIT

A votar, a votar!

[Segunda leitura]

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“Começa hoje a campanha eleitoral para as eleições autárquicas de 26 de setembro”. Juro que ouvi isto na passada terça-feira, dia 14 de setembro. Assim mesmo, sem tirar nem pôr, na abertura de um noticiário na rádio: “Começa hoje a campanha eleitoral para as eleições autárquicas de 26 de setembro”. Juro.

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