
Um avião militar russo: Estados Unidos, China e Rússia representaram 56 por cento da despesa mundial com armamento em 2022. Foto © Kostafly
Os gastos militares globais totais contabilizáveis atingiram no ano passado o valor astronómico de 2,24 mil biliões de dólares, soma equivalente a perto de 10 vezes o PIB de 2022. A despesa militar mundial aumentou 3,7 por cento em termos reais e os gastos militares na Europa registaram o maior aumento (13%) anual das últimas três décadas. A informação foi divulgada pelo prestigiado Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) nesta segunda-feira, 24 de abril.
O estudo do SIPRI revela que o aumento mais acentuado nos gastos (+13%) verificou-se na Europa e é amplamente explicado pelos gastos russos e ucranianos e que os três países que encabeçam em 2022 a lista dos que mais gastam em armamento – Estados Unidos, China e Rússia – representaram 56 por cento da despesa mundial.
“O aumento contínuo dos gastos militares globais nos últimos anos é um sinal de que estamos vivendo num mundo cada vez mais inseguro” – disse Nan Tian, investigador do SIPRI, sublinhando que “os Estados estão a reforçar as suas forças militares em resposta a um ambiente de segurança em deterioração, que eles não preveem que possa melhorar no futuro próximo”.
A despesa militar conjunta dos Estados da Europa Central e Ocidental totalizou 345 biliões de dólares em 2022, ultrapassando, pela primeira vez e em termos reais, os gastos destes Estados em 1989, quando a Guerra Fria estava a acabar, e foi 30 por cento maior do que a despesa militar de 2013. Alguns dos aumentos mais vigorosos tiveram lugar em países geograficamente muito próximos da Rússia: Finlândia (+36%), Lituânia (+27 %), Suécia (+12%) e Polónia (+11%).










